
segunda-feira, 21 de julho de 2008
"Eutanásia: crime ou prova de amor?"

terça-feira, 15 de julho de 2008
Saudade...

domingo, 13 de julho de 2008
Pedido...
Obrigada...bjs...
sexta-feira, 11 de julho de 2008
7ª (e última) Parte do 5º Capítulo "Um dia no castelo"

- Porque me pagam para olhar por si, e não para comer consigo. Tenho um horário a cumprir, e dentro desse horário não me posso dar a pequenos prazeres, como comer. - Rossana era de facto uma moça bonita, com o cabelo castanho muito liso e certinho, preso atrás, uma face morena mas de traços delicados, olhos azuis e expressivos.
- Sabes, quando eu for Rainha, todas estas regras vão acabar. Vou tomar banho só quando quiser, brincar com as minhas bonecas todos os dias e comer quando me apetecer. Ah, e o pequeno-almoço tem de ser levado ao meu quarto. E, claro, o meu avô vem viver comigo, porque eu gosto muito dele e não quero que ele fique sozinho. - falava com um ar muito sério, e Rossana esforçou-se para não soltar uma gargalhada. Era um belo sonho de criança. - E depois vou arranjar uma noiva para o meu pai, porque ele precisa de companhia. Tu tens namorado, Rossana? - Lua não se apercebeu de como estava tagarela nesse dia, mas tudo se devia ao facto de no dia seguinte ir visitar o seu avô e ouvir mais histórias sobre a sua mãe. Rossana ficou espantada com o inesperado à vontade da Princesa, e ainda mais espantada com a pergunta.
- Não, menina, não tenho namorado. Como poderia ter, se vivo dentro deste castelo? Só se fosse alguém que trabalhe cá também. Mas não, menina, já tive muitas desilusões por causa dos homens. - começou a mexer no cabelo nervosamente. Não era o assunto que mais lhe interessava, devido à mágoa do seu passado.
Lua estava tão entretida em mastigar uma fatia de bolo de chocolate, baloiçando os pés, que nem se apercebeu do embaraço de Rossana.
- Podias casar com o meu pai. Eu sei que ele parece mau, mas eu acho que podia ser simpático contigo. Tu és bonita. - sorriu, com os dentes cheios de chocolate e Rossana repreendeu-a, também com um sorriso nos lábios.
- Não diga tolices, menina! O seu pai é o futuro Rei da Floresta Dourada, e eu sou apenas uma empregada. Não pode dizer parvoíces dessas! - nesse momento, a porta da entrada bateu e segundos depois, Rafael surgiu, também com a cara rubra, pegou numa fatia de bolo, cumprimentou Lua com um ligeiro aceno de cabeça e subiu, sem sequer olhar para Rossana, que ficara de repente muito vermelha.
- Tens razão, Rossana. Não é boa ideia casar com o meu pai. Ele é muito casmurro. Mas o que achas de casares com o meu avô que vive na Floresta? - as duas soltaram uma grande gargalhada devido ao absurdo da situação.
Depois do lanche, Lua voltou ao quarto onde ficaria até à hora do jantar. Era o maior intervalo de tempo em que podia fazer o que quisesse. Era por essa altura que Lua costumava desaparecer para visitar o avô.
Correu para o seu quarto de brinquedos, onde inventou histórias de fantasia entre peluche e bonecas, foram à feira, ao teatro, contou histórias. Lua não conhecia outras crianças, então tivera que aprender a divertir-se sozinha. Às vezes gostaria de ter um amigo, mas sempre fechada naquele castelo era impossível. Quando ia visitar o avô e via crianças a brincar juntas, tinha vontade de lhes fazer companhia.
Brincou até se cansar, farta de falar para quem não responde. Além de que a sua imaginação já dera o que tinha para dar nesse dia. Arrumou tudo no sítio, como sempre lhe tinham ensinado a fazer, e deitou-se em cima da cama, a olhar a pintura do seu tecto. Perguntou-se porque a mãe escolhera aquele nome para si. Era muito bonito, mas admitia ser um pouco estranho.
Ao fim de alguns minutos também se fartou de olhar para o tecto e foi até à varanda. O sol estava prestes a pôr-se por trás das grandes árvores, o que pintava um bonito quarto. Mas Lua estava irrequieta nesse dia e não queria ficar fechada naquele quarto. Saiu, muito silenciosamente, para que ninguém a ouvisse, e pôs-se a explorar os corredores. Não conhecia nem metade do castelo e como era constantemente vigiada, eram raras as vezes em que podia descobrir um pouco mais sobre o sítio onde morava. Havia quartos fechados à chave, salões de baile que não eram usados desde a morte de Safira, corredores que não davam a lugar algum.
Seguiu pelo lado direito, pois o esquerdo daria ao andar de baixo, e passou pelo quarto do pai em bicos de pés. Sabia que o pai estaria lá dentro e não queria chateá-lo. Avançou em passo ligeiro até um corredor muito mal iluminado e que dava acesso a uma porta fechada. Lua já tentara abri-la, mas sem resultado. Sabia que aquele quarto escondia algum segredo. Já vira o pai sair de lá com ar de caso. Um dia, Lua encostou o ouvido à porta e ouviu vozes. Não conseguiu reconhecer qualquer uma delas, para além de que pareciam muito distantes. Espreitara pelo buraco da fechadura, mas as luzes estavam todas apagadas.
Olhou por cima do ombro, para ter a certeza de que não estava a ser seguida, e encostou o ouvido à porta. Mais uma vez, distinguiu duas vozes diferentes, mas não percebeu o que diziam. Espreitou pelo buraco da fechadura e admirou-se ao verificar que as luzes estavam acesas. Lá dentro viu alguém de costas, quase encostado à porta. Não distinguiu o que quer que fosse, nem mesmo a cor da roupa de quem estava lá dentro. Pareciam sussurrar e Lua ficou cada vez mais curiosa. O que, ou quem, escondiam naquele quarto? Tinha medo de perguntar ao pai, pois assim estaria admitir que saíra do quarto para espiar, mas a verdade que a curiosidade estava a consumi-la. Estava prestes a desistir, quando algo aconteceu. A pessoa que estava de costas para a porta desviou-se e numa questão de segundos, Lua vislumbrou um rapaz da sua idade, sentado numa cadeira, ao fundo do quarto. Pouco ou nada memorizou do aspecto do rapaz, por ter sido tão rápido, mas percebeu que a diferença de idades entre eles não devia ser muita.
Teve de correr para o seu quarto, pois nesse momento a pessoa que estivera de costas para a porta estava agora a abri-la. Ficou agradecida pelo facto de terem fechado a porta à chave, pois assim ainda teve tempo de se escapulir e chegar ao quarto sem que ninguém se apercebesse de nada.
Entrou no quarto com a respiração pesada e muito corada. Sentou-se na cama, fingindo que nada se passara, pois Rossana deveria estar mesmo a chegar para chamá-la para jantar. Descobrira o que se escondia por detrás daquela porta. Ou pelo menos, descobrira parte do que se escondia naquele quarto. Faltava agora saber quem era o rapaz, porque se escondia no castelo e quem era a pessoa com quem ele falava.
Não pôde pensar muito no assunto, pois logo bateram à porta e Rossana entrava para anunciar a hora do jantar. Fingindo ser uma menina bem comportada, Lua correu para a casa-de-banho, para lavar as mãos com água de rosas, e aproveitou para passar o seu rosto também por água e assim refrescá-lo.
O jantar nessa noite correu com tranquilidade, sem qualquer tipo de percalços, e basicamente em silêncio. A avó perguntou como correu a aula de equitação, Lua respondeu que correu bem. O pai perguntou ao avô se aqueles papéis estavam tratados e ele respondeu que sim. Nada de novo que valha a pena recordar.
Como sempre, depois do jantar, todos subiram para os seus quartos para descansar e mais tarde dormir. Deitavam-se cedo, já que acordavam cedo também.
Rossana subiu com Lua, para ajudá-la a deitar-se e ler-lhe uma história. Eram raras em vezes em que a Princesa ouvia a história até ao fim, pois acabava sempre por adormecer a meio. Porém, naquela noite, Rossana teve que ler duas histórias, até que conseguiu adormecer a menina. Lua estava agitada, ansiosa pelo dia seguinte. Pela primeira vez não teria medo de chegar a casa e de ouvir uma reprimenda do pai, pois ele, desta vez, nada podia fazer.
Aquele dia foi diferente para Lua. Afinal, nesse dia, a pequena Princesa comportara-se como uma criança travessa de seis anos, e não como a mulher que crescera dentro dela havia meses.
domingo, 6 de julho de 2008
Comunhão da minha prima Joana...
-> Madrinha e afilhado...e a já conhecida "simpatia" do Gonçalo :P
-> A minha mãe, linda como sempre! (Mãe, podes começar a pagar pelo elogio :P)
quinta-feira, 3 de julho de 2008
sexta-feira, 27 de junho de 2008
"Finalista"...
Mas valeu a pena, afinal fiz as 5 cadeiras (isto supondo que passei a Bioestatística), incluindo Petro, que eu dava como perdida!!! E fazendo contas, no próximo ano sou finalista!!!!!!!!!!!!!!!!
Só me falta uma melhoria e depois...FÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉRIIIIIIASSSSSSS!!!!!!!!!!!!!!!! Algarve, aqui vamos nós!
Bjs a todos...e boa sorte ao pessoal que tem exames de recurso... é pra arrebentar com tudo!!!!!!!!
História do arco da velha!!!

quarta-feira, 25 de junho de 2008
6ª Parte do 5º Capítulo "Um dia no castelo"
Chegados aos estábulos, que ficavam nas traseiras do castelo, Lua correu para o seu pónei, afagando-lhe a cabeça. Era um belo animal de pêlo dourado, a quem a Princesa chamava carinhosamente de Espiga. Mas o que Lua mais queria era crescer para poder montar o fantástico Vampiro. Era ainda um cavalo novo, de apenas 4 anos, mas Lua desde logo se apaixonara por ele. Tinha um pêlo preto muito brilhante, incluindo cauda e crina. Apesar do nome, Vampiro era muito dócil e adorava que Lua o acarinhasse.- Um dia, vais ser meu. - afirmou, depois de passar a sua mãozinha pelo dorso do animal. Colocou o seu chapéu preto que usava durante as aulas bem apertado para não cair e seguiu ao lado do professor, que trazia o pónei preso a uma corda numa das mãos e na outra o seu velho cavalo castanho. Foram para um terreno de terra batida, cercado por grades de madeira. Lá, Lua subiu no pónei com a ajuda do professor. Ainda era muito baixa para o conseguir fazer sozinha.
Aquela aula começou como todas as outras: para que Lua se habituasse ao Espiga e este à Princesa, davam meia dúzia de voltas ao recinto, com o professor a controlá-los, segurando sempre a corda do pónei. Só quando estavam os dois bem habituados um ao outro é que Lua podia dar umas pequenas corridas, primeiro dentro do recinto e depois nos campos relvados mais próximos. Nunca podia ir muito longe, pois o professor seguia-a de perto no seu cavalo. Se pudesse, Lua correria todos os campos, que um dia seriam sua propriedade. Aliás, o que por vezes mais queria fazer, era fugir das imediações do castelo, montada no Vampiro.
- Mantém as costas direitas. - aconselhou o professor.
Espiga era um pónei muito manso, nunca arranjara problemas e era um bom companheiro de aulas. Mantinha uma pose erecta enquanto a aula decorria e depois deliciava-se com relva fresca dos campos.
Contrariamente ao que acontecera no dia anterior, o sol brilhava e o céu estava limpo. Isso acontecia muitas vezes na Floresta Dourada: dias de chuva intensa seguidos de dias límpidos e quentes. Lua olhou o horizonte e mais uma vez ficou fascinada com o facto de não conseguir ver o fim dos terrenos pertencentes à sua família. Era das poucas coisas de que gostava em ser Princesa: tinha terrenos sem fim à sua disposição. Podia um dia construir uma casa pequena para o seu avô viver, assim ele não sentiria tanto a falta de uma vida humilde. Podia até conseguir com que trouxessem
Lua adorava sonha e imaginar um mundo só dela, onde apenas cabia felicidade. Também sonhava encontrar o Príncipe Encantado de que por vezes o professor Oceano falava, nos seus contos de fadas. E como Lua não conhecia ninguém para além das pessoas do castelo, exceptuando o avô, a Princesa imaginava que o seu Príncipe Encantado era o professor. Antes de adormecer, inventava grandes romances na sua mente, em que Oceano aparecia num cavalo branco, a salvava daquele castelo horrível e fugiam os dois para bem longe.
Claro que Lua nunca partilhou estes pensamentos com ninguém. A sua paixão pelo professor era secreta e nem mesmo o avô, para quem Lua quase não guardava segredos, a conhecia.
Passou algumas horas da sua tarde a cavalgar no pequeno pónei, sempre sob o olhar atento do professor. Viram Rafael passar a cavalo num dos campos mais afastados, mas não fizeram caso. Lua já estava habituada a ver o pai por aqueles lados. Nas suas primeiras aulas, ele ainda a fora visitar, só para se certificar de que tudo estava bem. Mas ao fim de alguns dias, como nada de novo acontecia, limitava-se a dar o seu passeio diário pelos campos verdes. O cavalo de Rafael era um grande animal branco, de quem Lua não gostava muito, por ser um pouco selvagem. Quase nunca obedecia ao seu professor de equitação, nunca deixava que a menina lhe passasse a mão, e a única pessoa capaz de o controlar era mesmo Rafael. Quando o via passar ao longe, montado naquela fera, Lua imaginava que o pai um dia também fora o Príncipe Encantado da mãe, no seu cavalo branco. Mas esse Príncipe tornara-se num monstro, devido a um feitiço provocado pela tristeza, e que necessitava agora de um novo amor para o curar. Mas enquanto isso não acontecia, Lua sofria por ter um pai ausente e que a culpava injustamente pela morte da mãe.
- Muito bem, menina! Portou-se lindamente nesta aula. Nos primeiros dias, eu achei que tinha um talento natural para a equitação, mas agora tenho a certeza. Soube manter a pose correcta e mostrar confiança é um bom princípio para se se uma óptima cavaleira. - o professor ajudou-a a descer, enquanto a elogiava efusivamente. Lua ficou muito contente com as palavras do professor, pois cavalgar era algo que naturalmente gostava. Sentia-se livre, longe das grandes paredes e regras do castelo. Agradeceu os elogios, tirou o chapéu e fez o caminho de regresso sempre ao lado do professor e a perguntar quando poderia montar um cavalo a sério, como o Vampiro. O professor riu-se e depois pousou uma das suas mãos calejadas no ombro de Lua.
- Ainda é muito pequena para isso. Um cavalo nem sentiria o seu peso, o que seria um perigo. Talvez daqui a uns três ou quatro anos.
Lua ficou ligeiramente frustrada, mas acabou por esquecer o assunto.
Quando chegou ao castelo, encontrou Rossana à porta, que a acompanhou até ao quarto. Lua passou o seu corpo por água de rosas em menos de cinco minutos, pois sabia que àquela hora, o lanche estaria pronto.
A Princesa lanchava sempre sozinha. A bem dizer, Lua até preferia que assim fosse, já que as refeições principais eram sempre momentos de grande tensão. Eram raras as vezes em que surgia um tema de conversa, e quando isso acontecia, nunca trocavam mais que meia dúzia de frases.
Sentou-se à mesa, ainda muito corada, e comeu várias fatias bolo e bebeu dois copos de sumo natural. Rossana esteve sempre ao lado da menina. Desde que a ama se reformara, a principal responsável por Lua era a jovem empregada.
- Porque é que ficas sempre a olhar para mim e não lanchas comigo? - inquiriu Lua, achando descabida a ideia de a empregada ficar todas as vezes de pé, enquanto a via devorar os melhores bolos e pães aquecidos.
sábado, 21 de junho de 2008
Tempo e espaço...
Bjs
(Joana, espero que estejas mais esclarecida :P)
quarta-feira, 18 de junho de 2008
5ª Parte do 5º Capítulo "Um dia no castelo"

A aula durou, como sempre, três horas, em que Lua aprendeu a escrever algumas palavras pequenas, a fazer contas de somar e subtrair e ainda fez um desenho, para se distrair. Durante as aulas, Lua falava pouco. Mas gostava de ouvir o professor contar histórias e experiências. Ela limitava-se a ficar muito atenta.
No fim da aula, tal como prometido, Rossana estava à porta do quarto de estudo, para depois acompanhar Lua até ao quarto. Lua seguia sempre à frente, pois odiava ter de correr atrás de alguém.
- E então, como correu a aula? - perguntou a empregada, sempre disposta a conversar com a menina, apesar de saber que a maior parte das vezes não obteria resposta.
- Correu bem. - respondeu, sem sequer olhar para trás, e quase alcançando a porta do quarto. Abriu a porta e Rossana certificou-se que a Princesa entrava de facto. Não podiam correr o risco de deixá-la fugir novamente.
- Dentro de poucos minutos venho chamá-la para o almoço. - pediu licença para sair e depois fechou a porta. Lua sentou-se na sua cama e pegou na fotografia da mãe.
O quarto já estava arrumado e limpo. Lua nunca soubera quem arrumava o seu quarto, pois esse trabalho era sempre feito quando estava em aula ou, até uns meses atrás, quando estava com a ama. Eram tantos os empregados do castelo, que era impossível conhecê-los a todos. Aqueles que Lua conhecia melhor eram Rossana, Paco, a antiga ama – que entretanto se reformara – e Oceano, que nem era considerado empregado, pois não era permanente no castelo, já que o seu trabalho se resumia a dar três horas de aula por dia. Havia também os seus professores de actividades, mas como só os via uma vez por semana, era como se não os conhecesse.
Quando pousou a fotografia, levantou-se e foi até ao quarto dos brinquedos, que estava ligado ao seu quarto de dormir por uma porta, tal como a casa-de-banho. Era um quarto pequeno e todo ele preenchido pelos mais possíveis brinquedos. No chão tinha uma grande tapeçaria, onde Lua costuma sentar-se com as suas bonecas. Apesar de ser fria e de passar uma infância dolorosa, a menina era apenas uma criança e gostava de brincar ao faz-de-conta, com bonecas e peluches e todo o tipo de acessórios.
Começou a brincar, inventando uma história, e nem deu pelo tempo passar.
Rossana bateu à porta para chamá-la para o almoço, que seria servido dentro de poucos minutos. Lua pousou os bonecos com todo o cuidado onde os tinha encontrado e saiu, depois de lavar as mãos. Quando chegou à sala de refeições, já lá estavam os avós, a quem Lua sorriu, mas o pai ainda não chegara. Sentou-se no seu lugar e esperou, em silêncio. Foi a avó quem falou primeiro.
- Que aprendeste hoje, Princesa? - o seu vestido era desta vez azul celeste, demasiado parecido com o do dia anterior. Lua prometeu a si própria que assim que tivesse idade, passaria a usar apenas calças. Eram mais confortáveis e práticas.
- Aprendi a escrever algumas palavras, fiz contas e fiz um desenho da Floresta. - normalmente nem teria respondido, mas achava que devia ser simpática com os avós, senão poderia correr o risco de ficar em casa na tarde do dia seguinte.
- Vais ver, vais aprender tanto, que um dia destes estás a escrever livros e tudo. - brincou o avô. Lua sorriu, torcendo o nariz. Achava que nunca aprenderia o suficiente para poder escrever uma frase completa, quanto mais um livro. Nesse momento o pai entrou, com o seu ar severo e Lua logo ficou séria. Rafael sentou-se sem nada dizer e fez sinal à criada para que servisse a sopa.
- Não estás a pensar fugir esta tarde, pois não, Lua? - perguntou, enquanto se servia e olhando-a por um segundo.
Foi o Rei quem respondeu.
- A Lua não terá mais necessidade de se escapulir do castelo, pois amanhã iremos levá-la a visitar o avô. - olhou o filho com atenção, à espera que este reagisse.
Rafael olhou de Lua para o pai e deste para a filha, novamente.
- Foste tu que pediste? - o coração de Lua batia muito depressa, com medo que o pai a proibisse de sair ou que fizesse algo pior.
- Não... os avós ofereceram-se para me levar e eu aceitei. - deixou de mexer a sopa, para olhar o pai, com expectativa.
- Não a tragam muito tarde, sabem que ela deve deitar-se cedo.
- Não te preocupes, filho, sabemos a que hora a Lua se deve deitar.
Lua sentiu o coração voltar ao ritmo normal, depois de saber que o pai nada tinha contra o facto de ir visitar o avô, desde que pedisse autorização.
O almoço correu na maior das calmas. Comeram carne assada acompanhada de batatas e mesmo a sopa soube bem a Lua. Mal podia esperar pelo dia seguinte, para visitar o avô. Pensara que não o voltaria a ver, mas tudo correra bem, e tendo em conta a reacção do pai, a menina começava a achar que a ameaça fora apenas uma forma de preveni-la de que não devia fugir.
Após ter comido a sobremesa, subiu para o quarto, onde Rossana lhe escovou os cabelos, que já estavam embaraçados, e lhe deu uma nova roupa para vestir. Naquela tarde, Lua teria a aula preferida da semana: equitação. Para além de poder usar calças, adorava animais e o cavalo era dos seus favoritos.
Vestiu então umas calças castanhas, uma camisola de lã grossa, vermelha, e pegou no seu chapéu de protecção. Treinava ainda num pónei, mas nunca caíra e estava a adorar a experiência.
Saíram do quarto e Rossana acompanhou a menina até ao hall de entrada, onde o professor de equitação a esperava, também trajado a rigor. Foram juntos até aos estábulos, sempre em silêncio, já que nem um nem outro tinham por hábito falar. O professor de equitação era muito profissional e não lhe parecia bem tentar meter conversa com a futura Rainha do reino.
sexta-feira, 13 de junho de 2008
Miminhos das fadas...


segunda-feira, 9 de junho de 2008
4ª Parte do 5º Capítulo "Um dia no castelo"

- Não preciso de nada. Está tudo bem comigo. - e preparava-se para se levantar, mas a avó insistiu.
- Lua, somos teus avós, gostamos muito de ti e estamos preocupados contigo. Queremos saber porque tens andado assim tão triste. É porque o teu pai não te deixa visitar o teu avô? - Lua sentiu os olhos encherem-se de lágrimas. Afinal os avós sabiam o que se passava. Será que também concordavam com o pai? O Rei pegou na mão da Rainha e sorriu para a neta.
- Lua, querida, sabemos que gostas muito do teu avô, e compreendemos o porquê. Ele é a única pessoa capaz de falar da tua mãe. Mas não precisas de fugir para ir visitá-lo. - levantou-se, fazendo a chama da vela mais próxima tremer, e aproximou-se da menina. Lua olhou o avô na espectativa e este passou-lhe a mão pelo cabelo, carinhosamente. - Minha linda, se queres visitar o teu avô, nós mesmos te acompanharemos à Floresta.
Lua sentiu uma grande vontade de abraçar o avô paterno, mas não se atreveu.
- Está a falar a sério? Eu posso mesmo visitar o meu avô.
- Claro que podes, Lua. - respondeu a avó, ainda sentada. - Apenas tens nos pedir. Não precisas de fugir. Hoje não podemos sair daqui, pois temos em mãos um monte papelada para resolver, mas o que dizes de irmos à Floresta amanhã, ao início da tarde? - ao ver a alegria nos olhos da neta, as rugas da Rainha pareciam até ter desaparecido. Há quanto tempo não esperavam ver a neta feliz? Não gostavam de se intrometer na educação que Rafael escolhera para a filha, mas há muito que admitiam que o filho estava a ser negligente com a menina, que de tanta atenção precisava.
- Isso seria óptimo! - exclamou, levantando-se. - Amanhã a seguir ao almoço vão levar-me a ver o avô?
- Sim, vamos. - a avó também já estava de pé, ao lado da menina. - Agora, se quiseres podes ir, tens o teu professor à tua espera. - Lua agradeceu, empolgada, e saiu. Paco, que estava do lado de fora, fez-lhe uma pequena vénia e acompanhou-a de novo até ao quarto. Pelo caminho Lua sorria, pois afinal podia ir visitar o avô, bastava pedir. E desta vez o pai não lhe poderia fazer nada, pois tinha o apoio dos avós paternos.
Assim que chegaram à porta do seu quarto, Paco fez novamente uma vénia e retirou-se, de volta ao escritório, depois de perguntar se Lua necessitava de algo. A pequena Princesa respondeu que não precisava de nada e entrou no quarto, onde pouco depois seria chamada para a aula do dia. Naquele tempo livre que tinha desde o pequeno-almoço e a aula, costumava ir para a varanda do seu quarto, olhar o mundo lá fora. Ou então pegava num dos seus livros cheios de imagens, inventando uma história, pois ainda não aprendera a ler correctamente. Havia dias em que acordava cheia de vontade de aprender, mas dias havia em que apenas queria fica fechada no seu quarto. Naquele momento sentia-se com vontade de ter aulas e aprender a ler e fazer contas e tudo o que fosse preciso para se tornar numa menina inteligente.
Não estava há mais de quinze minutos no quarto, sentada na cama, quando Rossana, a criada, entrou.
- Menina, o seu professor espera-a no quarto de estudo. - Lua levantou-se rapidamente, atirou o cabelo para trás e saiu depois de Rossana, que fechou a porta atrás de si. As regras do castelo diziam também que o empregado que fosse buscar a menina ao quarto era responsável por depois a deixar novamente no quarto. Para que pudessem saber quem fora o último a ver Lua. Assim, Rossana desceu as escadas com Lua, até ao quarto de estudo.
- Virei buscá-la daqui a três horas. Boa aula. E retirou-se, para cumprir outras tarefas. Bateu à porta do quarto de estudo. De lá de dentro a voz grave do professor ordenou que entrasse. Foi o que Lua fez, fechando de imediato a porta.
- Bom dia, pequena Princesa! - o Professor Oceano era ainda novo, não teria mais que vinte e cinco anos. A sua voz era grave, mas o seu rosto de feições suaves, com olhos grandes, cor de mel, pele muito lisa, lábios salientes e cabelo muito curto, escuro. Lua achava-o muito bonito e por vezes imaginava que Oceano era o seu pai e que brincavam juntos. Mas naqueles três meses, desde que se tinham conhecido, apenas eram aluna e professor.
- Bom dia, professor Oceano. - sentou-se no seu lugar, ainda a sorrir. O quarto de estudo era provavelmente a divisão mais iluminada do castelo. Duas das suas paredes eram substituídas por vidro, para que a luz do sol penetrasse com facilidade e quando anoitecia, uma centena de luzes no tecto se acendia, para que pudessem sempre usufruir daquele quarto. Não era muito grande, o quarto de Lua era um pouco maior. Na parede oposta à porta, havia uma estante com resmas de papel branco e nas gavetas podia encontrar todo o tipo de tinteiros e penas e também canetas e lápis. Os avós queriam que Lua treinasse bem a sua escrita com pena, pois era mais elegante, mas compreendiam também que a menina usasse caneta, por ser mais prático.
No centro do quarto havia uma grande mesa redonda, com meia dúzia de cadeiras almofadadas à sua volta. Em cima da mesa estavam já folhas e material de escrita para a aula.
Artes de Fada...

sábado, 31 de maio de 2008
Injustiças da vida...
Guimarães tem duas rádios locais, a Fundação e a Santiago. A Santiago, aquela que a minha mãe ouve todos os dias de manhã à noite e que eu própria me habituei a ouvir, é a rádio local mais ouvida em Portugal, ultrapassando algumas nacionais. Há umas semanas, a Santiago andava a fazer "castings" para encontrar um novo locutor, para um novo programa. E, se não estou em erro, no primeiro Domingo de Maio (dia da Mãe), o programa foi para o ar. "Chama-se" Canto nómada, um programa de duas horas (das 9 às 11) onde era passada musica do estilo celta. E onde eu queria chegar... o locutor, André Moutinho, de 32 anos, morreu de segunda pra terça, vítima de uma doença súbita e fatal (não especificaram), sem aviso e sem tréguas. A morte veio e não foi de mãos a abanar. Fiquei chocada... tão novo, saudável e de repente... André estava super feliz com o sucesso do programa, sentia-se realizado. Natural de Torres Novas (bem perto da terra do Renato), veio viver para Guimarães por amor à namorada (a minha terra!!!), arranjou um bom emprego...e foi-se...
Portanto, pessoal, aproveitem bem o que a vida vos dá...
Bjs
sexta-feira, 30 de maio de 2008
3ª Parte do 5º Capítulo "Um dia no castelo..."
- Sim? - respondeu Lua, intrigada. Ainda era muito cedo para o professor aparecer. Porém, foi o empregado que tratava dos negócios com os avós quem abriu a porta do quarto e espreitou timidamente.
- Menina, os seus avós pedem-me que a leve até ao escritório. Querem ter uma conversa consigo. - Lua sentiu-se excitada e assustada ao mesmo tempo. Excitada porque nunca entrara no escritório dos negócios. Assustada porque os avós nunca a tinham chamado para uma conversa particular.
Levantou-se e saiu, com o empregado atrás. Todas as pessoas que trabalhavam no castelo usavam farda. As cozinheiras vestiam roupa branca, com um avental branco e um chapéu branco. Tudo imaculadamente branco. As senhoras, e que eram muitas, que tratavam da limpeza do castelo usavam um vestido azul celeste, pelo joelho, com uma avental branco por cima. Os homens que tratavam do jardim vestiam sempre uma camisa e calças castanhas. Rossana tinha um vestido igual ao das senhoras da limpeza, mas em cor-de-rosa. Os cocheiros vestiam-se a rigor, com roupa toda preta. Eram os criados mais elegantes. E depois havia o empregado que estava no escritório dos avós, que usava calça e camisa azul escuro. Era ele que tratava de todos os recados dos avós, que fazia os telefonemas, que servia café e chá aos Reis. Era o empregado mais importante do castelo, pois Lua sabia que era o único em quem os Reis confiavam.
Enquanto caminhava para o escritório, Lua perguntava-se sobre o assunto da conversa. Será que os avós também a iriam repreender por ter fugido de casa na tarde anterior? Será que também lhe iam bater? Só de pensar nessa possibilidade, o seu coração começou a bater mais depressa. Paco, assim se chamava o empregado, seguia à sua frente, com as costas muito direitas e quase sem dobrar as pernas. Lua sabia que um dia teria de andar assim, toda esticada, quando fosse a Rainha da Floresta Dourada. E essa ideia desagradava-lhe. Nem mesmo sabia se queria ser Rainha. Mas ainda era muito nova para decidir. Uma coisa era certa: assim que aprendesse a ler e a escrever, iria ter aulas de etiqueta, onde aprenderia a comportar-se e a agir como uma princesa. O dia por que Lua mais ansiava era o dia em que seria apresentada no Baile da Floresta. Sabia que teria muitos anos para esperar, mas o contacto com o mundo exterior excitava-a. Será que apenas nesse dia voltaria a ver o avô? Só a ideia era horrível!
Pararam de repente: tinham chegado às portas do escritório. Eram umas portas enormes, de madeira dourada, com alto relevo desenhado. Tinham uns batentes enormes, em forma de folha de árvore. Foi Paco quem bateu e logo se ouviu a voz do Rei:
-Entrem. - o empregado desviou-se para que Lua entrasse e de seguida entrou ele, fechando a porta atrás de si.
Lua começou logo a olhar em volta, vendo tudo com muita atenção. Era uma sala com aspecto rústico e muito escura. Iluminada por velas e candelabros, era provavelmente a divisão mais escura de todo o castelo. Todas as paredes estavam tapadas por estantes de madeira, carregadas de livros e papeis. Lua nem queria saber o que para lá estava escrito. Podia apostar que na biblioteca do castelo haviam menos livros do que naquele escritório.
Os avós estavam sentados em cadeiras almofadadas e forradas a veludo preto, muito elegantes. Os seus braços eram dourados e adornados com folhas semelhantes às dos batentes das portas do escritório.
- Senta-te, minha linda. - pediu a avó, sempre com o seu sorriso bondoso e olhos brilhantes rodeados por rugas.
Lua sentou numa cadeira semelhante àquelas em que os avós estavam sentados, mas um pouco menos trabalhada e sem braços. Sentiu-se confortável, mas o seu coração batia acelerado. Teria feito asneira?
- Paco, podes esperar do lado de fora? - o empregado fez uma ligeira vénia e saiu, fechando a porta o mais silenciosamente possível.
Agora eram só eles: Lua e os avós. Entrelaçou as mãos sobre o colo, sentindo o sangue pulsar com toda a força, e tentando recordar-se do que fizera para merecer um castigo. Será que os avós estavam zangados por ela ter fugido de casa no dia anterior? No entanto, pela cara dos avós, Lua duvidava que fosse receber um castigo naquele momento. Ambos sorriam, um sorriso genuíno e então Lua começou a ficar confusa.
- Porque me chamaram aqui? - arriscou-se a perguntar. O avô desviou o monte de papeis que ocupava a secretária, e retirou com cuidado o tinteiro e a pena, que pousou na mesinha redonda ao seu lado, onde estava também uma grande jarra com limonada e alguns copos lavados.
- Minha querida... - começou a avó, debruçando-se sobre a secretária, para que Lua a pudesse ouvir melhor. - Reparamos que tens andado um pouco em baixo. Pareces triste, e então ontem partiste-nos o coração. Eu e o teu avô temos conversado sobre isso... - olhou rapidamente para o Rei, como que pedindo autorização para continuar. O avô acenou com a cabeça e a Rainha continuou. - Há alguma coisa que te está a magoar? Ou então, precisas de algo? Qualquer coisa, minha querida. O que quer que te faça mais feliz, tentaremos o impossível para te satisfazer. - ficaram à espera da resposta de Lua, ansiosos.
segunda-feira, 26 de maio de 2008
Coisas...
Susana (Mestre)
Renato
Ioana
Toninho
Bruna
Cris
Carla
Bela (eu)
Tibby
Nélia
Ana João
Sim, este ano somos onze, após um consenso de ambas as partes... queria apenas fazer um comentário a uma frase solta que ouvi no final da reúnião, vinda da actual 3ª matrícula:
"Tenho muita coisa entalada..."
Então e nós, não temos???
E agora sim, o tema que tinha em mente... desculpem aqueles que não gostam de ler... vou falar de literatura :D
Na verdade, vou apenas falar dos escritores e os livros de que mais gostei... quem sabe, sugestões para quem passa...
Bem, comecei a interessar-me pelos livros ainda nem andava na escola. Adorava ouvir a minha mãe ler-me os livros da Anita e depois, sozinha, passava os olhos pelas imagens e tentava associá-las à história.
E quando aprendi a ler, devorava os livros da Anita, apesar de já conhecer as histórias... Ainda guardo no meu quarto os livrinhos da Anita, alguns tão velhos como eu. Estão na estante, em muito bom estado, porque são recordações da minha infância.
Até ao 5º ano, eu era doida por todo o tipo de livros que se assemelhasse a banda desenhada e de preferencia que tivesse muitos bonecos!!! E, em Língua Portuguesa, a gente fazia a troca de livros, entre os alunos, e tinhamos 2 semanas para o ler. Eu levava sempre o mais colorido. E reparei que a minha amiga (Guida) levava sempre livros cheios de letras ("Uma aventura", "Bando dos 4") e eu perguntei-lhe se aquilo era interessante. Ela disse que sim... eu experimentei (e agora, quem apanha a conversa a meio fica muito baralhado :S) e pronto, nunca mais parei!!! Era "Uma aventura", "Bando dos 4", "Clube das chaves", "Os 5"... todos os livros que existiam na altura e que eram próprios para a minha idade. E andei a ler este tipo de livros até os meus 15 ou 16 anos... até um Natal em que pedi a toda a família livros... estranhamente, só recebi 3... os meus pais recusavam-se a oferecerem-me livros (um ultraje!!!) e eu nunca percebi porquê. Recebi o Harry Potter (o primeiro) e lembro-me de ter pensado: "Mas o que vem a ser isto?" Recebi "A história de uma alma", do Triangulo Jota e que devo ter lido em 2 dias... e um livro que a minha prima Sofia me ofereceu, chamado "A imagem no espelho", tinha uma capa nada chamativa, o título nada me dizia e a autora era uma completa desconhecida. Comecei a ler, mas à 2ª página fartei-me... passados meses tentei novamente... e nada... até que pensei: "Porra, se ela me ofereceu, é porque é bom!!!" E comecei, fiz um esforço para passar da segunda página... e acho que até hoje é o meu livro favorito. A escritora é, claro, o meu "ídolo" da literatura, aquela que me dá vontade de ler e ler, e escrever, aquela que me faz rir, chorar, imaginar, sonhar... ela é a minha magnífica Danielle Steel! Não sei quantos livros dela eu já li. Posso nomear os que mais me marcaram: "A imagem no espelho", uma história de irmãs gémeas, que a dada altura trocam as suas vidas, uma pela outra. Foi o primeiro livro a fazer-me chorar. "Tempo para amar", uma história linda, sobre uma rapariga cujo marido se tenta suicidar e acaba numa cadeira de rodas e com uma mentalidade de 7 anos. Kate está grávida e a parte alta do livro é quando o filho, já com 7 anos, decide conhecer o pai... imaginem uma criança de 7 anos com um pai que não tem mais mentalidade que ele... super emocionante. "Dádiva", a história de uma rapariga que engravida e é obrigada pelos pais a dar a criança... "Um longo caminho para casa", a história de uma menina que sofre de maus tratos por parte da mãe... E mais uns quantos: "A honra do silêncio", "A casa da rua da esperança", "Joias", "Álbum de família", "A força de um amor"... e depois há aquele que é um tesouro, para mim foi mesmo potente: "Nick", a história de um dos seus filhos, que morreu com 19 anos (se não estou em erro), e que tinha uma grave doença (cujo nome não decorei, mas sei que o miúdo nasceu um génio - antes de fazer um ano, ele EXIGIU à mãe que na festa de aniversário houvessem palhaços e música disco!!! - e que ao longo dos anos foi entrando em sucessivas depressões e acabou por se suicidar). Eu adorei o livro, em primeiro lugar porque é o testemunho real de uma mãe que perdeu um filho, só por si já é um grande acto de coragem; e depois porque a Danielle é "obrigada" a falar sobre si, sobre os seus amores, os seus casamentos, os seus filhos, a sua vida...e eu fiquei a conhecer bem melhor a minha escritora de eleição. (Na imagem, Danielle Steel)

Há outros grandes autores que admiro: a que escreveu a saga de Harry Potter, há muita gente que não consegue gostar dos livros, mas além da história estranha e tal, existe uma potencialidade enorme de escrita; o grande senhor Paulo Coelho, com os seus livros espirituais, sempre com a lição de moral para nos dar. Esse senhor da literatura também sabe o que faz e sem dúvida conhece bem as palavras.
Estes são os 3 escritores que eu leio com mais frequência. Fora isso, vou lendo. Outros livros de que gostei... bem, só li um livro de José Saramago, e apesar daquela "não" pontuação, eu amei o livro. E por acaso, o filme foi apresentado no festival de Cannes. Chama-se "Ensaio sobre a cegueira" e é muito fixe, mesmo. Mais recentemente, li um livro que me deixou chocada: "Queimada viva". Fiquei chocada com essa história do "crime de honra"... é horrível. Mas sem dúvida que é daqueles livros que me ficam na memória, porque eu li o livro num fim-de-semana, não conseguia parar. Por falar em não conseguir parar... claro que também adorei os livros de Dan Brow, todos eles. Dos quatro, o "menos" interessante é "O código Da Vinci" e eu adorei o livro. Portanto, imaginem como fiquei com os outros.
Ah, outro livro muito interessante é "O retrato de Dorian Grey" de Oscar Wilde. Um livro estranhíssimo, mas interessante, de qualquer forma...
E agora, o pior... claro que há livros que detestei: "A aparição"!!! Até hoje não percebi o sentido do livro. Eu tentei, mas não consegui gostar. "Os Maias"... também não consegui ler, mas é um objectivo de vida, ler "Os Maias"... e depois há aquela "escritora" que eu não suporto e que tem tanta fama: Margarida Rebelo Pinto. Que me perdoem os fãs, mas eu nem consigo chamá-la escritora, pois eu pura e simplesmente não consigo ler um livro dela. Odeio a forma como escreve, as palavras que usa.... não consigo.
Espero que aproveitem as minhas sugestões... e para quem não gosta de ler, nunca é tarde para começar... como diria a minha prima Diana: "Estou a aprender a gostar de ler."
BJ... e obrigada a quem visita o meu blog :)
quarta-feira, 21 de maio de 2008
Rectificação...
Bjs
Um fim-de-semana no paraíso...
Berlengas... e aquele que foi sem dúvida o fim-de-semana mais especial da minha vida. Cheio de novas experiências, desde a viagem de barco ao facto de passar dois dias sem água doce para lavar a cara ou os dentes. Sem falar, claro está, no facto de a ilha ter mais de 20000 gaivotas.
Sem dúvida, para repetir...
Dedicado ao pessoal de BG...
Um fim-de-semana na floresta maldita...
Bem, pessoal, após algumas complicações, aqui está o vídeo que fiz sobre a saída de campo à Lousã... Espero que se divirtam!!!
segunda-feira, 12 de maio de 2008
Um orgulho, um sonho!!!


"Foi um povo sonhador
Com garra e determinado
Que fez nascer um país
Desta terra começar
E o mesmo povo com esperança
Alguns séculos após
Fez nascer o nosso clube
Orgulho de todos nós
Vitória, Vitória,
Vamos todos festejar
Toda alma e toda a glória
Deste clube a triunfar
Vitória, Vitória,
De Guimarães afinal
O berço do meu clube
E também de Portugal
Das bancadas do estádio
Cantemos com vivacidade
Encorajando os atletas
Do clube desta cidade
Sonhemos a preto e branco
Com alma já da vitória
Hasteemos a bandeira
O símbolo da nossa história"
José Alberto Reis, Hino ao Vitória
Nasci em Guimarães, o chamado berço da nação. Desde cedo me juntei aos muitos adeptos e simpatizantes do clube da cidade, embora do "lado de fora do estádio". Há quem nos chame bairristas. Sim, somos, amamos o que é nosso, temos orgulho no que é nosso, não nos abandonamos nunca. Somos uma terra pequena e com um grande coração. Somos um povo unido.
O nosso lema é "Vitória até morrer".
E assim é. Há dois anos, a cidade tremeu, com a descida de divisão do Vitória. Raiva, revolta, tristeza e lágrimas... mas não acenamos com lenços brancos. Mais do que nunca o Vitória precisava de todo o apoio. E na época2006/2007, batemos records, enchemos o estádio e quando já pensávamos que a subida estava fora do alcance, eis que surge o grande senhor Manuel Cajuda, que "joga" com amor à camisola e com esforço e dedicação, ergueu o clube novamente à liga principal. De todos nós, a ele um muito obrigado.
Mas a sua jornada não terminou aqui. Com a mesma garra e a mesma dedicação, treinador e jogadores ofereceram-nos ontem o melhor presente da história do Vitória de Guimarães: além do tão desejado lugar no pódium, conseguiram o feito histórico de nos levar à pré-iliminatória da Liga dos Campeões. Um lugar que só por si já é uma honra, independentemente de conseguirmos ou não alguns resultados. Isso é só na próxima época e neste momente temos é de festejar o 3º lugar do nosso clube do coração.
VITÓRIA SEMPRE!!!
quarta-feira, 30 de abril de 2008
2ª Parte do 5º Capítulo "Um dia no castelo"

- Dormiste bem, Lua? - perguntou a avó. - Como caíste ontem, podes ter ficado magoada... chegaste alguma coisa para as dores? - a avó não mudara muito desde a primeira vez que Safira a vira, no Baile da Floresta. Tinha mais rugas, os cabelo estava agora entre o castanho e o grisalho, mas a sua postura, o seu sorriso, a sua bondade, tudo continuava igual. Continuava a usar os longos vestidos de roda, mesmo no dia-a-dia. Nesse dia usava um vestido vermelho de seda, enfeitado com rendas. Lua achava ridículo que a avó se vestisse daquela forma. Passava todo o dia no castelo, no escritório com o avô, falando sobre “negócios”, como Lua lhe chamava. Sabia que tratavam de assuntos sobre o povo, qualquer coisa sobre direitos e deveres. Portanto, até um pijama servia para passar um dia inteiro fechado entre quatro paredes. Só de tempos a tempos, os avós saíam, para uma viagem, fosse de negócios, fosse de férias. Lua nunca fora com eles, mas também nunca a haviam convidado. Como Lua ficaria contente se o pai a levasse numa viagem de barco! Como ela gostaria de conhecer o mar. Mas isso nunca aconteceria. O pai não gostava dela, por isso não queria passear com ela.
- Não foi preciso chegar nada, avó, eu fiquei bem. - respondeu, ainda antes de se sentar entre a Rainha e o pai.
- A criada disse que dormiste com a roupa vestida... - comentou o avô. - Que se passou?
Lua olhou rapidamente para o pai, mas este não prestava atenção à conversa, parecia distraído com alguma coisa.
- Estava muito cansada... - e baixou a cabeça, pois sentia-se a corar. Sentia vergonha por se ter deixado adormecer daquela maneira. Agora tinha de responder a perguntas embaraçosas.
- Se não fugisses de casa, não te sentirias tão cansada. - Lua deu um salto na cadeira, pois não esperava ouvir a voz do pai
- Deixa a menina, Rafael! Ela já percebeu que errou, não precisas estar sempre a lembrar. - foi o Rei que entrou em defesa de Lua. O Rei também não estava muito diferente desde há vinte e seis anos, pela altura em que Rafael conhecera Safira. Apenas mais velho, todo o cabelo branco, mas as feições ainda eram as mesmas. Lua sabia que os avós eram mais velhos que o que aparentavam, pois já não tinham grande agilidade, quase precisavam de ajuda para subir a escadaria principal que levava ao segundo andar.
O pequeno-almoço era sempre uma grande refeição, com bolos, leite, sumos, pão e os mais variados acompanhamentos. Sobrava sempre demasiada comida, e a maioria nem era aproveitada para a manhã seguinte. Lua contentava-se com um copo de leite quente com chocolate e um pouco de pão a acompanhar, pois fazia lembrar as tardes passadas em casa do avô. Nesse momento perguntou-se se não voltaria a ver o lenhador e sentiu vontade de chorar. Custava-lhe crer que o pai falasse a sério quando dizia que matava o avô. Mas o pai era tão frio e cruel, que já nem sabia o que pensar. Resolveu investir nos seus interesses e, com a maior naturalidade, rezando para que os avós fossem a seu favor, perguntou ao pai:
- Pai... quando posso ir visitar o avô? - mexeu o leite com a colher, para não ter de olhar o pai.
Rafael parou o que estava a fazer e entrelaçou os dedos das mãos em cima da mesa.
- Falamos sobre isso ontem. - e nada mais disse. Os Reis olharam do pai para a filha, sem perceberem muito bem o que se passava, mas também não quiseram interferir.
O coração de Lua começou a bater demasiado depressa. O pai falara mesmo a sério, agora tinha a certeza disso. Mas ela queria tanto estar com o avô! Não conseguiu comer mais nada e os avós começaram logo a fazer comentários, que a menina andava a comer mal, que estava muito magrinha e pálida. Assim que pôde, Lua pediu licença e levantou-se da mesa, quase com lágrimas nos olhos. O Rei e a Rainha perceberam que algo se estava a passar com Lua. A menina costumava ser muito calada, mas agora estava triste, para além de pouco faladora. Só o pai parecia não se importar com os sentimentos da menina.
Lua subiu para o seu quarto, onde costumava brincar durante alguns minutos, antes de um professor a chamar para as aulas de escrita e leitura. Nesse dia não brincou, limitou-se a sentar-se na cama e olhar o retrato da mãe. Nunca visitara o local onde a mãe estava sepultada, pois o pai nunca lhe dissera onde ficava e o avô dizia que ainda era muito nova para visitar um lugar desses. Apenas sabia que a mãe estava numa capela no meio da Floresta, no mesmo sítio que a avó.
Mesmo que quisesse brincar nessa manhã, Lua não teria tido oportunidade, pois alguns minutos após ter subido, alguém bateu à porta do seu quarto.
terça-feira, 22 de abril de 2008
Vânia Fernandes - Senhora do Mar
Aqui está a música que nos vai representar no próximo festival da Eurovisão. Pessoalmente, gosto bastante da música, principalmente se tivermos em comparação a música do ano passado ("Dança comigo" Sabrina). A ver se é desta...
1ª Parte do 5º Capítulo "Um dia no castelo"

Lua esteve no banho uns bons três quarto de hora, até que se sentiu desconfortável com tanta água e saiu, enrolada no roupão, com o cabelo a pingar em todo o lado. Quando chegou ao quarto, a criada logo a repreendeu:
- A menina tem uma toalha no cabide para secar o cabelo! Já viu os estragos que está a fazer? - apressou-se a arranjar um pano para limpar as grossas gotas de água com cheiro a rosas.
- Isso é água. Há-de secar! - respondeu Lua secamente. Aproveitou o facto da empregada estar debruçada no chão, a secar as gotas com um pano, para se limpar a uma outra toalha que estava em cima da cama. Num instante vestiu a roupa que a criada lhe escolhera e ficou desagradada. Insistiam em vestir-lhe saias e vestidos, e ela preferia calças. Mas lá vestiu a saia e quando a mulher se levantou, já Lua estava vestida e com o cabelo escorrido.
- Assim está melhor. - era uma empregada bem bonita e elegante e Lua muitas vezes se perguntava por que razão uma moça tão bonita se fechara naquele castelo. As regras do castelo ditavam que todos os criados e criadas vivessem lá a tempo inteiro. Só podiam sair para fazer recados. Assim evitavam-se atrasos e traições. E por isso mesmo, a maioria dos empregados eram já de avançada idade, pessoas que queriam ocupar o seu tempo com alguma coisa. E Lua não entendia como alguém tão novo pudesse aguentar viver ali todas as horas do seu dia. Mas também nunca quis perguntar.
- Agora faça o favor de se calçar, menina. A sua família espera por si no pequeno-almoço.
Lua preferia tomar o pequeno-almoço na cama, o que acontecia quando estava doente. Mas as regras do castelo ditavam que todos se juntassem pela manhã para partilhar a primeira refeição do dia.
Depois de se calçar, escovar o cabelo e chegar creme hidratante, desceu, muito silenciosamente, e pouco depois entrava na sala de pequeno-almoço, uma sala mais pequena que a do almoço e jantar. Os avós deram-lhe os bons-dias, bem dispostos, mas o pai limitou-se a acenar com a mão, quase sem olhar para a filha.
Campeões!!!
quinta-feira, 17 de abril de 2008
4ª (e última) Parte do 4º Capítulo "Lua"

Lua ainda ficou no escritório bastante tempo, chorando em silêncio e completamente desorientada, sempre com a mesma frase a martelar-lhe nos ouvidos: “Se voltas a encontrar-te com esse homem... ele morre.” O que poderia fazer agora? Se deixava de ver o avô, a sua vida seria um inferno, sempre fechada no castelo, sendo obrigada a obedecer às regras do castelo, passando dias inteiros a ouvir o professor sobre assuntos em nada interessantes. Mas se voltasse a desaparecer para visitar o avô, ele corria risco de vida. Seria mesmo o pai capaz de matar o avô?
- Claro que sim, ele bateu-me! - murmurou. Levantou-se, atirou o cabelo para trás e lavou a cara na pia à porta do escritório. Pela primeira vez entendia a utilidade daquele objecto num local tão estranho. Os seus olhos verdes pareciam agora vermelhos, mas nada podia fazer para disfarçar. Sabia que estava na hora do jantar e que o pai e os avós esperavam por si. E não queria atrasar-se, não fosse o pai bater-lhe novamente. Dirigiu-se para a sala de jantar com alguma relutância e de facto já os avós e o pai a esperavam.
- Não tornes a chegar atrasada para o jantar. - advertiu o pai.
- Está bem. - respondeu, sem querer olhar os avós de frentes, que já se haviam apercebido de que algo estava errado.
- Porque fugiste novamente, Lua? - perguntou a avó, enquanto a menina se sentava.
- Eu não fugi. Eu fui dar um passeio. - respondeu, com a voz fraca.
- Mas devias ter avisado, querida. - argumentou o avô, sempre com o seu sorriso bondoso. - Assim ninguém ficava preocupado. Prometes que avisas da próxima vez?
- Sim...
A avó olhou para o filho, que estava aparentemente distraído com um naco de pão. Depois voltou a olhar para a neta.
- Estiveste a chorar, Lua? Tens a cara inchada...
- Caí...
Os Reis inquietaram-se de imediato.
- Mas estás bem, partiste alguma coisa, fizeste algum arranhão? - a avó preparava-se para chamar uma empregada que pudesse examinar a neta, mas esta recusou-se de imediato.
- Está tudo bem, foi só um susto. - recusava-se a olhar na direcção do pai, sabendo que também ele evitava olhar a filha.
Lua e Rafael jantaram em silêncio. Os avós de vez em quando surgiam com um novo tema que não durava mais que dois minutos. A tensão no ar era grande e Lua só queria desaparecer dali. Queria ir para o seu quarto e verter as lágrimas ainda retidas. Comeu tudo o que lhe colocaram no prato, sem reclamar, e assim que terminou pediu licença e subiu para o quarto. Atirou com a bolsa para cima da cama, assim que entrou, e sentou-se pesadamente, já com lágrimas nos olhos.
O seu quarto transmitia uma certa calma. As paredes estavam pintadas de azul celeste, a cama era alta e larga, com uma colcha branca, sempre imaculadamente limpa, havia estantes em todas as paredes, onde repousavam brinquedos, livros, rochas que Lua apanhava nos seus passeios, flores... ao fundo da cama havia uma arca que quando fechada servia como banco. O chão era de madeira e o quarto tinha uma varanda, com vista para o jardim, onde Lua muitas vezes passava o seu tempo, olhando as flores e as aves. Mas a parte favorita de Lua era o tecto: pintado de azul muito escuro, como a noite, e bem no centro, uma lua redonda e brilhantes, com montes de estrelas a rodeá-la. Lua adorava adormecer sob aquele manto de tranquilidade.
Deixou-se ficar sentada na cama durante muito tempo, a pensar no que acontecera. Sabia que o pai nunca fora carinhoso com ela, nem tão pouco atencioso. Mas nunca imaginou que Rafael lhe pudesse bater. E ela nem tinha feito algo tão grave que merecesse aquela reprimenda. O que diria a sua mãe de tudo aquilo? E porque razão o pai a proibia agora de ver o avô, a única pessoa que a fazia feliz? Sentiu-se tão triste, tão desorientada, perguntando-se se todas as crianças da sua idade passavam pelos mesmos problemas. Mas não podia saber, pois não conhecia nenhuma. Não tinha contacto com qualquer pessoa do exterior. Apenas com o avô... agora nem isso.
Era já muito tarde quando ouviu o pai passar pelo quarto dela para se ir deitar. À semelhança de todas as outras noites, Rafael não entrou no quarto da filha para saber se esta precisava de alguma coisa. E Lua ficou ainda mais triste desta vez, pois tinha ainda esperança que o pai se arrependesse. Mas não parecia ter sido o caso. E chorou ainda mais. Deitou-se na cama, com o cabelo colado à cara e com as mãos procurou o seu peluche preferido, um urso castanho, com quem dormia todas as noites. Fora o lenhador quem lho oferecera. Mas as suas mãos acabaram por encontrar a bolsa em primeiro lugar e só então se lembrou do presente do avô. Retirou-o com cuidado, caso fosse um objecto frágil. Não se deu ao trabalho de apalpar o embrulho para tentar descobrir o que era. Rasgou o papel grosso que envolvia o presente e depois ficou a olhar, incrédula. O avô oferecera-lhe uma fotografia da mãe. Mas não era uma fotografia igual à que o pai tinha no quarto... ali a mãe devia ter a sua idade, não mais que seis ou sete anos. E Lua ficou fascinada com a semelhança entre as duas. Aparte a cor do cabelo, diria-se que eram a mesma pessoa. A mãe usava um vestido de alças, dourado, que lhe batia no joelho. Apresentava um grande sorriso e uma flor na mão. O avô tinha razão: eram de facto parecidas e não só nas atitudes.
Lua ficou muito mais bem disposta, quase esquecendo o incidente do início da noite. Levantou-se num pulo, agarrou no banco que também era uma arca, subiu e colocou numa estante alta, em frente da sua cama. Mas logo depois voltou a tirar de lá a moldura, achando que assim ficava demasiado longe do seu alcance e então colocou-a na mesinha ao lado da cama. Ficou durante algum tempo a olhar para a foto da mãe e finalmente adormeceu, vestida com a mesma roupa com que saíra. Só muito tarde, quando já todos no castelo dormiam, uma das empregadas foi ver se a menina precisava de alguma coisa. Encontrou-a vestida, por cima da cama feita e agarrada ao peluche. Sem a querer acordar, abriu um dos armários silenciosamente e tirou um grosso cobertor, com que cobriu Lua. Depois retirou-se, deixando a pequena princesa a dormir profundamente.
terça-feira, 15 de abril de 2008
Palavras sinceras...
quinta-feira, 10 de abril de 2008
quarta-feira, 9 de abril de 2008
Palavras que ilucidam os dias de hoje... e o que vai na alma de cada um...

Há perguntas que têm que ser feitas...
terça-feira, 8 de abril de 2008
segunda-feira, 7 de abril de 2008
Balanço dos 3 primeiros meses de 2008...
A Piro ficou doente e foi-se... incha, desincha e passa, né? Agora tenho um hamster novo, amarelo e de olhos vermelhos, que faz mais barulho durante a noite que uma rebarbadora durante o dia! :P Mas é fofinho, o bicho.
Eu e o Renato fizemos um ano de namoro e nada melhor (ou pior) que comemorar jantando num japonês. Tive mesmo de trocar de prato com o Renato, porque depois daquelas coisas redondas com atum eu só queria mesmo fugir dali!!!
E depois há o fantasma que anda a gastar a minha internet em Guimarães. É do género: a net desligada e no dia seguinte vai-se ver e há tráfego utilizado. Giro, não?
E a família vai aumentar: a minha madrinha vai ter um bebé!!! WEEEEEEEEE!!!!! (enquanto não posso ter os meus, há que me contentar com os dos outros).
Lá se foram as primeiras saídas de campo, fiquei enterrada até aos joelhos e não caí!
Bem, nunca pior, posso dizer que a vida nem me corre muito mal :P
BJS pra todos!!!
3ª Parte do 4º Capítulo "Lua"

Quando entrou pelo portão das traseiras sentia-se cansada, mas feliz por nada lhe ter acontecido. Tinha as faces coradas e o cabelo revolteado. Entrou pela porta por onde saíra e logo encontrou uma cozinheira que por ali passava. Parecia que procurava algo.
- Menina! Sabe que toda a gente do castelo anda à sua procura? - era uma mulher gorda e corada, uma cozinheira à séria. Usava um grande avental e uma chapéu ridículo. Lua olhou-a de canto e não fez caso, percorrendo o corredor que conduzia o pequeno cubículo até à cozinha, e a da cozinha para a sala de jantar. Ao passar pela cozinha, dúzias de empregados gritaram: “Está aqui!” Mas Lua continuou, sempre de cabeça erguida, ignorando os lamentos de preocupação e as suaves reprimendas. Quando entrou na sala de jantar, a mesa estava posta e Lua sentou-se numa cadeira. A sala estava vazia, mas sabia que não tardaria a chegar alguém, pois era quase hora do jantar. Tirou o manto e acomodou-o nas costas da cadeira. Pousou a bolsa no seu colo e atirou os cabelos negros para trás. Sabia que a boa educação a mandava ir lavar as mãos e esperar pelo pai e avós antes de se sentar. Mas Lua achava as regras do castelo uma fachada e fazia de tudo pra as infringir. Viu a cozinheira gorda sair da cozinha e correu por outro corredor, provavelmente para avisar os reis de que a menina havia reaparecido. E foi com ar sereno e frio que Lua viu o pai chegar à sala de jantar. Estava visivelmente furioso e mais uma vez Lua teve medo. Medo e apreensão... os únicos sentimentos que nutria pelo pai. O pai nunca fora capaz de demonstrar afecto por ela, nunca haviam conversado sobre fosse o que fosse, nunca passearam juntos. Lua achava que já falara mais com qualquer um dos empregados do castelo do que com o pai. Apesar de não dar confiança a ninguém. Rafael nunca lhe dirigira mais que simples frases, frias e directas, como: “Vai lavar as mãos para jantar.” ou “Vai dormir.” Até aos quatro anos, Lua tentara conquistar o coração do pai. Aparecia diversas vezes a meio da noite no quarto do Príncipe, pois sentia-se sozinha. Mas o pai estava sempre a dormir, ou assim parecia. Lua repetiu o ritual várias vezes, até ao dia em que encontrou o pai olhando a fotografia da mãe, com lágrimas nos olhos. Ele não a tinha ainda visto e ela aproximou-se mais um pouco. Quando Rafael viu Lua tão perto de si, começou a gritar com ela, mandando-a embora, empurrando-a para fora do quarto e fechando-lhe a porta. Foi nesse momento que Lua percebeu que o pai a culpava pela morte da mãe. E sentiu-se revoltada pois o que mais queria naquele mundo era ter a sua mãe por perto. Foi nessa altura que ela deu o salto; cresceu demasiado depressa para uma criança da sua idade.
- Lua, quero-te imediatamente no meu escritório. - rugiu Rafael, com uma expressão ameaçadora. Voltou costas à mesa, sem deixar a filha argumentar. Lua voltou a pôr a sua bolsa a tiracolo e arrastou os pés, atrás do pai. Passou pela empregada gorda, que a olhava com pena, mas Lua ignorou. Tinha o coração a bater desordenadamente, mas tentou parecer calma. Baixou a cabeça e o cabelo cobriu-lhe a cara, que continuava rosada.
O pai entrou no seu escritório, por uma das inúmeras portas daquele castelo. Mesmo Lua achava que ainda não conhecia todas as divisões. Entrou logo atrás do pai e fechou a porta. O pai sentou-se na cadeira forrada a veludo vermelho, por detrás de uma secretária bem antiga, de pinho escuro e com finos traços esculpidos. Fez sinal a Lua para que se sentasse também. A menina sentou-se então numa cadeira semelhante à do pai e de frente para ele. Rafael entrelaçou os dedos, debruçou-se sobre a secretária, de modo a ficar mais perto da filha, e perguntou, sempre com a mesma expressão fria.
- Onde estiveste a tarde toda?
Lua já esperava por aquela pergunta.
- Fui dar um passeio. - também os seus olhos eram frios.
Rafael suspirou com impaciência.
- Um passeio por onde? Tens consciência de que toda a gente do castelo andou à tua procura? Até no jardim procuraram por ti! Tu pensas que não temos mais que fazer do que andar a brincar às escondidas com uma criança inútil. - o seu tom de voz subira gradualmente, até se transformar numa série de gritos que faziam vibrar os tímpanos de Lua.
- Fui dar um passeio. - repetiu, tentando não demonstrar a tremura na voz.
Rafael levantou-se irritado e começou a andar de um lado para o outro, sempre na mesma direcção. Quando parou, voltou a fixar Lua, cada vez mais irritado. Lua imaginou que o pai deitava fumo pelas narinas.
- É a última vez que te pergunto, Lua! Onde estiveste esta tarde?
Lua não respondeu e fingiu que prestava atenção aos livros que se encontravam na estante atrás da secretária. Todos eles lhe pareciam iguais, mas sabia que as letras eram diferentes. Ainda não aprendera a ler, apesar de o pai já ter contratado um professor para a ensinar.
- Estiveste com o velhote, não estiveste? - aproximou-se tanto de Lua, que esta ficou com dores no pescoço de olhar tão para cima. - Foste a casa desse pobre lenhador outra vez, não foste? - assim tão próximo, Lua viu que o pai poderia ter sido um homem bonito em tempos. Por detrás de todas aquelas rugar, daquele olhar frio e daquele cabelo grisalho, Rafael teria com certeza sido um sucesso entre as mulheres.
Como Lua não respondia, Rafael soltou uma espécie de rugido animalesco e fez algo que nunca pensara fazer: bater na sua filha indefesa.
Lua levou a mão à cara, com as lágrimas nos olhos e olhando com tanta raiva o pai, que se o sentimento agisse a destruição seria total.
Rafael virou as costas à filha e o silêncio fez-se sentir durante longos minutos. Lua só queria sair daquela sala, mas não fugiu, para não parecer cobarde. Segurava bem a sua bolsa entre as mãos. Como se aquele presente do avô lhe pudesse dar alguma força. Limpou as lágrimas com as costas da mão e ergueu a cabeça, preparada para o que se seguisse.
Mas depressa descobriu que não estava preparada para ouvir o que ouviu.
- Se voltas a encontrar-te com esse homem... - Rafael continuava de costas, como de falasse com uma parede. - Ele morre. - e num ápice saiu do escritório, deixando Lua incrédula sentada na cadeira. Lua tinha a certeza de que se estivesse de pé, os seus joelhos teriam cedido. Não conseguiu controlar a torrente de lágrimas que assaltava os seus olhos e sentiu a sua cabeça muito pesada... como os adultos, quando sentem o peso das responsabilidades.
domingo, 6 de abril de 2008
Sobre o livro "Lua" e 2ª Parte do 4º Capítulo "Lua"
Agradeço os comentários da Joana, que sei que acompanha com entusiasmo a evolução da história.
O que eu queria mesmo dizer, é que os excertos que vou publicando aqui não estão revistos. Portanto, não estranho se houver erros, ou gaffes temporais ou de qualquer outro género. É apenas para terem uma ideia, porque eu vou corrigindo à parte.
E aproveitanto o título do post... não sei bem como me surgiu a ideia de escrever Lua. Tinha acabado o livro "Borboleta" (que eu prometo um dia mostrar, mas que por enquanto precisa de muita "atenção") e o nome Lua surgiu-me de uma música (não faço ideia de quem canta, nem me lembro da letra) que acho que se chamava "Feiticeira Lua". Gostei tanto que resolvi criar uma história a partir daí. Este livro está a ser escrito de forma diferente dos outros dois (sim, há um outro, que se chama "Saber sonhar", mas que está na gaveta, que é onde está bem. Talvez quando me faltarem ideias eu me dedique àquilo). Em vez de ter uma história programanda, ela vai saindo à medida que escreve. Portanto, eu não faço a minima ideia de como acaba e nem imagino o que vai acontecer pelo meio. às vezes dá-me uma inspiração e lá escrevo qualquer coisa interessante. Apenas sei que o livro é de fantasia, mas ainda não sei que tipo de fantasia vou meter. Talvez algo reacionado com magia, mas nada de varinhas. Qaulquer coisa mais subtil e elegante. :P
E pronto, cá está mais um pouquito.
- Lua! - e abraçou-a, da maneira que Lua adorava. - Entra, está muito frio aí fora.
Entraram na pequena casa, aquecida pelo fogo que ardia na lareira. Lua sentou-se na cama do avô, depois de tirar o manto. A casa tinha apenas uma divisão. A cama do lado direito, bem perto da lareira, para nas noites de Inverno usufruir do calorzinho que dela provinha. Era uma cama pequenina e Lua ainda não percebia como a sua mãe podia também lá morar. Talvez houvesse outra cama na altura.
No centro havia uma mesa redonda, com três cadeiras à volta. Em cima tinha uma jarra com flores frescas.
Do lado esquerdo era a cozinha, que se resumia a um pequeno armário com algumas peças de loiça, e uma bacia, sempre cheia de água. As refeições eram preparadas à lareira e Lua dizia que os cozinhados do avô eram melhores que os do castelo.
- Têm mais sabor. - afirmava ela.
A um canto havia uma minúscula casa-de-banho, onde mal cabia uma pessoa. Lua tentava imaginar como anos antes podiam ali ter vivido três pessoas.
Era uma casa muito pobre e pequena, mas Lua adorava-a, não tinha o aspecto frio e austero do castelo. Tinha antes um ar acolhedor e simpático, e apenas ali se sentia totalmente feliz.
- Então diz-me lá... - começou o avô, enquanto preparava um copo de chocolate quente, que a neta tanto adorava. - O teu pai sabe que estás aqui?
Lua olhou-o com os olhinhos brilhantes e com um sorriso travesso.
- Não... ninguém sabe.
- Como sempre... mas tu não aprendes? Qualquer dia acontece-te alguma coisa pelo caminho e ninguém sabe onde estás! - sentou-se também na cama, ao lado de Lua.
- Não se preocupe. Eu tenho cuidado. Eu sou responsável, sabe?
O velho lenhador sorriu, orgulhoso da sua neta. Achava incrível que com aquela idade, Lua tivesse já uma inteligência bastante avançada.
- Sim, eu sei que já és uma mulher grande. Mas deves sempre avisar quando sais de casa. Deves dizer onde vais e a que horas voltas. O teu pai pode ficar preocupado desnecessariamente.
- Não fica... - ficou alguns segundos a pensar e depois abriu muitos os olhos e agarrou o braço do avô com entusiasmo. - Avô, conte-me uma história!
- Que queres que te conte? - entregava agora a chávena de chocolate quente à neta, que o bebeu deliciada, ficando até com os cantos da boca sujos.
- Não sei. Fale-me da minha mãe.
- Outra vez? Pronto, está bem! - pegou num fino ramo de árvore, pousado ao lado da cama, e remexeu as brasas que se formavam na lareira. Depois olhou a neta e sorriu, com saudade. - A tua mãe era muito parecida contigo. Também desaparecia de casa sem avisar e voltava a horas tardias. Quando aqui chegava trazia sempre nas mãos as mais lindas flores. Flores que eu próprio jamais vira. E com elas fazia colares que usava ao pescoço. - fez uma pausa, fazendo um esforço visível para não chorar. Já não se sentia à vontade para olhar Lua, então olhava o fogo que ardia. - Mais que flores, ela adorava animais. Qualquer bicho para ela era um sonho. Adorava poder pegá-los, acarinhá-los e cuidar deles quando estavam feridos. Era mesmo muito carinhosa... - Lua viu uma lágrima nascer ao canto do olho do avô, mas fingiu não a ver. Não sabia como reagir perante uma pessoa que chorava, então ignorava esse facto.
- E ela também trazia os animais para casa? - perguntou, curiosa e adorando o facto de poder saber um pouco mais sobre a sua mãe.
O avô abanou ligeiramente com a cabeça e quando ia recomeçar a falar, engasgou-se e não conseguiu impedir um violento ataque de tosse. Durante alguns minutos tossiu, ficando com as faces muito ruborizadas. Lua começou a ficar aflita, com medo por ver o avô tão fragilizado.
- Está tudo bem, avô? - só ao fim de uns segundos, o velho lenhador conseguiu recuperar e responder.
- Sim, não te preocupes, minha querida. Sabes que já não sou novo e este frio dá cabo de mim. - foi buscar um copo de água, que bebeu de uma só vez.
- O avô devia ir viver connosco no castelo. Temos lá tantos quartos vazios. - estava realmente preocupada. O avô era a pessoa de quem mais gostava. Também tinha um carinho especial pelos avós paternos, mas era o velho lenhador quem tinha sempre histórias bonitas para contar e acima de tudo falava-lhe da sua mãe. Mais ninguém podia contar história da sua mãe: os avós paternos pouco ou nada sabiam e o pai mal lhe dirigia a palavra. Por vezes, no seu íntimo, Lua achava que o pai a culpava pela morte da mãe. E era isso que a fazia odiar tanto a vida no castelo.
- Tu ainda és muito nova para compreender. - sorriu – Eu nasci e cresci nesta casinha. Aqui vivi e fui feliz com a tua avó e com a tua mãe. Eu pertenço a esta casa, quero morrer aqui.
Mas no fundo, Lua compreendia o que o avô queria dizer. Ela própria se sentia mais aconchegada na casa do avô do que no castelo. Também sentia que pertencia ali.
- Mas se o avô fosse viver para o castelo, eu poderia cuidar de si... e podíamos brincar juntos, e passear no jardim... - e um enorme sorriso resplandeceu na face da pequena, que era uma verdadeira sonhadora.
- Aceito o convite, minha Lua, e prometo que vou pensar no assunto. - sorriu e depois olhou pela janela. - Está a anoitecer, tens de ir para casa. O teu pai deve estar muito preocupado e eu também ficarei. Está tão escuro que receio que algo te aconteça pelo caminho.
Lua olhou também pelos vidros baços e, com tristeza, levantou-se para partir e colocou o manto aos ombros.
- Não se preocupe, avô, eu sei cuidar de mim e prometo chegar antes do pôr-do-sol a casa. Sabia que eu corro tão depressa como uma lebre?
O avô soltou uma gargalhada sonora e abraçou a neta, orgulhoso da maravilhosa neta que herdara.
- Posso oferecer-te um presente, meu pequeno tesouro? - e vendo que o olhar de Lua se iluminava, procurou qualquer coisa debaixo da cama. Foi com dificuldade que se baixou e depois se levantou, mas conseguiu agarrar o objecto que queria. Estendeu-o a Lua, que o pegou com curiosidade.
- O que é, avô? - estava embrulhado em cartão amarelecido. Voltou-o várias vezes e apalpou-o, sem perceber o que tinha entre mãos.
- Abre-o quando chegares a casa. Agora, põe-te a caminho, não te demores mais. - Lua guardou o embrulho na sua bolsa e deu um beijo no avô. Depois correu pelo caminho de volta a casa, sem parar momento algum, cumprindo a promessa de chegar antes do pôr-do-sol.


