segunda-feira, 9 de junho de 2008

4ª Parte do 5º Capítulo "Um dia no castelo"

Bem, só uma coisinha...como esta parte ainda não está revista e corrigida, e como tudo isto não foi escrito no mesmo dia (só se eu fosse a Super-Mulher!!!), pode haver discrepâncias... Se não estou em erro, já no excerto anterior aparece a personagem Rossana. Acho que ela não foi bem apresentada...a Rossana é a empregada que cuida de Lua (aquela que a vai acordar e tal...). Pronto, boa leitura...

A menina baixou o olhar, com uma enorme vontade de chorar. Claro que algo a andava a magoar, mas não podia contar aos avós! Apesar de tudo, era ela quem sentia vergonha e não queria fazer queixa do pai. Além disso, tinha medo de que ao contar o que se passara, o pai cumprisse a promessa. E Lua não queira arriscar. Preferia passar o resto dos seus dias sem ver o seu querido avô. Imaginá-lo morto era já demasiado doloroso. Engoliu em seco e ergueu a cabeça, esboçou um sorriso e encarou os avós.
- Não preciso de nada. Está tudo bem comigo. - e preparava-se para se levantar, mas a avó insistiu.
- Lua, somos teus avós, gostamos muito de ti e estamos preocupados contigo. Queremos saber porque tens andado assim tão triste. É porque o teu pai não te deixa visitar o teu avô? - Lua sentiu os olhos encherem-se de lágrimas. Afinal os avós sabiam o que se passava. Será que também concordavam com o pai? O Rei pegou na mão da Rainha e sorriu para a neta.
- Lua, querida, sabemos que gostas muito do teu avô, e compreendemos o porquê. Ele é a única pessoa capaz de falar da tua mãe. Mas não precisas de fugir para ir visitá-lo. - levantou-se, fazendo a chama da vela mais próxima tremer, e aproximou-se da menina. Lua olhou o avô na espectativa e este passou-lhe a mão pelo cabelo, carinhosamente. - Minha linda, se queres visitar o teu avô, nós mesmos te acompanharemos à Floresta.
Lua sentiu uma grande vontade de abraçar o avô paterno, mas não se atreveu.
- Está a falar a sério? Eu posso mesmo visitar o meu avô.
- Claro que podes, Lua. - respondeu a avó, ainda sentada. - Apenas tens nos pedir. Não precisas de fugir. Hoje não podemos sair daqui, pois temos em mãos um monte papelada para resolver, mas o que dizes de irmos à Floresta amanhã, ao início da tarde? - ao ver a alegria nos olhos da neta, as rugas da Rainha pareciam até ter desaparecido. Há quanto tempo não esperavam ver a neta feliz? Não gostavam de se intrometer na educação que Rafael escolhera para a filha, mas há muito que admitiam que o filho estava a ser negligente com a menina, que de tanta atenção precisava.
- Isso seria óptimo! - exclamou, levantando-se. - Amanhã a seguir ao almoço vão levar-me a ver o avô?
- Sim, vamos. - a avó também já estava de pé, ao lado da menina. - Agora, se quiseres podes ir, tens o teu professor à tua espera. - Lua agradeceu, empolgada, e saiu. Paco, que estava do lado de fora, fez-lhe uma pequena vénia e acompanhou-a de novo até ao quarto. Pelo caminho Lua sorria, pois afinal podia ir visitar o avô, bastava pedir. E desta vez o pai não lhe poderia fazer nada, pois tinha o apoio dos avós paternos.
Assim que chegaram à porta do seu quarto, Paco fez novamente uma vénia e retirou-se, de volta ao escritório, depois de perguntar se Lua necessitava de algo. A pequena Princesa respondeu que não precisava de nada e entrou no quarto, onde pouco depois seria chamada para a aula do dia. Naquele tempo livre que tinha desde o pequeno-almoço e a aula, costumava ir para a varanda do seu quarto, olhar o mundo lá fora. Ou então pegava num dos seus livros cheios de imagens, inventando uma história, pois ainda não aprendera a ler correctamente. Havia dias em que acordava cheia de vontade de aprender, mas dias havia em que apenas queria fica fechada no seu quarto. Naquele momento sentia-se com vontade de ter aulas e aprender a ler e fazer contas e tudo o que fosse preciso para se tornar numa menina inteligente.
Não estava há mais de quinze minutos no quarto, sentada na cama, quando Rossana, a criada, entrou.
- Menina, o seu professor espera-a no quarto de estudo. - Lua levantou-se rapidamente, atirou o cabelo para trás e saiu depois de Rossana, que fechou a porta atrás de si. As regras do castelo diziam também que o empregado que fosse buscar a menina ao quarto era responsável por depois a deixar novamente no quarto. Para que pudessem saber quem fora o último a ver Lua. Assim, Rossana desceu as escadas com Lua, até ao quarto de estudo.
- Virei buscá-la daqui a três horas. Boa aula. E retirou-se, para cumprir outras tarefas. Bateu à porta do quarto de estudo. De lá de dentro a voz grave do professor ordenou que entrasse. Foi o que Lua fez, fechando de imediato a porta.
- Bom dia, pequena Princesa! - o Professor Oceano era ainda novo, não teria mais que vinte e cinco anos. A sua voz era grave, mas o seu rosto de feições suaves, com olhos grandes, cor de mel, pele muito lisa, lábios salientes e cabelo muito curto, escuro. Lua achava-o muito bonito e por vezes imaginava que Oceano era o seu pai e que brincavam juntos. Mas naqueles três meses, desde que se tinham conhecido, apenas eram aluna e professor.
- Bom dia, professor Oceano. - sentou-se no seu lugar, ainda a sorrir. O quarto de estudo era provavelmente a divisão mais iluminada do castelo. Duas das suas paredes eram substituídas por vidro, para que a luz do sol penetrasse com facilidade e quando anoitecia, uma centena de luzes no tecto se acendia, para que pudessem sempre usufruir daquele quarto. Não era muito grande, o quarto de Lua era um pouco maior. Na parede oposta à porta, havia uma estante com resmas de papel branco e nas gavetas podia encontrar todo o tipo de tinteiros e penas e também canetas e lápis. Os avós queriam que Lua treinasse bem a sua escrita com pena, pois era mais elegante, mas compreendiam também que a menina usasse caneta, por ser mais prático.
No centro do quarto havia uma grande mesa redonda, com meia dúzia de cadeiras almofadadas à sua volta. Em cima da mesa estavam já folhas e material de escrita para a aula.

Artes de Fada...


Bem, queria apenas recomendar (às meninas, principalmente) que visitem o blog

http://artes-de-fada.blogspot.com/... tem coisas muito fofas!!!

Bj...

sábado, 31 de maio de 2008

Injustiças da vida...

Queria aqui contar-vos uma "história" que prova o quanto a vida pode ser cruel. Dá-nos tudo para logo tirar...
Guimarães tem duas rádios locais, a Fundação e a Santiago. A Santiago, aquela que a minha mãe ouve todos os dias de manhã à noite e que eu própria me habituei a ouvir, é a rádio local mais ouvida em Portugal, ultrapassando algumas nacionais. Há umas semanas, a Santiago andava a fazer "castings" para encontrar um novo locutor, para um novo programa. E, se não estou em erro, no primeiro Domingo de Maio (dia da Mãe), o programa foi para o ar. "Chama-se" Canto nómada, um programa de duas horas (das 9 às 11) onde era passada musica do estilo celta. E onde eu queria chegar... o locutor, André Moutinho, de 32 anos, morreu de segunda pra terça, vítima de uma doença súbita e fatal (não especificaram), sem aviso e sem tréguas. A morte veio e não foi de mãos a abanar. Fiquei chocada... tão novo, saudável e de repente... André estava super feliz com o sucesso do programa, sentia-se realizado. Natural de Torres Novas (bem perto da terra do Renato), veio viver para Guimarães por amor à namorada (a minha terra!!!), arranjou um bom emprego...e foi-se...
Portanto, pessoal, aproveitem bem o que a vida vos dá...
Bjs

sexta-feira, 30 de maio de 2008

3ª Parte do 5º Capítulo "Um dia no castelo..."

E faz hoje exactamente um mês desde a última vez que deixei um post sobre o livro... então aqui fica, um excerto mais do estilo descritivo, pois não avança grande história, mas que deixa uma luz no fundo do túnel à "nossa" pequena Lua... Espero que gostem... e que comentem, pois eu gostava mesmo de saber a vossa opinião :)





- Sim? - respondeu Lua, intrigada. Ainda era muito cedo para o professor aparecer. Porém, foi o empregado que tratava dos negócios com os avós quem abriu a porta do quarto e espreitou timidamente.
- Menina, os seus avós pedem-me que a leve até ao escritório. Querem ter uma conversa consigo. - Lua sentiu-se excitada e assustada ao mesmo tempo. Excitada porque nunca entrara no escritório dos negócios. Assustada porque os avós nunca a tinham chamado para uma conversa particular.
Levantou-se e saiu, com o empregado atrás. Todas as pessoas que trabalhavam no castelo usavam farda. As cozinheiras vestiam roupa branca, com um avental branco e um chapéu branco. Tudo imaculadamente branco. As senhoras, e que eram muitas, que tratavam da limpeza do castelo usavam um vestido azul celeste, pelo joelho, com uma avental branco por cima. Os homens que tratavam do jardim vestiam sempre uma camisa e calças castanhas. Rossana tinha um vestido igual ao das senhoras da limpeza, mas em cor-de-rosa. Os cocheiros vestiam-se a rigor, com roupa toda preta. Eram os criados mais elegantes. E depois havia o empregado que estava no escritório dos avós, que usava calça e camisa azul escuro. Era ele que tratava de todos os recados dos avós, que fazia os telefonemas, que servia café e chá aos Reis. Era o empregado mais importante do castelo, pois Lua sabia que era o único em quem os Reis confiavam.
Enquanto caminhava para o escritório, Lua perguntava-se sobre o assunto da conversa. Será que os avós também a iriam repreender por ter fugido de casa na tarde anterior? Será que também lhe iam bater? Só de pensar nessa possibilidade, o seu coração começou a bater mais depressa. Paco, assim se chamava o empregado, seguia à sua frente, com as costas muito direitas e quase sem dobrar as pernas. Lua sabia que um dia teria de andar assim, toda esticada, quando fosse a Rainha da Floresta Dourada. E essa ideia desagradava-lhe. Nem mesmo sabia se queria ser Rainha. Mas ainda era muito nova para decidir. Uma coisa era certa: assim que aprendesse a ler e a escrever, iria ter aulas de etiqueta, onde aprenderia a comportar-se e a agir como uma princesa. O dia por que Lua mais ansiava era o dia em que seria apresentada no Baile da Floresta. Sabia que teria muitos anos para esperar, mas o contacto com o mundo exterior excitava-a. Será que apenas nesse dia voltaria a ver o avô? Só a ideia era horrível!
Pararam de repente: tinham chegado às portas do escritório. Eram umas portas enormes, de madeira dourada, com alto relevo desenhado. Tinham uns batentes enormes, em forma de folha de árvore. Foi Paco quem bateu e logo se ouviu a voz do Rei:
-Entrem. - o empregado desviou-se para que Lua entrasse e de seguida entrou ele, fechando a porta atrás de si.
Lua começou logo a olhar em volta, vendo tudo com muita atenção. Era uma sala com aspecto rústico e muito escura. Iluminada por velas e candelabros, era provavelmente a divisão mais escura de todo o castelo. Todas as paredes estavam tapadas por estantes de madeira, carregadas de livros e papeis. Lua nem queria saber o que para lá estava escrito. Podia apostar que na biblioteca do castelo haviam menos livros do que naquele escritório.
Os avós estavam sentados em cadeiras almofadadas e forradas a veludo preto, muito elegantes. Os seus braços eram dourados e adornados com folhas semelhantes às dos batentes das portas do escritório.
- Senta-te, minha linda. - pediu a avó, sempre com o seu sorriso bondoso e olhos brilhantes rodeados por rugas.
Lua sentou numa cadeira semelhante àquelas em que os avós estavam sentados, mas um pouco menos trabalhada e sem braços. Sentiu-se confortável, mas o seu coração batia acelerado. Teria feito asneira?
- Paco, podes esperar do lado de fora? - o empregado fez uma ligeira vénia e saiu, fechando a porta o mais silenciosamente possível.
Agora eram só eles: Lua e os avós. Entrelaçou as mãos sobre o colo, sentindo o sangue pulsar com toda a força, e tentando recordar-se do que fizera para merecer um castigo. Será que os avós estavam zangados por ela ter fugido de casa no dia anterior? No entanto, pela cara dos avós, Lua duvidava que fosse receber um castigo naquele momento. Ambos sorriam, um sorriso genuíno e então Lua começou a ficar confusa.
- Porque me chamaram aqui? - arriscou-se a perguntar. O avô desviou o monte de papeis que ocupava a secretária, e retirou com cuidado o tinteiro e a pena, que pousou na mesinha redonda ao seu lado, onde estava também uma grande jarra com limonada e alguns copos lavados.
- Minha querida... - começou a avó, debruçando-se sobre a secretária, para que Lua a pudesse ouvir melhor. - Reparamos que tens andado um pouco em baixo. Pareces triste, e então ontem partiste-nos o coração. Eu e o teu avô temos conversado sobre isso... - olhou rapidamente para o Rei, como que pedindo autorização para continuar. O avô acenou com a cabeça e a Rainha continuou. - Há alguma coisa que te está a magoar? Ou então, precisas de algo? Qualquer coisa, minha querida. O que quer que te faça mais feliz, tentaremos o impossível para te satisfazer. - ficaram à espera da resposta de Lua, ansiosos.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Coisas...

Bem, pessoal, tinha em mente começar por um tema, mas não posso deixar passar ao lado o "belo" final de tarde de hoje. Após algumas confusões, lá ficou marcada a reúnião para definir a comissão de faina de BG... e como não poderia ser diferente, claro que houve "merda" (desculpem o termo). Mas será que os nossos "amigos" não conseguem comportar-se como gente, tratar-nos como iguais e pura e simplesmente vivermos em paz?!? Raio de badamecos, com a mania que são mais que os outros. Mas pronto, aqui está a nova comissão de faina de BG (arrancadinha a saca-rolhas, porque a proposta inicial era um atentado à saúde humana):

Susana (Mestre)

Renato

Ioana

Toninho

Bruna

Cris

Carla

Bela (eu)

Tibby

Nélia

Ana João

Sim, este ano somos onze, após um consenso de ambas as partes... queria apenas fazer um comentário a uma frase solta que ouvi no final da reúnião, vinda da actual 3ª matrícula:

"Tenho muita coisa entalada..."

Então e nós, não temos???



E agora sim, o tema que tinha em mente... desculpem aqueles que não gostam de ler... vou falar de literatura :D

Na verdade, vou apenas falar dos escritores e os livros de que mais gostei... quem sabe, sugestões para quem passa...

Bem, comecei a interessar-me pelos livros ainda nem andava na escola. Adorava ouvir a minha mãe ler-me os livros da Anita e depois, sozinha, passava os olhos pelas imagens e tentava associá-las à história.

E quando aprendi a ler, devorava os livros da Anita, apesar de já conhecer as histórias... Ainda guardo no meu quarto os livrinhos da Anita, alguns tão velhos como eu. Estão na estante, em muito bom estado, porque são recordações da minha infância.

Até ao 5º ano, eu era doida por todo o tipo de livros que se assemelhasse a banda desenhada e de preferencia que tivesse muitos bonecos!!! E, em Língua Portuguesa, a gente fazia a troca de livros, entre os alunos, e tinhamos 2 semanas para o ler. Eu levava sempre o mais colorido. E reparei que a minha amiga (Guida) levava sempre livros cheios de letras ("Uma aventura", "Bando dos 4") e eu perguntei-lhe se aquilo era interessante. Ela disse que sim... eu experimentei (e agora, quem apanha a conversa a meio fica muito baralhado :S) e pronto, nunca mais parei!!! Era "Uma aventura", "Bando dos 4", "Clube das chaves", "Os 5"... todos os livros que existiam na altura e que eram próprios para a minha idade. E andei a ler este tipo de livros até os meus 15 ou 16 anos... até um Natal em que pedi a toda a família livros... estranhamente, só recebi 3... os meus pais recusavam-se a oferecerem-me livros (um ultraje!!!) e eu nunca percebi porquê. Recebi o Harry Potter (o primeiro) e lembro-me de ter pensado: "Mas o que vem a ser isto?" Recebi "A história de uma alma", do Triangulo Jota e que devo ter lido em 2 dias... e um livro que a minha prima Sofia me ofereceu, chamado "A imagem no espelho", tinha uma capa nada chamativa, o título nada me dizia e a autora era uma completa desconhecida. Comecei a ler, mas à 2ª página fartei-me... passados meses tentei novamente... e nada... até que pensei: "Porra, se ela me ofereceu, é porque é bom!!!" E comecei, fiz um esforço para passar da segunda página... e acho que até hoje é o meu livro favorito. A escritora é, claro, o meu "ídolo" da literatura, aquela que me dá vontade de ler e ler, e escrever, aquela que me faz rir, chorar, imaginar, sonhar... ela é a minha magnífica Danielle Steel! Não sei quantos livros dela eu já li. Posso nomear os que mais me marcaram: "A imagem no espelho", uma história de irmãs gémeas, que a dada altura trocam as suas vidas, uma pela outra. Foi o primeiro livro a fazer-me chorar. "Tempo para amar", uma história linda, sobre uma rapariga cujo marido se tenta suicidar e acaba numa cadeira de rodas e com uma mentalidade de 7 anos. Kate está grávida e a parte alta do livro é quando o filho, já com 7 anos, decide conhecer o pai... imaginem uma criança de 7 anos com um pai que não tem mais mentalidade que ele... super emocionante. "Dádiva", a história de uma rapariga que engravida e é obrigada pelos pais a dar a criança... "Um longo caminho para casa", a história de uma menina que sofre de maus tratos por parte da mãe... E mais uns quantos: "A honra do silêncio", "A casa da rua da esperança", "Joias", "Álbum de família", "A força de um amor"... e depois há aquele que é um tesouro, para mim foi mesmo potente: "Nick", a história de um dos seus filhos, que morreu com 19 anos (se não estou em erro), e que tinha uma grave doença (cujo nome não decorei, mas sei que o miúdo nasceu um génio - antes de fazer um ano, ele EXIGIU à mãe que na festa de aniversário houvessem palhaços e música disco!!! - e que ao longo dos anos foi entrando em sucessivas depressões e acabou por se suicidar). Eu adorei o livro, em primeiro lugar porque é o testemunho real de uma mãe que perdeu um filho, só por si já é um grande acto de coragem; e depois porque a Danielle é "obrigada" a falar sobre si, sobre os seus amores, os seus casamentos, os seus filhos, a sua vida...e eu fiquei a conhecer bem melhor a minha escritora de eleição. (Na imagem, Danielle Steel)



Há outros grandes autores que admiro: a que escreveu a saga de Harry Potter, há muita gente que não consegue gostar dos livros, mas além da história estranha e tal, existe uma potencialidade enorme de escrita; o grande senhor Paulo Coelho, com os seus livros espirituais, sempre com a lição de moral para nos dar. Esse senhor da literatura também sabe o que faz e sem dúvida conhece bem as palavras.

Estes são os 3 escritores que eu leio com mais frequência. Fora isso, vou lendo. Outros livros de que gostei... bem, só li um livro de José Saramago, e apesar daquela "não" pontuação, eu amei o livro. E por acaso, o filme foi apresentado no festival de Cannes. Chama-se "Ensaio sobre a cegueira" e é muito fixe, mesmo. Mais recentemente, li um livro que me deixou chocada: "Queimada viva". Fiquei chocada com essa história do "crime de honra"... é horrível. Mas sem dúvida que é daqueles livros que me ficam na memória, porque eu li o livro num fim-de-semana, não conseguia parar. Por falar em não conseguir parar... claro que também adorei os livros de Dan Brow, todos eles. Dos quatro, o "menos" interessante é "O código Da Vinci" e eu adorei o livro. Portanto, imaginem como fiquei com os outros.

Ah, outro livro muito interessante é "O retrato de Dorian Grey" de Oscar Wilde. Um livro estranhíssimo, mas interessante, de qualquer forma...

E agora, o pior... claro que há livros que detestei: "A aparição"!!! Até hoje não percebi o sentido do livro. Eu tentei, mas não consegui gostar. "Os Maias"... também não consegui ler, mas é um objectivo de vida, ler "Os Maias"... e depois há aquela "escritora" que eu não suporto e que tem tanta fama: Margarida Rebelo Pinto. Que me perdoem os fãs, mas eu nem consigo chamá-la escritora, pois eu pura e simplesmente não consigo ler um livro dela. Odeio a forma como escreve, as palavras que usa.... não consigo.



Espero que aproveitem as minhas sugestões... e para quem não gosta de ler, nunca é tarde para começar... como diria a minha prima Diana: "Estou a aprender a gostar de ler."

BJ... e obrigada a quem visita o meu blog :)

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Rectificação...

Pessoal, esqueci-me de informar que os vídeos são compilações de fotos minhas, do Tiago Cruz, da Joana Lima e da Patríca Pinto. Peço desculpa por só agora mencionar o facto :S
Bjs

Um fim-de-semana no paraíso...

Berlengas... e aquele que foi sem dúvida o fim-de-semana mais especial da minha vida. Cheio de novas experiências, desde a viagem de barco ao facto de passar dois dias sem água doce para lavar a cara ou os dentes. Sem falar, claro está, no facto de a ilha ter mais de 20000 gaivotas.
Sem dúvida, para repetir...
Dedicado ao pessoal de BG...

Um fim-de-semana na floresta maldita...

Bem, pessoal, após algumas complicações, aqui está o vídeo que fiz sobre a saída de campo à Lousã... Espero que se divirtam!!!

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Um orgulho, um sonho!!!






"Foi um povo sonhador


Com garra e determinado


Que fez nascer um país


Desta terra começar


E o mesmo povo com esperança


Alguns séculos após


Fez nascer o nosso clube


Orgulho de todos nós



Vitória, Vitória,


Vamos todos festejar


Toda alma e toda a glória


Deste clube a triunfar


Vitória, Vitória,


De Guimarães afinal


O berço do meu clube


E também de Portugal



Das bancadas do estádio


Cantemos com vivacidade


Encorajando os atletas


Do clube desta cidade


Sonhemos a preto e branco


Com alma já da vitória


Hasteemos a bandeira


O símbolo da nossa história"


José Alberto Reis, Hino ao Vitória


Nasci em Guimarães, o chamado berço da nação. Desde cedo me juntei aos muitos adeptos e simpatizantes do clube da cidade, embora do "lado de fora do estádio". Há quem nos chame bairristas. Sim, somos, amamos o que é nosso, temos orgulho no que é nosso, não nos abandonamos nunca. Somos uma terra pequena e com um grande coração. Somos um povo unido.


O nosso lema é "Vitória até morrer".


E assim é. Há dois anos, a cidade tremeu, com a descida de divisão do Vitória. Raiva, revolta, tristeza e lágrimas... mas não acenamos com lenços brancos. Mais do que nunca o Vitória precisava de todo o apoio. E na época2006/2007, batemos records, enchemos o estádio e quando já pensávamos que a subida estava fora do alcance, eis que surge o grande senhor Manuel Cajuda, que "joga" com amor à camisola e com esforço e dedicação, ergueu o clube novamente à liga principal. De todos nós, a ele um muito obrigado.


Mas a sua jornada não terminou aqui. Com a mesma garra e a mesma dedicação, treinador e jogadores ofereceram-nos ontem o melhor presente da história do Vitória de Guimarães: além do tão desejado lugar no pódium, conseguiram o feito histórico de nos levar à pré-iliminatória da Liga dos Campeões. Um lugar que só por si já é uma honra, independentemente de conseguirmos ou não alguns resultados. Isso é só na próxima época e neste momente temos é de festejar o 3º lugar do nosso clube do coração.


VITÓRIA SEMPRE!!!

quarta-feira, 30 de abril de 2008

2ª Parte do 5º Capítulo "Um dia no castelo"



- Dormiste bem, Lua? - perguntou a avó. - Como caíste ontem, podes ter ficado magoada... chegaste alguma coisa para as dores? - a avó não mudara muito desde a primeira vez que Safira a vira, no Baile da Floresta. Tinha mais rugas, os cabelo estava agora entre o castanho e o grisalho, mas a sua postura, o seu sorriso, a sua bondade, tudo continuava igual. Continuava a usar os longos vestidos de roda, mesmo no dia-a-dia. Nesse dia usava um vestido vermelho de seda, enfeitado com rendas. Lua achava ridículo que a avó se vestisse daquela forma. Passava todo o dia no castelo, no escritório com o avô, falando sobre “negócios”, como Lua lhe chamava. Sabia que tratavam de assuntos sobre o povo, qualquer coisa sobre direitos e deveres. Portanto, até um pijama servia para passar um dia inteiro fechado entre quatro paredes. Só de tempos a tempos, os avós saíam, para uma viagem, fosse de negócios, fosse de férias. Lua nunca fora com eles, mas também nunca a haviam convidado. Como Lua ficaria contente se o pai a levasse numa viagem de barco! Como ela gostaria de conhecer o mar. Mas isso nunca aconteceria. O pai não gostava dela, por isso não queria passear com ela.
- Não foi preciso chegar nada, avó, eu fiquei bem. - respondeu, ainda antes de se sentar entre a Rainha e o pai.
- A criada disse que dormiste com a roupa vestida... - comentou o avô. - Que se passou?
Lua olhou rapidamente para o pai, mas este não prestava atenção à conversa, parecia distraído com alguma coisa.
- Estava muito cansada... - e baixou a cabeça, pois sentia-se a corar. Sentia vergonha por se ter deixado adormecer daquela maneira. Agora tinha de responder a perguntas embaraçosas.
- Se não fugisses de casa, não te sentirias tão cansada. - Lua deu um salto na cadeira, pois não esperava ouvir a voz do pai
- Deixa a menina, Rafael! Ela já percebeu que errou, não precisas estar sempre a lembrar. - foi o Rei que entrou em defesa de Lua. O Rei também não estava muito diferente desde há vinte e seis anos, pela altura em que Rafael conhecera Safira. Apenas mais velho, todo o cabelo branco, mas as feições ainda eram as mesmas. Lua sabia que os avós eram mais velhos que o que aparentavam, pois já não tinham grande agilidade, quase precisavam de ajuda para subir a escadaria principal que levava ao segundo andar.
O pequeno-almoço era sempre uma grande refeição, com bolos, leite, sumos, pão e os mais variados acompanhamentos. Sobrava sempre demasiada comida, e a maioria nem era aproveitada para a manhã seguinte. Lua contentava-se com um copo de leite quente com chocolate e um pouco de pão a acompanhar, pois fazia lembrar as tardes passadas em casa do avô. Nesse momento perguntou-se se não voltaria a ver o lenhador e sentiu vontade de chorar. Custava-lhe crer que o pai falasse a sério quando dizia que matava o avô. Mas o pai era tão frio e cruel, que já nem sabia o que pensar. Resolveu investir nos seus interesses e, com a maior naturalidade, rezando para que os avós fossem a seu favor, perguntou ao pai:
- Pai... quando posso ir visitar o avô? - mexeu o leite com a colher, para não ter de olhar o pai.
Rafael parou o que estava a fazer e entrelaçou os dedos das mãos em cima da mesa.
- Falamos sobre isso ontem. - e nada mais disse. Os Reis olharam do pai para a filha, sem perceberem muito bem o que se passava, mas também não quiseram interferir.
O coração de Lua começou a bater demasiado depressa. O pai falara mesmo a sério, agora tinha a certeza disso. Mas ela queria tanto estar com o avô! Não conseguiu comer mais nada e os avós começaram logo a fazer comentários, que a menina andava a comer mal, que estava muito magrinha e pálida. Assim que pôde, Lua pediu licença e levantou-se da mesa, quase com lágrimas nos olhos. O Rei e a Rainha perceberam que algo se estava a passar com Lua. A menina costumava ser muito calada, mas agora estava triste, para além de pouco faladora. Só o pai parecia não se importar com os sentimentos da menina.
Lua subiu para o seu quarto, onde costumava brincar durante alguns minutos, antes de um professor a chamar para as aulas de escrita e leitura. Nesse dia não brincou, limitou-se a sentar-se na cama e olhar o retrato da mãe. Nunca visitara o local onde a mãe estava sepultada, pois o pai nunca lhe dissera onde ficava e o avô dizia que ainda era muito nova para visitar um lugar desses. Apenas sabia que a mãe estava numa capela no meio da Floresta, no mesmo sítio que a avó.
Mesmo que quisesse brincar nessa manhã, Lua não teria tido oportunidade, pois alguns minutos após ter subido, alguém bateu à porta do seu quarto.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Vânia Fernandes - Senhora do Mar

Aqui está a música que nos vai representar no próximo festival da Eurovisão. Pessoalmente, gosto bastante da música, principalmente se tivermos em comparação a música do ano passado ("Dança comigo" Sabrina). A ver se é desta...

1ª Parte do 5º Capítulo "Um dia no castelo"


O dia começava bem cedo para Lua. Ainda o sol espreitava timidamente, já uma criada entrava no seu quarto para abrir as portas da varanda e puxava para trás as cortinas. Era nesse momento que Lua acordava, com a claridade a perturbar-lhe os olhos. A menina levantava-se e corria para a casa-de-banho, que estava ligada ao quarto por uma porta. Saía uma hora depois, após um longo banho de imersão perfumado com pétalas de rosa. Lua odiava essa parte do dia. Vendo bem, Lua odiava qualquer parte do dia no castelo, todas aquelas formalidades que era obrigada a cumprir, todos os tópicos de higiene, todos os horários, todas as obrigações. Mas o banho era provavelmente o que mais a irritava. Sair da sua cama quente, ser obrigada a tirar o seu pijama, e entrar numa banheira repleta de água, ficar lá mergulhada durante quase uma hora, até a sua pele ficar toda encorrilhada. Era horrível! E mesmo que quisesse escapar ao banho, era impossível, pois a criada que a acordava não desandava do quarto enquanto Lua não aparecesse de cabelo molhado, com perfume de rosas espalhado pelo corpo, e um grande robe azul vestido. Lua acordava de mau humor, tomava banho de mau humor e saía da casa-de-banho de mau humor. Nunca falava com a criada. Da mesma maneira que não falava com o restante pessoal que trabalhava no castelo. Os empregados e empregadas achavam-lhe imensa graça, mas gostariam de ter mais interacção com a menina. Havia quem dissesse que o poder já lhe subira à cabeça, por isso Lua os ignorava. Mas nada tinha a ver com isso. Lua não gostava de falar com ninguém do castelo porque odiava a vida no castelo. Preferia muito mais se pudesse viver com o avô no meio da floresta, a conversar à lareira, a ouvir histórias sobre a mãe, sobre as aventuras de quem passa na Floresta Dourada. Tinha muita mais emoção do que viver fechada naquele sítio frio, onde o pai a odiava, as empregadas não lhe largavam o pé, as regras impunham-se à sua vontade. O que ela não faria para viver de forma mais simples e interessante? Um dia, fez a promessa de nunca reinar, de partir daquele castelo assim que tivesse idade para decidir. Ninguém a impediria, nem mesmo os avós, que sempre a haviam tratado bem.
Lua esteve no banho uns bons três quarto de hora, até que se sentiu desconfortável com tanta água e saiu, enrolada no roupão, com o cabelo a pingar em todo o lado. Quando chegou ao quarto, a criada logo a repreendeu:
- A menina tem uma toalha no cabide para secar o cabelo! Já viu os estragos que está a fazer? - apressou-se a arranjar um pano para limpar as grossas gotas de água com cheiro a rosas.
- Isso é água. Há-de secar! - respondeu Lua secamente. Aproveitou o facto da empregada estar debruçada no chão, a secar as gotas com um pano, para se limpar a uma outra toalha que estava em cima da cama. Num instante vestiu a roupa que a criada lhe escolhera e ficou desagradada. Insistiam em vestir-lhe saias e vestidos, e ela preferia calças. Mas lá vestiu a saia e quando a mulher se levantou, já Lua estava vestida e com o cabelo escorrido.
- Assim está melhor. - era uma empregada bem bonita e elegante e Lua muitas vezes se perguntava por que razão uma moça tão bonita se fechara naquele castelo. As regras do castelo ditavam que todos os criados e criadas vivessem lá a tempo inteiro. Só podiam sair para fazer recados. Assim evitavam-se atrasos e traições. E por isso mesmo, a maioria dos empregados eram já de avançada idade, pessoas que queriam ocupar o seu tempo com alguma coisa. E Lua não entendia como alguém tão novo pudesse aguentar viver ali todas as horas do seu dia. Mas também nunca quis perguntar.
- Agora faça o favor de se calçar, menina. A sua família espera por si no pequeno-almoço.
Lua preferia tomar o pequeno-almoço na cama, o que acontecia quando estava doente. Mas as regras do castelo ditavam que todos se juntassem pela manhã para partilhar a primeira refeição do dia.
Depois de se calçar, escovar o cabelo e chegar creme hidratante, desceu, muito silenciosamente, e pouco depois entrava na sala de pequeno-almoço, uma sala mais pequena que a do almoço e jantar. Os avós deram-lhe os bons-dias, bem dispostos, mas o pai limitou-se a acenar com a mão, quase sem olhar para a filha.

Campeões!!!


E porque nem só de futebol vive o desporto, aqui ficam os meus parabéns à equipa de voleibol do Vitória, que se sagrou pela primeira vez campeão no passado sábado, frente ao Espinho. Vitória sempre!!!

quinta-feira, 17 de abril de 2008

4ª (e última) Parte do 4º Capítulo "Lua"



Lua ainda ficou no escritório bastante tempo, chorando em silêncio e completamente desorientada, sempre com a mesma frase a martelar-lhe nos ouvidos: “Se voltas a encontrar-te com esse homem... ele morre.” O que poderia fazer agora? Se deixava de ver o avô, a sua vida seria um inferno, sempre fechada no castelo, sendo obrigada a obedecer às regras do castelo, passando dias inteiros a ouvir o professor sobre assuntos em nada interessantes. Mas se voltasse a desaparecer para visitar o avô, ele corria risco de vida. Seria mesmo o pai capaz de matar o avô?
- Claro que sim, ele bateu-me! - murmurou. Levantou-se, atirou o cabelo para trás e lavou a cara na pia à porta do escritório. Pela primeira vez entendia a utilidade daquele objecto num local tão estranho. Os seus olhos verdes pareciam agora vermelhos, mas nada podia fazer para disfarçar. Sabia que estava na hora do jantar e que o pai e os avós esperavam por si. E não queria atrasar-se, não fosse o pai bater-lhe novamente. Dirigiu-se para a sala de jantar com alguma relutância e de facto já os avós e o pai a esperavam.
- Não tornes a chegar atrasada para o jantar. - advertiu o pai.
- Está bem. - respondeu, sem querer olhar os avós de frentes, que já se haviam apercebido de que algo estava errado.
- Porque fugiste novamente, Lua? - perguntou a avó, enquanto a menina se sentava.
- Eu não fugi. Eu fui dar um passeio. - respondeu, com a voz fraca.
- Mas devias ter avisado, querida. - argumentou o avô, sempre com o seu sorriso bondoso. - Assim ninguém ficava preocupado. Prometes que avisas da próxima vez?
- Sim...
A avó olhou para o filho, que estava aparentemente distraído com um naco de pão. Depois voltou a olhar para a neta.
- Estiveste a chorar, Lua? Tens a cara inchada...
- Caí...
Os Reis inquietaram-se de imediato.
- Mas estás bem, partiste alguma coisa, fizeste algum arranhão? - a avó preparava-se para chamar uma empregada que pudesse examinar a neta, mas esta recusou-se de imediato.
- Está tudo bem, foi só um susto. - recusava-se a olhar na direcção do pai, sabendo que também ele evitava olhar a filha.
Lua e Rafael jantaram em silêncio. Os avós de vez em quando surgiam com um novo tema que não durava mais que dois minutos. A tensão no ar era grande e Lua só queria desaparecer dali. Queria ir para o seu quarto e verter as lágrimas ainda retidas. Comeu tudo o que lhe colocaram no prato, sem reclamar, e assim que terminou pediu licença e subiu para o quarto. Atirou com a bolsa para cima da cama, assim que entrou, e sentou-se pesadamente, já com lágrimas nos olhos.
O seu quarto transmitia uma certa calma. As paredes estavam pintadas de azul celeste, a cama era alta e larga, com uma colcha branca, sempre imaculadamente limpa, havia estantes em todas as paredes, onde repousavam brinquedos, livros, rochas que Lua apanhava nos seus passeios, flores... ao fundo da cama havia uma arca que quando fechada servia como banco. O chão era de madeira e o quarto tinha uma varanda, com vista para o jardim, onde Lua muitas vezes passava o seu tempo, olhando as flores e as aves. Mas a parte favorita de Lua era o tecto: pintado de azul muito escuro, como a noite, e bem no centro, uma lua redonda e brilhantes, com montes de estrelas a rodeá-la. Lua adorava adormecer sob aquele manto de tranquilidade.
Deixou-se ficar sentada na cama durante muito tempo, a pensar no que acontecera. Sabia que o pai nunca fora carinhoso com ela, nem tão pouco atencioso. Mas nunca imaginou que Rafael lhe pudesse bater. E ela nem tinha feito algo tão grave que merecesse aquela reprimenda. O que diria a sua mãe de tudo aquilo? E porque razão o pai a proibia agora de ver o avô, a única pessoa que a fazia feliz? Sentiu-se tão triste, tão desorientada, perguntando-se se todas as crianças da sua idade passavam pelos mesmos problemas. Mas não podia saber, pois não conhecia nenhuma. Não tinha contacto com qualquer pessoa do exterior. Apenas com o avô... agora nem isso.
Era já muito tarde quando ouviu o pai passar pelo quarto dela para se ir deitar. À semelhança de todas as outras noites, Rafael não entrou no quarto da filha para saber se esta precisava de alguma coisa. E Lua ficou ainda mais triste desta vez, pois tinha ainda esperança que o pai se arrependesse. Mas não parecia ter sido o caso. E chorou ainda mais. Deitou-se na cama, com o cabelo colado à cara e com as mãos procurou o seu peluche preferido, um urso castanho, com quem dormia todas as noites. Fora o lenhador quem lho oferecera. Mas as suas mãos acabaram por encontrar a bolsa em primeiro lugar e só então se lembrou do presente do avô. Retirou-o com cuidado, caso fosse um objecto frágil. Não se deu ao trabalho de apalpar o embrulho para tentar descobrir o que era. Rasgou o papel grosso que envolvia o presente e depois ficou a olhar, incrédula. O avô oferecera-lhe uma fotografia da mãe. Mas não era uma fotografia igual à que o pai tinha no quarto... ali a mãe devia ter a sua idade, não mais que seis ou sete anos. E Lua ficou fascinada com a semelhança entre as duas. Aparte a cor do cabelo, diria-se que eram a mesma pessoa. A mãe usava um vestido de alças, dourado, que lhe batia no joelho. Apresentava um grande sorriso e uma flor na mão. O avô tinha razão: eram de facto parecidas e não só nas atitudes.
Lua ficou muito mais bem disposta, quase esquecendo o incidente do início da noite. Levantou-se num pulo, agarrou no banco que também era uma arca, subiu e colocou numa estante alta, em frente da sua cama. Mas logo depois voltou a tirar de lá a moldura, achando que assim ficava demasiado longe do seu alcance e então colocou-a na mesinha ao lado da cama. Ficou durante algum tempo a olhar para a foto da mãe e finalmente adormeceu, vestida com a mesma roupa com que saíra. Só muito tarde, quando já todos no castelo dormiam, uma das empregadas foi ver se a menina precisava de alguma coisa. Encontrou-a vestida, por cima da cama feita e agarrada ao peluche. Sem a querer acordar, abriu um dos armários silenciosamente e tirou um grosso cobertor, com que cobriu Lua. Depois retirou-se, deixando a pequena princesa a dormir profundamente.

terça-feira, 15 de abril de 2008

Palavras sinceras...


"Enquanto o sol brilhar,


E o rio correr para o mar,


Enquanto houver luar,


E o mundo nao parar,


Enquanto o sol nascer,


Enquanto o fogo arder,


E o meu coração bater,


Eu vou gostar de ti..."



Gostar de ti, Rita Guerra
...Amo-te...

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Palavras que ilucidam os dias de hoje... e o que vai na alma de cada um...


"Que Deus?" Boss AC

Há perguntas que têm que ser feitas...

Quem quer que sejas, onde quer que estejas,

Diz-me se é este o mundo que desejas,

Homens rezam, acreditam, morrem por ti,

Dizem que estás em todo o lado mas não sei se já te vi,

Vejo tanta dor no mundo pergunto-me se existes,

Onde está a tua alegria neste mundo de homens tristes?

Se ensinas o bem porque é que somos maus por natureza?

Se tudo podes porque é que não vejo comida á minha mesa?

Perdoa-me as dùvidas, tenho que perguntar,

Se sou teu filho e tu amas porque é que me fazes chorar?

Ninguém tem a verdade o que sabemos são palpites

Se sangue é derramado em teu nome é porque o permites?

Se me destes olhos porque é que não vejo nada?

Se sou feito á tua imagem porque é que durmo na calçada?

Será que pedir a paz entre os homens é pedir demais?

Porque é que sou discriminado se somos todos iguais?


Porquê?!


Porquê que os Homens se comportam como irracionais?

Porquê que guerras, doenças matam cada vez mais?

Porquê que a Paz não passa de ilusão?

Como pode o Homem amar com armas na mão? Porquê?

Peço perdão pelas perguntas que tem que ser feitas

E se eu escolher o meu caminho, será que me aceitas?

Quem és tu? Onde estás? O que fazes?

Não sei...

Eu acredito é na Paz e no Amor...


Por favor não deixes o mal entrar no meu coração,

Dou por mim a chamar o teu nome em horas de aflição,

Mas tens tantos nomes, és Rei de tantos tronos,

E se o Homem nasce livre porque é que é alguns são donos?

Quem inventou o ódio, quem foi que inventou a guerra?

Ás vezes acho que o inferno é um lugar aqui na Terra,

Não deixes crianças sofrer pelos adultos,

Os pecados são os mesmos o que muda são os cultos,

Dizem que ensinaste o Homem a fazer o bem,

Mas no livro que escreveste cada um só leu o que lhe convém,

Passo noites em branco quase sem dormir a pensar,

Tantas perguntas, tanta coisa por explicar,

Interrogo-me, penso no destino que me deste,

E tudo que acontece é porque tu assim quiseste,

Porque é que me pões de luto e me levas quem eu amo?

Será que essa é a justiça pela qual eu tanto reclamo?

Será que só percebemos quando chegar a nossa altura?

Se calhar desse lado está a felicidade mais pura,

Mas se nada fiz, nada tenho a temer,

A morte não me assusta o que assusta é a forma de morrer...


Porquê que os Homens se comportam como irracionais?

Porquê que guerras, doenças matam cada vez mais?

Porquê que a Paz não passa de ilusão?

Como pode o Homem amar com armas na mão? Porquê?

Peço perdão pelas perguntas que tem que ser feitas

E se eu escolher o meu caminho, será que me aceitas?

Quem és tu? Onde estás? O que fazes?

Não sei...

Eu acredito é na Paz e no Amor...


Quanto mais tento aprender, mais sei que nada sei,

Quanto mais chamo o teu nome menos entendo o que te chamei!

Por mais respostas que tenha a dúvida é maior,

Quero aprender com os meus defeitos, acordar um homem melhor,

Respeito o meu próximo para que ele me respeite a mim,

Penso na origem de tudo e penso como será o fim,

A morte é o fim ou é um novo amanhecer?

Se é começar outra vez então já posso morrer...


(Ao lado ainda arde, a barca da fantasia,

o meu sonho acaba tarde,

acordar é que eu não queria...)

terça-feira, 8 de abril de 2008

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Balanço dos 3 primeiros meses de 2008...

Ora bem, parece que ainda ontem foi a passagem de ano, mas a verdade é que um quarto do ano já lá vai... o ano começou assim em stress, devido aos exames, mas lá consegui fazer as seis cadeiras que tinha! Depois de uns dias de férias, lá voltamos às aulas e então o que nos surge pela frente? A maravilhosa professora de Petro! Sem comentários... e as aulas de bioestatística? Esqueçam, nem vale a pena falar...
A Piro ficou doente e foi-se... incha, desincha e passa, né? Agora tenho um hamster novo, amarelo e de olhos vermelhos, que faz mais barulho durante a noite que uma rebarbadora durante o dia! :P Mas é fofinho, o bicho.
Eu e o Renato fizemos um ano de namoro e nada melhor (ou pior) que comemorar jantando num japonês. Tive mesmo de trocar de prato com o Renato, porque depois daquelas coisas redondas com atum eu só queria mesmo fugir dali!!!
E depois há o fantasma que anda a gastar a minha internet em Guimarães. É do género: a net desligada e no dia seguinte vai-se ver e há tráfego utilizado. Giro, não?
E a família vai aumentar: a minha madrinha vai ter um bebé!!! WEEEEEEEEE!!!!! (enquanto não posso ter os meus, há que me contentar com os dos outros).
Lá se foram as primeiras saídas de campo, fiquei enterrada até aos joelhos e não caí!
Bem, nunca pior, posso dizer que a vida nem me corre muito mal :P
BJS pra todos!!!

3ª Parte do 4º Capítulo "Lua"



Quando entrou pelo portão das traseiras sentia-se cansada, mas feliz por nada lhe ter acontecido. Tinha as faces coradas e o cabelo revolteado. Entrou pela porta por onde saíra e logo encontrou uma cozinheira que por ali passava. Parecia que procurava algo.
- Menina! Sabe que toda a gente do castelo anda à sua procura? - era uma mulher gorda e corada, uma cozinheira à séria. Usava um grande avental e uma chapéu ridículo. Lua olhou-a de canto e não fez caso, percorrendo o corredor que conduzia o pequeno cubículo até à cozinha, e a da cozinha para a sala de jantar. Ao passar pela cozinha, dúzias de empregados gritaram: “Está aqui!” Mas Lua continuou, sempre de cabeça erguida, ignorando os lamentos de preocupação e as suaves reprimendas. Quando entrou na sala de jantar, a mesa estava posta e Lua sentou-se numa cadeira. A sala estava vazia, mas sabia que não tardaria a chegar alguém, pois era quase hora do jantar. Tirou o manto e acomodou-o nas costas da cadeira. Pousou a bolsa no seu colo e atirou os cabelos negros para trás. Sabia que a boa educação a mandava ir lavar as mãos e esperar pelo pai e avós antes de se sentar. Mas Lua achava as regras do castelo uma fachada e fazia de tudo pra as infringir. Viu a cozinheira gorda sair da cozinha e correu por outro corredor, provavelmente para avisar os reis de que a menina havia reaparecido. E foi com ar sereno e frio que Lua viu o pai chegar à sala de jantar. Estava visivelmente furioso e mais uma vez Lua teve medo. Medo e apreensão... os únicos sentimentos que nutria pelo pai. O pai nunca fora capaz de demonstrar afecto por ela, nunca haviam conversado sobre fosse o que fosse, nunca passearam juntos. Lua achava que já falara mais com qualquer um dos empregados do castelo do que com o pai. Apesar de não dar confiança a ninguém. Rafael nunca lhe dirigira mais que simples frases, frias e directas, como: “Vai lavar as mãos para jantar.” ou “Vai dormir.” Até aos quatro anos, Lua tentara conquistar o coração do pai. Aparecia diversas vezes a meio da noite no quarto do Príncipe, pois sentia-se sozinha. Mas o pai estava sempre a dormir, ou assim parecia. Lua repetiu o ritual várias vezes, até ao dia em que encontrou o pai olhando a fotografia da mãe, com lágrimas nos olhos. Ele não a tinha ainda visto e ela aproximou-se mais um pouco. Quando Rafael viu Lua tão perto de si, começou a gritar com ela, mandando-a embora, empurrando-a para fora do quarto e fechando-lhe a porta. Foi nesse momento que Lua percebeu que o pai a culpava pela morte da mãe. E sentiu-se revoltada pois o que mais queria naquele mundo era ter a sua mãe por perto. Foi nessa altura que ela deu o salto; cresceu demasiado depressa para uma criança da sua idade.
- Lua, quero-te imediatamente no meu escritório. - rugiu Rafael, com uma expressão ameaçadora. Voltou costas à mesa, sem deixar a filha argumentar. Lua voltou a pôr a sua bolsa a tiracolo e arrastou os pés, atrás do pai. Passou pela empregada gorda, que a olhava com pena, mas Lua ignorou. Tinha o coração a bater desordenadamente, mas tentou parecer calma. Baixou a cabeça e o cabelo cobriu-lhe a cara, que continuava rosada.
O pai entrou no seu escritório, por uma das inúmeras portas daquele castelo. Mesmo Lua achava que ainda não conhecia todas as divisões. Entrou logo atrás do pai e fechou a porta. O pai sentou-se na cadeira forrada a veludo vermelho, por detrás de uma secretária bem antiga, de pinho escuro e com finos traços esculpidos. Fez sinal a Lua para que se sentasse também. A menina sentou-se então numa cadeira semelhante à do pai e de frente para ele. Rafael entrelaçou os dedos, debruçou-se sobre a secretária, de modo a ficar mais perto da filha, e perguntou, sempre com a mesma expressão fria.
- Onde estiveste a tarde toda?
Lua já esperava por aquela pergunta.
- Fui dar um passeio. - também os seus olhos eram frios.
Rafael suspirou com impaciência.
- Um passeio por onde? Tens consciência de que toda a gente do castelo andou à tua procura? Até no jardim procuraram por ti! Tu pensas que não temos mais que fazer do que andar a brincar às escondidas com uma criança inútil. - o seu tom de voz subira gradualmente, até se transformar numa série de gritos que faziam vibrar os tímpanos de Lua.
- Fui dar um passeio. - repetiu, tentando não demonstrar a tremura na voz.
Rafael levantou-se irritado e começou a andar de um lado para o outro, sempre na mesma direcção. Quando parou, voltou a fixar Lua, cada vez mais irritado. Lua imaginou que o pai deitava fumo pelas narinas.
- É a última vez que te pergunto, Lua! Onde estiveste esta tarde?
Lua não respondeu e fingiu que prestava atenção aos livros que se encontravam na estante atrás da secretária. Todos eles lhe pareciam iguais, mas sabia que as letras eram diferentes. Ainda não aprendera a ler, apesar de o pai já ter contratado um professor para a ensinar.
- Estiveste com o velhote, não estiveste? - aproximou-se tanto de Lua, que esta ficou com dores no pescoço de olhar tão para cima. - Foste a casa desse pobre lenhador outra vez, não foste? - assim tão próximo, Lua viu que o pai poderia ter sido um homem bonito em tempos. Por detrás de todas aquelas rugar, daquele olhar frio e daquele cabelo grisalho, Rafael teria com certeza sido um sucesso entre as mulheres.
Como Lua não respondia, Rafael soltou uma espécie de rugido animalesco e fez algo que nunca pensara fazer: bater na sua filha indefesa.
Lua levou a mão à cara, com as lágrimas nos olhos e olhando com tanta raiva o pai, que se o sentimento agisse a destruição seria total.
Rafael virou as costas à filha e o silêncio fez-se sentir durante longos minutos. Lua só queria sair daquela sala, mas não fugiu, para não parecer cobarde. Segurava bem a sua bolsa entre as mãos. Como se aquele presente do avô lhe pudesse dar alguma força. Limpou as lágrimas com as costas da mão e ergueu a cabeça, preparada para o que se seguisse.
Mas depressa descobriu que não estava preparada para ouvir o que ouviu.
- Se voltas a encontrar-te com esse homem... - Rafael continuava de costas, como de falasse com uma parede. - Ele morre. - e num ápice saiu do escritório, deixando Lua incrédula sentada na cadeira. Lua tinha a certeza de que se estivesse de pé, os seus joelhos teriam cedido. Não conseguiu controlar a torrente de lágrimas que assaltava os seus olhos e sentiu a sua cabeça muito pesada... como os adultos, quando sentem o peso das responsabilidades.

domingo, 6 de abril de 2008

Sobre o livro "Lua" e 2ª Parte do 4º Capítulo "Lua"


Bem, não sei quantas pessoas visitam o meu blog com regularidade, por consequência, não sei quantas pessoas se interessam pelo meu livro.
Agradeço os comentários da Joana, que sei que acompanha com entusiasmo a evolução da história.
O que eu queria mesmo dizer, é que os excertos que vou publicando aqui não estão revistos. Portanto, não estranho se houver erros, ou gaffes temporais ou de qualquer outro género. É apenas para terem uma ideia, porque eu vou corrigindo à parte.
E aproveitanto o título do post... não sei bem como me surgiu a ideia de escrever Lua. Tinha acabado o livro "Borboleta" (que eu prometo um dia mostrar, mas que por enquanto precisa de muita "atenção") e o nome Lua surgiu-me de uma música (não faço ideia de quem canta, nem me lembro da letra) que acho que se chamava "Feiticeira Lua". Gostei tanto que resolvi criar uma história a partir daí. Este livro está a ser escrito de forma diferente dos outros dois (sim, há um outro, que se chama "Saber sonhar", mas que está na gaveta, que é onde está bem. Talvez quando me faltarem ideias eu me dedique àquilo). Em vez de ter uma história programanda, ela vai saindo à medida que escreve. Portanto, eu não faço a minima ideia de como acaba e nem imagino o que vai acontecer pelo meio. às vezes dá-me uma inspiração e lá escrevo qualquer coisa interessante. Apenas sei que o livro é de fantasia, mas ainda não sei que tipo de fantasia vou meter. Talvez algo reacionado com magia, mas nada de varinhas. Qaulquer coisa mais subtil e elegante. :P
E pronto, cá está mais um pouquito.



- Lua! - e abraçou-a, da maneira que Lua adorava. - Entra, está muito frio aí fora.
Entraram na pequena casa, aquecida pelo fogo que ardia na lareira. Lua sentou-se na cama do avô, depois de tirar o manto. A casa tinha apenas uma divisão. A cama do lado direito, bem perto da lareira, para nas noites de Inverno usufruir do calorzinho que dela provinha. Era uma cama pequenina e Lua ainda não percebia como a sua mãe podia também lá morar. Talvez houvesse outra cama na altura.
No centro havia uma mesa redonda, com três cadeiras à volta. Em cima tinha uma jarra com flores frescas.
Do lado esquerdo era a cozinha, que se resumia a um pequeno armário com algumas peças de loiça, e uma bacia, sempre cheia de água. As refeições eram preparadas à lareira e Lua dizia que os cozinhados do avô eram melhores que os do castelo.
- Têm mais sabor. - afirmava ela.
A um canto havia uma minúscula casa-de-banho, onde mal cabia uma pessoa. Lua tentava imaginar como anos antes podiam ali ter vivido três pessoas.
Era uma casa muito pobre e pequena, mas Lua adorava-a, não tinha o aspecto frio e austero do castelo. Tinha antes um ar acolhedor e simpático, e apenas ali se sentia totalmente feliz.
- Então diz-me lá... - começou o avô, enquanto preparava um copo de chocolate quente, que a neta tanto adorava. - O teu pai sabe que estás aqui?
Lua olhou-o com os olhinhos brilhantes e com um sorriso travesso.
- Não... ninguém sabe.
- Como sempre... mas tu não aprendes? Qualquer dia acontece-te alguma coisa pelo caminho e ninguém sabe onde estás! - sentou-se também na cama, ao lado de Lua.
- Não se preocupe. Eu tenho cuidado. Eu sou responsável, sabe?
O velho lenhador sorriu, orgulhoso da sua neta. Achava incrível que com aquela idade, Lua tivesse já uma inteligência bastante avançada.
- Sim, eu sei que já és uma mulher grande. Mas deves sempre avisar quando sais de casa. Deves dizer onde vais e a que horas voltas. O teu pai pode ficar preocupado desnecessariamente.
- Não fica... - ficou alguns segundos a pensar e depois abriu muitos os olhos e agarrou o braço do avô com entusiasmo. - Avô, conte-me uma história!
- Que queres que te conte? - entregava agora a chávena de chocolate quente à neta, que o bebeu deliciada, ficando até com os cantos da boca sujos.
- Não sei. Fale-me da minha mãe.
- Outra vez? Pronto, está bem! - pegou num fino ramo de árvore, pousado ao lado da cama, e remexeu as brasas que se formavam na lareira. Depois olhou a neta e sorriu, com saudade. - A tua mãe era muito parecida contigo. Também desaparecia de casa sem avisar e voltava a horas tardias. Quando aqui chegava trazia sempre nas mãos as mais lindas flores. Flores que eu próprio jamais vira. E com elas fazia colares que usava ao pescoço. - fez uma pausa, fazendo um esforço visível para não chorar. Já não se sentia à vontade para olhar Lua, então olhava o fogo que ardia. - Mais que flores, ela adorava animais. Qualquer bicho para ela era um sonho. Adorava poder pegá-los, acarinhá-los e cuidar deles quando estavam feridos. Era mesmo muito carinhosa... - Lua viu uma lágrima nascer ao canto do olho do avô, mas fingiu não a ver. Não sabia como reagir perante uma pessoa que chorava, então ignorava esse facto.
- E ela também trazia os animais para casa? - perguntou, curiosa e adorando o facto de poder saber um pouco mais sobre a sua mãe.
O avô abanou ligeiramente com a cabeça e quando ia recomeçar a falar, engasgou-se e não conseguiu impedir um violento ataque de tosse. Durante alguns minutos tossiu, ficando com as faces muito ruborizadas. Lua começou a ficar aflita, com medo por ver o avô tão fragilizado.
- Está tudo bem, avô? - só ao fim de uns segundos, o velho lenhador conseguiu recuperar e responder.
- Sim, não te preocupes, minha querida. Sabes que já não sou novo e este frio dá cabo de mim. - foi buscar um copo de água, que bebeu de uma só vez.
- O avô devia ir viver connosco no castelo. Temos lá tantos quartos vazios. - estava realmente preocupada. O avô era a pessoa de quem mais gostava. Também tinha um carinho especial pelos avós paternos, mas era o velho lenhador quem tinha sempre histórias bonitas para contar e acima de tudo falava-lhe da sua mãe. Mais ninguém podia contar história da sua mãe: os avós paternos pouco ou nada sabiam e o pai mal lhe dirigia a palavra. Por vezes, no seu íntimo, Lua achava que o pai a culpava pela morte da mãe. E era isso que a fazia odiar tanto a vida no castelo.
- Tu ainda és muito nova para compreender. - sorriu – Eu nasci e cresci nesta casinha. Aqui vivi e fui feliz com a tua avó e com a tua mãe. Eu pertenço a esta casa, quero morrer aqui.
Mas no fundo, Lua compreendia o que o avô queria dizer. Ela própria se sentia mais aconchegada na casa do avô do que no castelo. Também sentia que pertencia ali.
- Mas se o avô fosse viver para o castelo, eu poderia cuidar de si... e podíamos brincar juntos, e passear no jardim... - e um enorme sorriso resplandeceu na face da pequena, que era uma verdadeira sonhadora.
- Aceito o convite, minha Lua, e prometo que vou pensar no assunto. - sorriu e depois olhou pela janela. - Está a anoitecer, tens de ir para casa. O teu pai deve estar muito preocupado e eu também ficarei. Está tão escuro que receio que algo te aconteça pelo caminho.
Lua olhou também pelos vidros baços e, com tristeza, levantou-se para partir e colocou o manto aos ombros.
- Não se preocupe, avô, eu sei cuidar de mim e prometo chegar antes do pôr-do-sol a casa. Sabia que eu corro tão depressa como uma lebre?
O avô soltou uma gargalhada sonora e abraçou a neta, orgulhoso da maravilhosa neta que herdara.
- Posso oferecer-te um presente, meu pequeno tesouro? - e vendo que o olhar de Lua se iluminava, procurou qualquer coisa debaixo da cama. Foi com dificuldade que se baixou e depois se levantou, mas conseguiu agarrar o objecto que queria. Estendeu-o a Lua, que o pegou com curiosidade.
- O que é, avô? - estava embrulhado em cartão amarelecido. Voltou-o várias vezes e apalpou-o, sem perceber o que tinha entre mãos.
- Abre-o quando chegares a casa. Agora, põe-te a caminho, não te demores mais. - Lua guardou o embrulho na sua bolsa e deu um beijo no avô. Depois correu pelo caminho de volta a casa, sem parar momento algum, cumprindo a promessa de chegar antes do pôr-do-sol.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

"If Tomorrow Never Comes"
Ronan Keating


Sometimes late at night
I lie awake and watch him sleeping
He's lost in peaceful dreams
So I turn out the light & lay there in the dark
And the thought crosses my mind
If I never wake in the morning
Would He ever doubt the way
I feel about her
in my heart

If tomorrow never comes
Will He know how much I love Him
Did I try in every way to show Him every day
He's my only one
And if my time on earth were through
He must face the world withoum me
Is the love I gave Him in the past
Gonna be enough to last
If tomorrow never comes

'Cause I've lost loved ones in my life
Who never knew how much I loved them
Now I lie with the regret
Thet my true feelings for them never were
revealed
So I made a promise to myself

If tomorrow never comes
Will He know how much I love Him
Did I try in every way to show Him every day
He's my only one
And if my time on earth were through
He must face the world withoum me
Is the love I gave Him in the past
Gonna be enough to last
If tomorrow never comes

So tell that someone that you love
Just what you've thinking of
If tomorrow never comes


................Amo-te.................

quarta-feira, 26 de março de 2008

Mais uma vez...para ti...


"Sei...

Que o nosso amor, tão forte em mim

Pela vida inteira, não tem fim

Por mais que queira...

Sei...

Que nada vai poder mudar

Esse desejo de ficar

Uma vida inteira pra saber...


A luz do amor brilha na areia

E o teu olhar é fogo em mim

Amor, meu amor,

A vida inteira

Não chega pra te amar assim


Sei...

Que o nosso amor veio pra ficar

Mesmo que doa, eu vou esperar

A vida inteira

E...

A vida passa sobre nós

Mas por amor não estamos sós

A alma inteira pra viver


A luz do amor brilha na areia

E o teu olhar é fogo em mim

Amor, meu amor, a vida inteira

Não chega pra te amar assim..."


Dora, "A vida inteira não tem fim"

quarta-feira, 12 de março de 2008

Aerosmith - I Don't Wanna Miss a Thing

Porque me traz boas recordações do liceu...GUIDA, vê lá se te lembras...passeio a Lisboa, 11º ano, stôr de inglês... Bjs

1ª Parte do 4º Capítulo "Lua"



Com 6 anos, Lua era uma criança saudável, apesar do seu corpo franzino e da tez pálida. Tinhas uns cabelos negros, como os do pai, longos e lisos, que lhe batiam a meio das costas. Os seus olhos verdes estavam cada vez mais parecidos com os de Safira.
Lua, à semelhança da mãe, era muito delicada e independente. Saía muitas vezes do castelo às escondidas, por uma porta apenas utilizada pelos empregados, e descia até à floresta. A maior parte das vezes ia visitar o avô à casa que fora da sua mãe.
Sempre que Lua se escapava do castelo, todos entravam em alvoroço, procurando-a por todo o lado. E depois de horas de aflição, ela reaparecia como se nada se tivesse passado.
Ao longo dos anos, o sorriso de Lua foi perdendo o seu brilho. Tornou-se uma criança demasiado independente e fria. Já não era o bebé amoroso que toda a gente conheceu no baptizado. Raramente respondia às perguntas que lhe faziam e chegava a ser antipática por diversas vezes. A única pessoa com quem Lua gostava de estar e com quem tinha grandes conversas, era o avô materno. Quando se escapava do castelo e ia até casa do velho lenhador, perdia-se nas horas com as histórias que o avô lhe contava.
Um dia, como tantos outros, pegou no seu pequeno manto com capucho, calçou as botas até aos joelhos, agarrou na sua bolsa de pele, pô-la a tiracolo e saiu para o jardim do castelo pela sua porta secreta, sem que os empregados a vissem. Apesar de ser ainda o início da tarde, o céu estava escuro. O Inverno estava à porta e o frio fazia-se sentir intensamente. Lua correu até ao portão das traseiras, o único que não era vigiado. Era um pequeno portão de grades enferrujadas, que outrora haviam sido douradas, como as do portão principal. Nunca ninguém entrava ou saía por ali, pois o caminho a que conduzia era de difícil acesso, demasiado pedregoso e com intenso mato a ocultá-lo. Mas Lua estava já habituada a seguir por ali. Até se divertia bastante, resvalando as pedras para o lado e afastando os ramos dos arbustos com as suas delicadas mãozinhas. Esse caminho conduzia à estrada principal que ligava a Floresta Dourada ao castelo. Depois de chegar à Clareira principal, apenas tinha de seguir um curto caminho secundário até à casa do avô. De todas as vezes passava por muitas pessoas, membros do povo, que viviam na Floresta. No entanto, nenhuma a conhecia, pois nunca fora apresentada oficialmente. A única vez que aparecera em público fora cinco anos antes, no dia do seu batizado, e apenas pessoas da nobreza haviam sido convidadas.
Então nunca ninguém a reconheceu como sendo a herdeira de todo o reino.
Lua bateu à porta da pequena casa do lenhador. Era uma casa baixa, de um só andar, com uma porta de madeira escurecida pelo sol. Tinha uma janela de cada lado da porta, com os vidros tão cobertos de pó que era impossível espreitar-se por eles e ver alguma coisa para além de um vulto. Era feita de pedra, pelo que os Invernos eram complicados. Só com a lareira constantemente acesa se podia suportar o frio. Felizmente o avô era lenhador, nunca lhe faltava madeira com que se aquecer.
No alto de telhado havia uma chaminé pequena, por onde saía sempre um pequeno fio de fumo. A casa do avô não tinha jardim e quando Lua lhe perguntou porquê, ele respondeu com um sorriso: “ Eu vivo no meu da Floresta, minha filha! Para quê perder tempo com um jardim, se o tenho mesmo à porta de casa?”
Lua bateu novamente à porta, vendo que o avô demorava. Passados poucos segundos a porta abriu-se na sua frente e o velho lenhador surgiu na sua frente. Usava uma camisa de tecido grosso, já sem cor, com as mangas arregaçadas, e umas calças também muito usadas, com vários remendos nos joelhos. O seu cabelo era cada vez mais raro e os poucos que tinha eram fracos e brancos. Lua achou que o avô estava mais desgastado que o costume. Tinha o olhar cansado. Mas assim que viu a neta, o seu rosto iluminou-se.

quarta-feira, 5 de março de 2008

4ª (e última) Parte do 3º Capítulo "Morte e Vida"



Todos os convidados se sentaram, esperando o início do baptizado. Então os Reis, Rafael e o velho lenhador sentaram-se também. Apenas o Iluminado ficou de pé. Uniu as mãos em frente ao peito, encarou a multidão e começou.
- Irmãos, como sabem estamos aqui para assistir ao baptizado da pequena Lua. Como manda a tradição, o dia escolhido é o dia do seu primeiro aniversário. E como todos sabem, com certeza, esta data é também marcada pela triste perda da mãe desta menina. Portanto, antes de começar a festa, gostava que todos fizessem alguns segundos de silêncio, gostava que relembrassem o quanto Safira era importante na vida dos seus familiares e amigos. – O velho lenhador e Rafael deixaram cair uma lágrima sofrida. Todos fizeram silêncio e até a pequena Lua pareceu perceber a solenidade daquele momento, pois parou o seu monólogo que começara há alguns minutos. – E agora vamos começar então a cerimónia. – O Iluminado falou da importância de uma nova vida e do apoio que Lua deveria receber do pai e dos avós. Depois, dois criados trouxeram para uma mesa ao lado do Iluminado uma pia com água do rio. A Rainha tirou o vestido de Lua e meteu a menina na pia. Lua começou a rir, feliz, pensando que estava apenas a tomar um banho rotineiro. O Iluminado formou uma concha com a palma da mão e verteu água por todo o corpo de Lua, que em momento algum reclamou. Bateu com as mãozinhas na água fresca e soltou uma gargalhada que deliciou toda a gente.
- Lua, que a pureza e a frescura da água façam de ti um ser humano humilde e forte, simples e vencedor. – eram as palavras que o Iluminado tinha de dizer em todos os baptizados. A Rainha, assim que estas palavras foram ditas, tirou Lua da pia e o avô materno, o seu Protector, cobriu-a com uma toalha branca.
Rafael nunca ergueu o olhar para ver o que faziam com a sua filha. Alguns, poucos, convidados repararam nesse facto, comentando entre si. Uns compreendiam a posição de Rafael, sabiam o quanto ele amava a mulher e o quanto fora inesperada a sua morte. Outros acusavam-no em silêncio de ser demasiado frio para com a sua filha, que não tinha culpa da morte da mãe.
A seguir à cerimónia seguiu-se um belo lanche, no salão de festas do castelo. Todos comeram e beberam os mais variados pratos. Lua passeou de colo em colo, distribuiu sorrisos por todos e ainda deu uns passitos por entre as mesas. A Rainha andava sempre de volta dela, preocupada com a possibilidade de Lua se magoar. O velho lenhador olhava embevecido para a neta. Gostava de lhe pegar ao colo e beijar-lhe a face. O Rei andava de um lado para o outro a cumprimentar os convidados. Rafael fechou-se no quarto e não o voltaram a ver naquele dia.
O tempo foi passando e Lua crescia a olhos vistos. Era o orgulho dos avós e a felicidade daquela casa.

Um ano!


Já lá vai mais de uma semana, mas queria apenas marcar aqui uma data especial... obrigada por um ano mágico, meu anjo!

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Até sempre, minha Pirolita...



Para uns pode ser apenas um rato...para mim foi "apenas" o meu primeiro animal de estimação a sério. Era quase tão inteligente como um cão ou um gato e foi uma grande companhia para a família durante mais de um ano. Apenas aqui queria marcar para sempre o meu afecto por ela e a falta que me irá fazer. Até sempre, Pirinho...

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Fééééééérrrrrrrrrriiiiiiiiiiiiiaaaaaaaaaaaaassssssssssss!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!


Bem, seis cadeiras feitas, um semestre sofrido, aulas secantes...realmente não foram os melhores meses em termos lectivos...e para compensar, tirei 2 dias (muito roubadinhos) de férias: 'bora pra terra do Renato :P Ficam algumas fotos pra recordação...






Almourol... (para quem não sabe, aquele castelo que fica no meio de uma ilha)








Bem, para quem não sabe, eu tenho vertigens...tou sempre com a mania de que vou cair e tal (quando na realidade estou apenas a um metro do chão). Por isso, isto foi um grande feito pra mim :P



Hehe!!

3ª Parte do 3º Capítulo "Morte e Vida"


Quinze dias se tinham passado desde a morte de Safira, e Rafael continuava mergulhado num mar de amargura. Recusava-se a sair do quarto, nunca queria ver a filha, deixando esse assunto ao encargo das empregadas, quase não comia, tinham que lhe levar uma bandeja ao quarto e nem sequer ia à capela para visitar Safira. Os Reis estavam muito preocupados com o filho, tentaram várias vezes falar com ele, até que ele lhes gritou que o deixassem em paz e então desistiram. Rafael emagrecera bruscamente, os seus cabelos negros começaram a tornar-se grisalhos e a sua pele ressequida. Passava dias e noites sentado na poltrona do seu quarto, onde Safira tantas vezes se instalara durante a gravidez acariciando a enorme barriga e olhando distraidamente pela janela. Algumas vezes foi até à varanda, mas era como se o ar puro o queimasse, pois voltava de imediato para dentro.
O ambiente no castelo também estava mudado. O silêncio reinava, os Reis jantavam sozinhos, as visitas e festas constantes tinham cessado. Apenas Lua quebrava todo aquele silêncio mórbido com os seus choros agudos. Apenas ela trazia alegria àquele lar. O seu avô materno já a fora visitar uma vez, e chorara ao pegar-lhe. Recordava-se do dia em que vira a filha pela primeira vez. Tão pequenina e tão frágil. No entanto, tão serena. E no seu intimo apenas pedia que Lua não sofresse o que Safira sofrera um dia, ao perder a sua mãe tão repentinamente. Apesar de que já não tinha uma mãe para perder. E o velho lenhador recomeçou a chorar, ao pensar nisso.
Com o passar do tempo, algumas coisas voltaram à normalidade, mas outras ficaram como estavam. Rafael não se habituara à ideia de ter perdido Safira e nem Lua o fazia voltar a sorrir. Passava os dias no quarto ou então saía, sem dizer onde ia e voltava largas horas depois, com os olhos inchados. Por vezes aparecia no grande salão para jantar ou almoçar com os pais. Tornou-se uma pessoa ríspida, silenciosa, amargurada. Não voltou a ser o Rafael que conquistava o mundo com a sua simpatia e bondade.
Os Reis tudo faziam para trazer a normalidade ao castelo. Cuidavam da neta com todo o carinho, tentando fazer com que não lhe faltasse nada. A menina crescia saudável e quando fez um ano de idade foi baptizada, como mandava a tradição. Foi uma cerimónia alegre, no castelo, mas todos sentiam ainda a falta de Safira.
O dia amanheceu claro e fresco. Todos os empregados do castelo andavam atarefados, uns tratavam das mesas e dos manjares, outros da decoração do grande salão de festas, outros ainda aparavam a relva e as árvores do jardim. As criadas mais antigas da família estavam encarregues por Lua. A pequena princesa começava a dar os primeiros passos, era muito curiosa, querendo descortinar tudo o que lhe aparecia pela frente. Aprendera já algumas palavras, chamava o vovô e a vovó. Mas nunca dissera pai. Rafael não era muito presente na vida da filha, não acompanhava os passos do seu crescimento, como era suposto os pais fazerem. Os Reis insistiam com o filho, tentando demovê-lo e dizendo que se continuasse a ignorar Lua, ele seria apenas um conhecido quando esta crescesse. Mas Rafael pouco ou nada mudara, relativamente ao seu comportamento. Tratava Lua como se fosse apenas a filha de uma das empregadas. Nos últimos meses ia vê-la dormir, por poucos minutos, mas nunca lhe falara, nunca lhe pegara ao colo, nunca se preocupara com a sua educação nem com a sua saúde. Os Reis andavam muito preocupados com esta atitude pouco receptiva de Rafael, receando que ele estive com uma profunda depressão. Pediam-lhe constantemente que falasse com o conselheiro Real, mas nem isso Rafael fazia. Vivia num mundo à parte, nada nem ninguém lhe interessava, apenas as recordações de Safira o mantinham vivo.
Todos os convidados esperavam ansiosamente no jardim bem arranjado. Mais de uma centena de pessoas da grande nobreza, amigos mais chegados e o avô materno de Lua. Os habitantes da Floresta Dourada haviam ficado de fora da festa, como sempre acontecia. A única festividade em que Reis e Povo se juntavam era no Baile da Primavera.
Todos estavam vestidos a preceito, as damas com longos vestidos de roda, enfeitados com rendas douradas e prateadas, os cabelos presos no alto da cabeça. Os senhores usavam calças justas, botas até ao joelho, e casacos compridos. Geralmente usavam uma cartola na cabeça.
O jardim do castelo era o maior que se conhecia. Tinha enormes árvores centenárias, iguais às que existiam na Floresta Dourada, arbustos com frutos vermelhos, de aspecto apetitoso, canteiros com as mais belas flores. Todos os dias dezenas de homens trabalhavam naquele jardim, de forma a que se mantivesse sempre perfeito.
Bem no centro do jardim e em frente à majestosa entrada, havia uma fonte. Era uma enorme e frondosa árvore de pedra branca, sem flores ou frutos, e a água brotava do interior do seu tronco, que tinha uma abertura muito subtil, e passava despercebida aos mais distraídos. Dava a ideia de que o tronco transpirava aquela água, mantendo-o sempre húmido. Essa água provinha do pequeno rio que atravessava o jardim. Era uma água límpida e fresca. Lua seria baptizada com a água desse rio, como todos os membros da família real.
O castelo era bastante simples. De pedra branca, tal como a árvore da fonte, era de forma quadrangular, com uma torre em cada canto. Essas quatro torres tinham forma arredondada e eram mais altas que o restante castelo. Todas as janelas eram quadradas, enfeitadas com vitrais de todas as cores. Como o interior do castelo era também de pedra branca, quando o sol incidia nas janelas, as cores eram projectadas nas paredes, fazendo um efeito que todos admiravam. A porta era de madeira escura, de traços rectos, com batentes de ferro.
Numa zona do jardim em que não existiam árvores nem arbustos, apenas relva, ideal para grandes festas, haviam posto pequenos bancos de madeira para os convidados, e cinco cadeiras de braços. Ali iriam sentar-se os Reis, Rafael, o avô materno de Lua e o Iluminado, que presidia a cerimónia. As cadeiras estavam voltadas para os convidados, de modo a que todos pudessem ver a família Real. O avô de Lua seria o Protector. O Protector era a testemunha do baptizado, a pessoa responsável pela criança caso acontecesse algo aos pais que os impedisse de cuidar dela. Os Reis tinham escolhido o velho lenhador, uma vez que a Lua ficaria a viver no castelo. Assim a menina nunca perderia o contacto com as suas origens. O senhor ficou muito comovido com o convite e aceitou de imediato.
Passavam poucos minutos das três da tarde quando os Reis desceram os degraus da entrada do castelo até ao jardim. O Rei trazia Lua ao colo, a Rainha caminhava do lado direito do marido, Rafael do lado esquerdo, o velho lenhador atrás e o Iluminado à frente, abrindo o pequeno cortejo. Era ainda o mesmo que fizera o funeral de Safira. Trajava com um longo manto branco, que condizia com a sua barba. O Rei usava um casaco de veludo azul escuro que lhe batia na cinta. Tinha botões dourados, assim como as rendas na ponta das mangas. As suas calças eram da mesma cor do casaco e as botas pelo joelho eram pretas, com desenhos dourados. Usava a sua coroa de ouro, extremamente pesada e trabalhada. O Rei achava-a muito desconfortável, mas a tradição mandava que se usasse a coroa em dias de festa no castelo. A Rainha usava um dos seus vestidos de veludo, tal como o marido, azul céu com rendas brancas. O cabelo estava preso pela coroa dourada, no alto da cabeça. Era uma coroa bem mais simples, cravejada com três esmeraldas. O velho lenhador vestia a melhor roupa que encontrara no armário, um casaco pelo joelho, de fazenda, castanho, e umas calças beges, já amareladas pelo tempo.
Rafael trajava de preto, de resto a cor que usava todos os dias. Era um fato parecido com o do pai, em veludo, com rendas douradas. Notava-se que estava ainda muito em baixo, não ergueu o olhar para os convidados, fixando o chão o tempo todo.
A pequena Lua usava um vestido simples, branco, com bordados rosa, desenhando umas flores em volta da bainha. Na cabeça trazia um chapéu da mesma cor e do mesmo tecido do vestido, também com bordados rosa. Toda a gente ficou encantada ao ver a menina. Tinha uns olhos enormes como os do pai e verdes como os da mãe. As suas feições eram delicadas, a pele muito pálida, mas notava-se já uma determinação no seu olhar. Lua nascera para reinar.

segunda-feira, 31 de dezembro de 2007

Balanço 2007... balanço positivo...

Mais um ano que chega ao fim...para mim, um ano de grandes mudanças, grandes lutas, grandes conquistas...talvez a maior delas seja ter conquistado a confiança do meu pai... foi um ano em tudo diferente, em tudo melhor, com muitas alegrias, muitas lágrimas derramadas, sendo a maior parte delas de felicidade...que assim seja sempre, ao lado das pessoas que amo...principalmente do meu maior tesouro, que sempre me apoia, sempre está ao meu lado, e que faz da minha vida uma caixa de boas surpresas...para todos e com um beijo especial para o Renato...

FELIZ 2008

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quinta-feira, 27 de dezembro de 2007

E venha a passagem de ano :P



Pois é, pessoal, o Natal passou, estamos fartos de doces (eu estou, pelo menos), mas venha daí a passagem de ano...a jogar Bingo com o resto da família, como já é tradição :P Prendinhas, prendinhas...bem, o meu pai teve a fantástica ideia de me oferecer um boneco de neve que dança e canta :S Recebi também um pijama da Hello Kitty (tão fofo!), uns chinelos com borboletas, um livro da Danielle Steel, money...afinal a minha família até conhece os meus gostos!!!

Pronto, era para vos desejar um feliz ano de 2008, assim cheio de coisas boas...saúde e amor acima de tudo, para todos.

Já agora, um conselho...meninas, se o vosso pai ainda não está habituado ao vosso namorado, lembrem-se de esconder as tesouras quando ele for a vossa casa...pode provocar equívocos traumáticos!!! :P (Tem calma, Renato, o meu pai estava apenas a amolar a tesoura da minha mãe ;D)

domingo, 23 de dezembro de 2007

"All I want for Christmas is you..."


Vejo-me numa rua... uma rua da minha cidade...melhor, uma rua da minha grande cidade... Toda ela iluminada, com milhões de luzes de todas as cores. Varandas, árvores, igrejas, montras...tudo isto coberto de inumeras lâmpadas...muito pequeninas, dando uma ideia de pequeninas estrelas que brilham para nós. Sinto frio, mas é bem-vindo, afinal Natal que é Natal tem de ser passado à lareira. E para ser passado à lareira, tem de estar frio lá fora.

Guimarães em peso parece ter saído à rua, pois vejo-me com dificuldade em avançar pelo passeio, junto às lojas.

Em todas as casas se ouvem melodias de Natal, que toda a gente já conhece de cor, que toda a gente entoa e dou por mim também a cantarolar.

As crianças passeiam de mãos dadas com as mães, pedindo isto e aquilo. Há quem defenda que o Natal é para as crianças. E eles parecem saber isso.

Há gritos, risos, palavras soltas, música, beijos...a rua é linda, o ambiente é mágico, o calor humano sente-se. As pessoas desejam "boas festas" com alegria.

Por momentos, este parece ser um mundo perfeito, sem guerra, dor, tristeza. Também me deixo levar por esta aparente paz e felicidade. E no meio de um sorriso, percebo que afinal nem toda a magia, alegria e paz são capazes de me reconfortar...sempre defendi que o verdadeiro espírito natalício está nos sentimentos e não nos objectos ou nos presentes...e a pessoa que amo não está perto de mim, para partilhar toda esta luz da rua da minha cidade... porque..."All I want for Christmas is you"...

Espero que tenhas um bom Natal... Amo-te, meu Anjo!

sábado, 22 de dezembro de 2007

FELIZ NATAL!!!


Bem, o semestre foi complicado, muito trabalhoso e pouco produtivo...momentos maus, tristezas, lágrimas com fartura...mas mais que tudo isto foi um semestre de alegrias, sorrisos... e então cá estou eu a desejar a toda a gente que por aqui passa um FELIZ NATAL, recheado de magia, amizade, COMIDA, felicidade, PRENDAS, mas acima de tudo... AMOR!!!

terça-feira, 13 de novembro de 2007

2ª Parte do 3º Capítulo "Morte e Vida"


Assim que chegaram ao espaço circundante da capela, todos pararam, formando um semicírculo enorme, entre pessoas e animais. O caixão foi transportado até ao centro do semicírculo, de modo a que todos o pudessem ver. Rafael, os Reis e o velho lenhador posicionaram-se ao lado da urna, voltados para todos os outros. As crianças aproximaram-se e pousaram as flores em cima do caixão, transformando-o num imenso jardim. Algumas passaram a mão pela cabeça dos cavalos. Outras, intimidadas, tentavam esquivar-se o máximo possível àqueles animais.
O Iluminado aproximou-se também e benzeu Safira, com um gesto simples. O Iluminado era um homem, o mais velho de todos os homens ao serviço do castelo. Era ele quem presidia a todas as cerimónias: casamentos, baptizados, funerais… Este Iluminado não tinha casado Safira e Rafael, pois vintes anos antes havia um outro homem mais velho, que morrera entretanto.
Ele virou-se para a multidão.
- Nem sempre a vida nos faz sorrir. – O Iluminado era ainda um homem forte. Quase calvo e com uma farta barba, fazia lembrar os velhos feiticeiros das histórias de magia. Os seus olhos eram negros e profundos, mas a sua expressão era suave, parecia ser alguém em quem se pode confiar. - Por vezes prega-nos partidas para as quais não estamos preparados. Safira partiu, deixando um Príncipe viúvo e uma criança órfã de mãe. Mas alegremo-nos, irmãos. Safira sempre foi uma mulher feliz, amou e foi amada e deixou-nos uma criança linda, que um dia será vossa rainha. O seu nome é Lua, como a mãe tanto desejava, e é nela que agora devemos focar-nos. Porque a criança é fruto de um grande amor e o maior tesouro que Safira nos podia ter deixado. – Fechou os olhos, visivelmente emocionado. Poucos eram os que não choravam e Rafael sentiu-se ainda mais fraco. Não sabia como ia enfrentar a vida sem a sua amada. Não sabia como podia educar a sua filha se a única pessoa em que conseguia pensar era Safira.
O Iluminado continuou.
- Irmãos, para que Safira seja um exemplo para todos nós, para que sempre seja recordada como a menina doce que adorava a natureza, vamos pedir-lhe a sua protecção. – De seguida, com a ajuda do velho lenhador, abriu o caixão, deixando o corpo pálido de Safira à vista de todos. A multidão formou uma só fila e cada um foi até Safira, pedir a sua protecção. De seguida davam-lhe um beijo suave na testa, em sinal de respeito.
Para Rafael foi uma eternidade. Parecia-lhe que o número de pessoas crescia. A noite já tinha caído, quando finalmente se deu por encerrada a cerimónia. O caixão foi novamente fechado e depois quatro homens fortes colocaram-no ao lado do da mãe de Safira, dentro da capela. A capela transformou-se num verdadeiro jardim. Havia flores espalhadas por todo o lado. Rafael e os pais foram os últimos a abandonar o local. Depois seguiram caminho até ao castelo.

sábado, 10 de novembro de 2007

Por esta eu não esperava...

Epá, ganda surpresa hoje!!! Vocês (meninas, principalmente) estão a ver os tempos do básico, em que tinham um grupinho, aquele grupinho que andava sempre convosco, com quem conversavam sobre os gajos bons da escola, sobre as vossas coisas mais intímas, com quem iam ao shopping... aquele grupinho de amigas muito unido e que muito provavelmente (porque há sempre excepções) deixou de ser o vosso grupinho, mas continuam amigas e quando se juntam fartam-se de conversar e recordar os tempos de adolescência? Bem, eu também tive vários grupinhos, mas um que me marcou bastante foi o do 9º ano: eu, a Guida e a Nina. A Guida é aquela pastrôncia (carinhosamente falando) com quem estou quase todos os fins-de-semana e será sempre a minha amiga, até porque vivemos na mesma freguesia... a Nina emigrou para França (adversidades da vida) há quase dois anos, e desde então, não a via. Soube recentemente que teve um filhote (o Alexandre). E que viria a Portugal muito em breve. Fiquei ansiosa por ver o pimpolho da minha amiga, afinal é a primeira de nós a ser mãe, há sempre aquela emoção... e hoje enquanto estudava, alguém bateu à porta...




Por esta eu não esperava! Felicidades, miúda! E pó pimpolho também :)