
terça-feira, 15 de abril de 2008
Palavras sinceras...

quinta-feira, 10 de abril de 2008
quarta-feira, 9 de abril de 2008
Palavras que ilucidam os dias de hoje... e o que vai na alma de cada um...

Há perguntas que têm que ser feitas...
terça-feira, 8 de abril de 2008
segunda-feira, 7 de abril de 2008
Balanço dos 3 primeiros meses de 2008...
A Piro ficou doente e foi-se... incha, desincha e passa, né? Agora tenho um hamster novo, amarelo e de olhos vermelhos, que faz mais barulho durante a noite que uma rebarbadora durante o dia! :P Mas é fofinho, o bicho.
Eu e o Renato fizemos um ano de namoro e nada melhor (ou pior) que comemorar jantando num japonês. Tive mesmo de trocar de prato com o Renato, porque depois daquelas coisas redondas com atum eu só queria mesmo fugir dali!!!
E depois há o fantasma que anda a gastar a minha internet em Guimarães. É do género: a net desligada e no dia seguinte vai-se ver e há tráfego utilizado. Giro, não?
E a família vai aumentar: a minha madrinha vai ter um bebé!!! WEEEEEEEEE!!!!! (enquanto não posso ter os meus, há que me contentar com os dos outros).
Lá se foram as primeiras saídas de campo, fiquei enterrada até aos joelhos e não caí!
Bem, nunca pior, posso dizer que a vida nem me corre muito mal :P
BJS pra todos!!!
3ª Parte do 4º Capítulo "Lua"

Quando entrou pelo portão das traseiras sentia-se cansada, mas feliz por nada lhe ter acontecido. Tinha as faces coradas e o cabelo revolteado. Entrou pela porta por onde saíra e logo encontrou uma cozinheira que por ali passava. Parecia que procurava algo.
- Menina! Sabe que toda a gente do castelo anda à sua procura? - era uma mulher gorda e corada, uma cozinheira à séria. Usava um grande avental e uma chapéu ridículo. Lua olhou-a de canto e não fez caso, percorrendo o corredor que conduzia o pequeno cubículo até à cozinha, e a da cozinha para a sala de jantar. Ao passar pela cozinha, dúzias de empregados gritaram: “Está aqui!” Mas Lua continuou, sempre de cabeça erguida, ignorando os lamentos de preocupação e as suaves reprimendas. Quando entrou na sala de jantar, a mesa estava posta e Lua sentou-se numa cadeira. A sala estava vazia, mas sabia que não tardaria a chegar alguém, pois era quase hora do jantar. Tirou o manto e acomodou-o nas costas da cadeira. Pousou a bolsa no seu colo e atirou os cabelos negros para trás. Sabia que a boa educação a mandava ir lavar as mãos e esperar pelo pai e avós antes de se sentar. Mas Lua achava as regras do castelo uma fachada e fazia de tudo pra as infringir. Viu a cozinheira gorda sair da cozinha e correu por outro corredor, provavelmente para avisar os reis de que a menina havia reaparecido. E foi com ar sereno e frio que Lua viu o pai chegar à sala de jantar. Estava visivelmente furioso e mais uma vez Lua teve medo. Medo e apreensão... os únicos sentimentos que nutria pelo pai. O pai nunca fora capaz de demonstrar afecto por ela, nunca haviam conversado sobre fosse o que fosse, nunca passearam juntos. Lua achava que já falara mais com qualquer um dos empregados do castelo do que com o pai. Apesar de não dar confiança a ninguém. Rafael nunca lhe dirigira mais que simples frases, frias e directas, como: “Vai lavar as mãos para jantar.” ou “Vai dormir.” Até aos quatro anos, Lua tentara conquistar o coração do pai. Aparecia diversas vezes a meio da noite no quarto do Príncipe, pois sentia-se sozinha. Mas o pai estava sempre a dormir, ou assim parecia. Lua repetiu o ritual várias vezes, até ao dia em que encontrou o pai olhando a fotografia da mãe, com lágrimas nos olhos. Ele não a tinha ainda visto e ela aproximou-se mais um pouco. Quando Rafael viu Lua tão perto de si, começou a gritar com ela, mandando-a embora, empurrando-a para fora do quarto e fechando-lhe a porta. Foi nesse momento que Lua percebeu que o pai a culpava pela morte da mãe. E sentiu-se revoltada pois o que mais queria naquele mundo era ter a sua mãe por perto. Foi nessa altura que ela deu o salto; cresceu demasiado depressa para uma criança da sua idade.
- Lua, quero-te imediatamente no meu escritório. - rugiu Rafael, com uma expressão ameaçadora. Voltou costas à mesa, sem deixar a filha argumentar. Lua voltou a pôr a sua bolsa a tiracolo e arrastou os pés, atrás do pai. Passou pela empregada gorda, que a olhava com pena, mas Lua ignorou. Tinha o coração a bater desordenadamente, mas tentou parecer calma. Baixou a cabeça e o cabelo cobriu-lhe a cara, que continuava rosada.
O pai entrou no seu escritório, por uma das inúmeras portas daquele castelo. Mesmo Lua achava que ainda não conhecia todas as divisões. Entrou logo atrás do pai e fechou a porta. O pai sentou-se na cadeira forrada a veludo vermelho, por detrás de uma secretária bem antiga, de pinho escuro e com finos traços esculpidos. Fez sinal a Lua para que se sentasse também. A menina sentou-se então numa cadeira semelhante à do pai e de frente para ele. Rafael entrelaçou os dedos, debruçou-se sobre a secretária, de modo a ficar mais perto da filha, e perguntou, sempre com a mesma expressão fria.
- Onde estiveste a tarde toda?
Lua já esperava por aquela pergunta.
- Fui dar um passeio. - também os seus olhos eram frios.
Rafael suspirou com impaciência.
- Um passeio por onde? Tens consciência de que toda a gente do castelo andou à tua procura? Até no jardim procuraram por ti! Tu pensas que não temos mais que fazer do que andar a brincar às escondidas com uma criança inútil. - o seu tom de voz subira gradualmente, até se transformar numa série de gritos que faziam vibrar os tímpanos de Lua.
- Fui dar um passeio. - repetiu, tentando não demonstrar a tremura na voz.
Rafael levantou-se irritado e começou a andar de um lado para o outro, sempre na mesma direcção. Quando parou, voltou a fixar Lua, cada vez mais irritado. Lua imaginou que o pai deitava fumo pelas narinas.
- É a última vez que te pergunto, Lua! Onde estiveste esta tarde?
Lua não respondeu e fingiu que prestava atenção aos livros que se encontravam na estante atrás da secretária. Todos eles lhe pareciam iguais, mas sabia que as letras eram diferentes. Ainda não aprendera a ler, apesar de o pai já ter contratado um professor para a ensinar.
- Estiveste com o velhote, não estiveste? - aproximou-se tanto de Lua, que esta ficou com dores no pescoço de olhar tão para cima. - Foste a casa desse pobre lenhador outra vez, não foste? - assim tão próximo, Lua viu que o pai poderia ter sido um homem bonito em tempos. Por detrás de todas aquelas rugar, daquele olhar frio e daquele cabelo grisalho, Rafael teria com certeza sido um sucesso entre as mulheres.
Como Lua não respondia, Rafael soltou uma espécie de rugido animalesco e fez algo que nunca pensara fazer: bater na sua filha indefesa.
Lua levou a mão à cara, com as lágrimas nos olhos e olhando com tanta raiva o pai, que se o sentimento agisse a destruição seria total.
Rafael virou as costas à filha e o silêncio fez-se sentir durante longos minutos. Lua só queria sair daquela sala, mas não fugiu, para não parecer cobarde. Segurava bem a sua bolsa entre as mãos. Como se aquele presente do avô lhe pudesse dar alguma força. Limpou as lágrimas com as costas da mão e ergueu a cabeça, preparada para o que se seguisse.
Mas depressa descobriu que não estava preparada para ouvir o que ouviu.
- Se voltas a encontrar-te com esse homem... - Rafael continuava de costas, como de falasse com uma parede. - Ele morre. - e num ápice saiu do escritório, deixando Lua incrédula sentada na cadeira. Lua tinha a certeza de que se estivesse de pé, os seus joelhos teriam cedido. Não conseguiu controlar a torrente de lágrimas que assaltava os seus olhos e sentiu a sua cabeça muito pesada... como os adultos, quando sentem o peso das responsabilidades.
domingo, 6 de abril de 2008
Sobre o livro "Lua" e 2ª Parte do 4º Capítulo "Lua"
Agradeço os comentários da Joana, que sei que acompanha com entusiasmo a evolução da história.
O que eu queria mesmo dizer, é que os excertos que vou publicando aqui não estão revistos. Portanto, não estranho se houver erros, ou gaffes temporais ou de qualquer outro género. É apenas para terem uma ideia, porque eu vou corrigindo à parte.
E aproveitanto o título do post... não sei bem como me surgiu a ideia de escrever Lua. Tinha acabado o livro "Borboleta" (que eu prometo um dia mostrar, mas que por enquanto precisa de muita "atenção") e o nome Lua surgiu-me de uma música (não faço ideia de quem canta, nem me lembro da letra) que acho que se chamava "Feiticeira Lua". Gostei tanto que resolvi criar uma história a partir daí. Este livro está a ser escrito de forma diferente dos outros dois (sim, há um outro, que se chama "Saber sonhar", mas que está na gaveta, que é onde está bem. Talvez quando me faltarem ideias eu me dedique àquilo). Em vez de ter uma história programanda, ela vai saindo à medida que escreve. Portanto, eu não faço a minima ideia de como acaba e nem imagino o que vai acontecer pelo meio. às vezes dá-me uma inspiração e lá escrevo qualquer coisa interessante. Apenas sei que o livro é de fantasia, mas ainda não sei que tipo de fantasia vou meter. Talvez algo reacionado com magia, mas nada de varinhas. Qaulquer coisa mais subtil e elegante. :P
E pronto, cá está mais um pouquito.
- Lua! - e abraçou-a, da maneira que Lua adorava. - Entra, está muito frio aí fora.
Entraram na pequena casa, aquecida pelo fogo que ardia na lareira. Lua sentou-se na cama do avô, depois de tirar o manto. A casa tinha apenas uma divisão. A cama do lado direito, bem perto da lareira, para nas noites de Inverno usufruir do calorzinho que dela provinha. Era uma cama pequenina e Lua ainda não percebia como a sua mãe podia também lá morar. Talvez houvesse outra cama na altura.
No centro havia uma mesa redonda, com três cadeiras à volta. Em cima tinha uma jarra com flores frescas.
Do lado esquerdo era a cozinha, que se resumia a um pequeno armário com algumas peças de loiça, e uma bacia, sempre cheia de água. As refeições eram preparadas à lareira e Lua dizia que os cozinhados do avô eram melhores que os do castelo.
- Têm mais sabor. - afirmava ela.
A um canto havia uma minúscula casa-de-banho, onde mal cabia uma pessoa. Lua tentava imaginar como anos antes podiam ali ter vivido três pessoas.
Era uma casa muito pobre e pequena, mas Lua adorava-a, não tinha o aspecto frio e austero do castelo. Tinha antes um ar acolhedor e simpático, e apenas ali se sentia totalmente feliz.
- Então diz-me lá... - começou o avô, enquanto preparava um copo de chocolate quente, que a neta tanto adorava. - O teu pai sabe que estás aqui?
Lua olhou-o com os olhinhos brilhantes e com um sorriso travesso.
- Não... ninguém sabe.
- Como sempre... mas tu não aprendes? Qualquer dia acontece-te alguma coisa pelo caminho e ninguém sabe onde estás! - sentou-se também na cama, ao lado de Lua.
- Não se preocupe. Eu tenho cuidado. Eu sou responsável, sabe?
O velho lenhador sorriu, orgulhoso da sua neta. Achava incrível que com aquela idade, Lua tivesse já uma inteligência bastante avançada.
- Sim, eu sei que já és uma mulher grande. Mas deves sempre avisar quando sais de casa. Deves dizer onde vais e a que horas voltas. O teu pai pode ficar preocupado desnecessariamente.
- Não fica... - ficou alguns segundos a pensar e depois abriu muitos os olhos e agarrou o braço do avô com entusiasmo. - Avô, conte-me uma história!
- Que queres que te conte? - entregava agora a chávena de chocolate quente à neta, que o bebeu deliciada, ficando até com os cantos da boca sujos.
- Não sei. Fale-me da minha mãe.
- Outra vez? Pronto, está bem! - pegou num fino ramo de árvore, pousado ao lado da cama, e remexeu as brasas que se formavam na lareira. Depois olhou a neta e sorriu, com saudade. - A tua mãe era muito parecida contigo. Também desaparecia de casa sem avisar e voltava a horas tardias. Quando aqui chegava trazia sempre nas mãos as mais lindas flores. Flores que eu próprio jamais vira. E com elas fazia colares que usava ao pescoço. - fez uma pausa, fazendo um esforço visível para não chorar. Já não se sentia à vontade para olhar Lua, então olhava o fogo que ardia. - Mais que flores, ela adorava animais. Qualquer bicho para ela era um sonho. Adorava poder pegá-los, acarinhá-los e cuidar deles quando estavam feridos. Era mesmo muito carinhosa... - Lua viu uma lágrima nascer ao canto do olho do avô, mas fingiu não a ver. Não sabia como reagir perante uma pessoa que chorava, então ignorava esse facto.
- E ela também trazia os animais para casa? - perguntou, curiosa e adorando o facto de poder saber um pouco mais sobre a sua mãe.
O avô abanou ligeiramente com a cabeça e quando ia recomeçar a falar, engasgou-se e não conseguiu impedir um violento ataque de tosse. Durante alguns minutos tossiu, ficando com as faces muito ruborizadas. Lua começou a ficar aflita, com medo por ver o avô tão fragilizado.
- Está tudo bem, avô? - só ao fim de uns segundos, o velho lenhador conseguiu recuperar e responder.
- Sim, não te preocupes, minha querida. Sabes que já não sou novo e este frio dá cabo de mim. - foi buscar um copo de água, que bebeu de uma só vez.
- O avô devia ir viver connosco no castelo. Temos lá tantos quartos vazios. - estava realmente preocupada. O avô era a pessoa de quem mais gostava. Também tinha um carinho especial pelos avós paternos, mas era o velho lenhador quem tinha sempre histórias bonitas para contar e acima de tudo falava-lhe da sua mãe. Mais ninguém podia contar história da sua mãe: os avós paternos pouco ou nada sabiam e o pai mal lhe dirigia a palavra. Por vezes, no seu íntimo, Lua achava que o pai a culpava pela morte da mãe. E era isso que a fazia odiar tanto a vida no castelo.
- Tu ainda és muito nova para compreender. - sorriu – Eu nasci e cresci nesta casinha. Aqui vivi e fui feliz com a tua avó e com a tua mãe. Eu pertenço a esta casa, quero morrer aqui.
Mas no fundo, Lua compreendia o que o avô queria dizer. Ela própria se sentia mais aconchegada na casa do avô do que no castelo. Também sentia que pertencia ali.
- Mas se o avô fosse viver para o castelo, eu poderia cuidar de si... e podíamos brincar juntos, e passear no jardim... - e um enorme sorriso resplandeceu na face da pequena, que era uma verdadeira sonhadora.
- Aceito o convite, minha Lua, e prometo que vou pensar no assunto. - sorriu e depois olhou pela janela. - Está a anoitecer, tens de ir para casa. O teu pai deve estar muito preocupado e eu também ficarei. Está tão escuro que receio que algo te aconteça pelo caminho.
Lua olhou também pelos vidros baços e, com tristeza, levantou-se para partir e colocou o manto aos ombros.
- Não se preocupe, avô, eu sei cuidar de mim e prometo chegar antes do pôr-do-sol a casa. Sabia que eu corro tão depressa como uma lebre?
O avô soltou uma gargalhada sonora e abraçou a neta, orgulhoso da maravilhosa neta que herdara.
- Posso oferecer-te um presente, meu pequeno tesouro? - e vendo que o olhar de Lua se iluminava, procurou qualquer coisa debaixo da cama. Foi com dificuldade que se baixou e depois se levantou, mas conseguiu agarrar o objecto que queria. Estendeu-o a Lua, que o pegou com curiosidade.
- O que é, avô? - estava embrulhado em cartão amarelecido. Voltou-o várias vezes e apalpou-o, sem perceber o que tinha entre mãos.
- Abre-o quando chegares a casa. Agora, põe-te a caminho, não te demores mais. - Lua guardou o embrulho na sua bolsa e deu um beijo no avô. Depois correu pelo caminho de volta a casa, sem parar momento algum, cumprindo a promessa de chegar antes do pôr-do-sol.
sexta-feira, 4 de abril de 2008
Ronan Keating
Sometimes late at night
I lie awake and watch him sleeping
He's lost in peaceful dreams
So I turn out the light & lay there in the dark
And the thought crosses my mind
If I never wake in the morning
Would He ever doubt the way
I feel about her
in my heart
If tomorrow never comes
Will He know how much I love Him
Did I try in every way to show Him every day
He's my only one
And if my time on earth were through
He must face the world withoum me
Is the love I gave Him in the past
Gonna be enough to last
If tomorrow never comes
'Cause I've lost loved ones in my life
Who never knew how much I loved them
Now I lie with the regret
Thet my true feelings for them never were
revealed
So I made a promise to myself
If tomorrow never comes
Will He know how much I love Him
Did I try in every way to show Him every day
He's my only one
And if my time on earth were through
He must face the world withoum me
Is the love I gave Him in the past
Gonna be enough to last
If tomorrow never comes
So tell that someone that you love
Just what you've thinking of
If tomorrow never comes
................Amo-te.................
quarta-feira, 26 de março de 2008
Mais uma vez...para ti...

quarta-feira, 12 de março de 2008
Aerosmith - I Don't Wanna Miss a Thing
Porque me traz boas recordações do liceu...GUIDA, vê lá se te lembras...passeio a Lisboa, 11º ano, stôr de inglês... Bjs
1ª Parte do 4º Capítulo "Lua"

Com 6 anos, Lua era uma criança saudável, apesar do seu corpo franzino e da tez pálida. Tinhas uns cabelos negros, como os do pai, longos e lisos, que lhe batiam a meio das costas. Os seus olhos verdes estavam cada vez mais parecidos com os de Safira.
Lua, à semelhança da mãe, era muito delicada e independente. Saía muitas vezes do castelo às escondidas, por uma porta apenas utilizada pelos empregados, e descia até à floresta. A maior parte das vezes ia visitar o avô à casa que fora da sua mãe.
Sempre que Lua se escapava do castelo, todos entravam em alvoroço, procurando-a por todo o lado. E depois de horas de aflição, ela reaparecia como se nada se tivesse passado.
Ao longo dos anos, o sorriso de Lua foi perdendo o seu brilho. Tornou-se uma criança demasiado independente e fria. Já não era o bebé amoroso que toda a gente conheceu no baptizado. Raramente respondia às perguntas que lhe faziam e chegava a ser antipática por diversas vezes. A única pessoa com quem Lua gostava de estar e com quem tinha grandes conversas, era o avô materno. Quando se escapava do castelo e ia até casa do velho lenhador, perdia-se nas horas com as histórias que o avô lhe contava.
Um dia, como tantos outros, pegou no seu pequeno manto com capucho, calçou as botas até aos joelhos, agarrou na sua bolsa de pele, pô-la a tiracolo e saiu para o jardim do castelo pela sua porta secreta, sem que os empregados a vissem. Apesar de ser ainda o início da tarde, o céu estava escuro. O Inverno estava à porta e o frio fazia-se sentir intensamente. Lua correu até ao portão das traseiras, o único que não era vigiado. Era um pequeno portão de grades enferrujadas, que outrora haviam sido douradas, como as do portão principal. Nunca ninguém entrava ou saía por ali, pois o caminho a que conduzia era de difícil acesso, demasiado pedregoso e com intenso mato a ocultá-lo. Mas Lua estava já habituada a seguir por ali. Até se divertia bastante, resvalando as pedras para o lado e afastando os ramos dos arbustos com as suas delicadas mãozinhas. Esse caminho conduzia à estrada principal que ligava a Floresta Dourada ao castelo. Depois de chegar à Clareira principal, apenas tinha de seguir um curto caminho secundário até à casa do avô. De todas as vezes passava por muitas pessoas, membros do povo, que viviam na Floresta. No entanto, nenhuma a conhecia, pois nunca fora apresentada oficialmente. A única vez que aparecera em público fora cinco anos antes, no dia do seu batizado, e apenas pessoas da nobreza haviam sido convidadas.
Então nunca ninguém a reconheceu como sendo a herdeira de todo o reino.
Lua bateu à porta da pequena casa do lenhador. Era uma casa baixa, de um só andar, com uma porta de madeira escurecida pelo sol. Tinha uma janela de cada lado da porta, com os vidros tão cobertos de pó que era impossível espreitar-se por eles e ver alguma coisa para além de um vulto. Era feita de pedra, pelo que os Invernos eram complicados. Só com a lareira constantemente acesa se podia suportar o frio. Felizmente o avô era lenhador, nunca lhe faltava madeira com que se aquecer.
No alto de telhado havia uma chaminé pequena, por onde saía sempre um pequeno fio de fumo. A casa do avô não tinha jardim e quando Lua lhe perguntou porquê, ele respondeu com um sorriso: “ Eu vivo no meu da Floresta, minha filha! Para quê perder tempo com um jardim, se o tenho mesmo à porta de casa?”
Lua bateu novamente à porta, vendo que o avô demorava. Passados poucos segundos a porta abriu-se na sua frente e o velho lenhador surgiu na sua frente. Usava uma camisa de tecido grosso, já sem cor, com as mangas arregaçadas, e umas calças também muito usadas, com vários remendos nos joelhos. O seu cabelo era cada vez mais raro e os poucos que tinha eram fracos e brancos. Lua achou que o avô estava mais desgastado que o costume. Tinha o olhar cansado. Mas assim que viu a neta, o seu rosto iluminou-se.
quarta-feira, 5 de março de 2008
4ª (e última) Parte do 3º Capítulo "Morte e Vida"

Todos os convidados se sentaram, esperando o início do baptizado. Então os Reis, Rafael e o velho lenhador sentaram-se também. Apenas o Iluminado ficou de pé. Uniu as mãos em frente ao peito, encarou a multidão e começou.
- Irmãos, como sabem estamos aqui para assistir ao baptizado da pequena Lua. Como manda a tradição, o dia escolhido é o dia do seu primeiro aniversário. E como todos sabem, com certeza, esta data é também marcada pela triste perda da mãe desta menina. Portanto, antes de começar a festa, gostava que todos fizessem alguns segundos de silêncio, gostava que relembrassem o quanto Safira era importante na vida dos seus familiares e amigos. – O velho lenhador e Rafael deixaram cair uma lágrima sofrida. Todos fizeram silêncio e até a pequena Lua pareceu perceber a solenidade daquele momento, pois parou o seu monólogo que começara há alguns minutos. – E agora vamos começar então a cerimónia. – O Iluminado falou da importância de uma nova vida e do apoio que Lua deveria receber do pai e dos avós. Depois, dois criados trouxeram para uma mesa ao lado do Iluminado uma pia com água do rio. A Rainha tirou o vestido de Lua e meteu a menina na pia. Lua começou a rir, feliz, pensando que estava apenas a tomar um banho rotineiro. O Iluminado formou uma concha com a palma da mão e verteu água por todo o corpo de Lua, que em momento algum reclamou. Bateu com as mãozinhas na água fresca e soltou uma gargalhada que deliciou toda a gente.
- Lua, que a pureza e a frescura da água façam de ti um ser humano humilde e forte, simples e vencedor. – eram as palavras que o Iluminado tinha de dizer em todos os baptizados. A Rainha, assim que estas palavras foram ditas, tirou Lua da pia e o avô materno, o seu Protector, cobriu-a com uma toalha branca.
Rafael nunca ergueu o olhar para ver o que faziam com a sua filha. Alguns, poucos, convidados repararam nesse facto, comentando entre si. Uns compreendiam a posição de Rafael, sabiam o quanto ele amava a mulher e o quanto fora inesperada a sua morte. Outros acusavam-no em silêncio de ser demasiado frio para com a sua filha, que não tinha culpa da morte da mãe.
A seguir à cerimónia seguiu-se um belo lanche, no salão de festas do castelo. Todos comeram e beberam os mais variados pratos. Lua passeou de colo em colo, distribuiu sorrisos por todos e ainda deu uns passitos por entre as mesas. A Rainha andava sempre de volta dela, preocupada com a possibilidade de Lua se magoar. O velho lenhador olhava embevecido para a neta. Gostava de lhe pegar ao colo e beijar-lhe a face. O Rei andava de um lado para o outro a cumprimentar os convidados. Rafael fechou-se no quarto e não o voltaram a ver naquele dia.
O tempo foi passando e Lua crescia a olhos vistos. Era o orgulho dos avós e a felicidade daquela casa.
Um ano!
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Até sempre, minha Pirolita...
Para uns pode ser apenas um rato...para mim foi "apenas" o meu primeiro animal de estimação a sério. Era quase tão inteligente como um cão ou um gato e foi uma grande companhia para a família durante mais de um ano. Apenas aqui queria marcar para sempre o meu afecto por ela e a falta que me irá fazer. Até sempre, Pirinho...
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
Fééééééérrrrrrrrrriiiiiiiiiiiiiaaaaaaaaaaaaassssssssssss!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Almourol... (para quem não sabe, aquele castelo que fica no meio de uma ilha)
Bem, para quem não sabe, eu tenho vertigens...tou sempre com a mania de que vou cair e tal (quando na realidade estou apenas a um metro do chão). Por isso, isto foi um grande feito pra mim :P
Hehe!!
3ª Parte do 3º Capítulo "Morte e Vida"
O ambiente no castelo também estava mudado. O silêncio reinava, os Reis jantavam sozinhos, as visitas e festas constantes tinham cessado. Apenas Lua quebrava todo aquele silêncio mórbido com os seus choros agudos. Apenas ela trazia alegria àquele lar. O seu avô materno já a fora visitar uma vez, e chorara ao pegar-lhe. Recordava-se do dia em que vira a filha pela primeira vez. Tão pequenina e tão frágil. No entanto, tão serena. E no seu intimo apenas pedia que Lua não sofresse o que Safira sofrera um dia, ao perder a sua mãe tão repentinamente. Apesar de que já não tinha uma mãe para perder. E o velho lenhador recomeçou a chorar, ao pensar nisso.
Com o passar do tempo, algumas coisas voltaram à normalidade, mas outras ficaram como estavam. Rafael não se habituara à ideia de ter perdido Safira e nem Lua o fazia voltar a sorrir. Passava os dias no quarto ou então saía, sem dizer onde ia e voltava largas horas depois, com os olhos inchados. Por vezes aparecia no grande salão para jantar ou almoçar com os pais. Tornou-se uma pessoa ríspida, silenciosa, amargurada. Não voltou a ser o Rafael que conquistava o mundo com a sua simpatia e bondade.
Os Reis tudo faziam para trazer a normalidade ao castelo. Cuidavam da neta com todo o carinho, tentando fazer com que não lhe faltasse nada. A menina crescia saudável e quando fez um ano de idade foi baptizada, como mandava a tradição. Foi uma cerimónia alegre, no castelo, mas todos sentiam ainda a falta de Safira.
O dia amanheceu claro e fresco. Todos os empregados do castelo andavam atarefados, uns tratavam das mesas e dos manjares, outros da decoração do grande salão de festas, outros ainda aparavam a relva e as árvores do jardim. As criadas mais antigas da família estavam encarregues por Lua. A pequena princesa começava a dar os primeiros passos, era muito curiosa, querendo descortinar tudo o que lhe aparecia pela frente. Aprendera já algumas palavras, chamava o vovô e a vovó. Mas nunca dissera pai. Rafael não era muito presente na vida da filha, não acompanhava os passos do seu crescimento, como era suposto os pais fazerem. Os Reis insistiam com o filho, tentando demovê-lo e dizendo que se continuasse a ignorar Lua, ele seria apenas um conhecido quando esta crescesse. Mas Rafael pouco ou nada mudara, relativamente ao seu comportamento. Tratava Lua como se fosse apenas a filha de uma das empregadas. Nos últimos meses ia vê-la dormir, por poucos minutos, mas nunca lhe falara, nunca lhe pegara ao colo, nunca se preocupara com a sua educação nem com a sua saúde. Os Reis andavam muito preocupados com esta atitude pouco receptiva de Rafael, receando que ele estive com uma profunda depressão. Pediam-lhe constantemente que falasse com o conselheiro Real, mas nem isso Rafael fazia. Vivia num mundo à parte, nada nem ninguém lhe interessava, apenas as recordações de Safira o mantinham vivo.
Todos os convidados esperavam ansiosamente no jardim bem arranjado. Mais de uma centena de pessoas da grande nobreza, amigos mais chegados e o avô materno de Lua. Os habitantes da Floresta Dourada haviam ficado de fora da festa, como sempre acontecia. A única festividade em que Reis e Povo se juntavam era no Baile da Primavera.
Todos estavam vestidos a preceito, as damas com longos vestidos de roda, enfeitados com rendas douradas e prateadas, os cabelos presos no alto da cabeça. Os senhores usavam calças justas, botas até ao joelho, e casacos compridos. Geralmente usavam uma cartola na cabeça.
O jardim do castelo era o maior que se conhecia. Tinha enormes árvores centenárias, iguais às que existiam na Floresta Dourada, arbustos com frutos vermelhos, de aspecto apetitoso, canteiros com as mais belas flores. Todos os dias dezenas de homens trabalhavam naquele jardim, de forma a que se mantivesse sempre perfeito.
Bem no centro do jardim e em frente à majestosa entrada, havia uma fonte. Era uma enorme e frondosa árvore de pedra branca, sem flores ou frutos, e a água brotava do interior do seu tronco, que tinha uma abertura muito subtil, e passava despercebida aos mais distraídos. Dava a ideia de que o tronco transpirava aquela água, mantendo-o sempre húmido. Essa água provinha do pequeno rio que atravessava o jardim. Era uma água límpida e fresca. Lua seria baptizada com a água desse rio, como todos os membros da família real.
O castelo era bastante simples. De pedra branca, tal como a árvore da fonte, era de forma quadrangular, com uma torre em cada canto. Essas quatro torres tinham forma arredondada e eram mais altas que o restante castelo. Todas as janelas eram quadradas, enfeitadas com vitrais de todas as cores. Como o interior do castelo era também de pedra branca, quando o sol incidia nas janelas, as cores eram projectadas nas paredes, fazendo um efeito que todos admiravam. A porta era de madeira escura, de traços rectos, com batentes de ferro.
Numa zona do jardim em que não existiam árvores nem arbustos, apenas relva, ideal para grandes festas, haviam posto pequenos bancos de madeira para os convidados, e cinco cadeiras de braços. Ali iriam sentar-se os Reis, Rafael, o avô materno de Lua e o Iluminado, que presidia a cerimónia. As cadeiras estavam voltadas para os convidados, de modo a que todos pudessem ver a família Real. O avô de Lua seria o Protector. O Protector era a testemunha do baptizado, a pessoa responsável pela criança caso acontecesse algo aos pais que os impedisse de cuidar dela. Os Reis tinham escolhido o velho lenhador, uma vez que a Lua ficaria a viver no castelo. Assim a menina nunca perderia o contacto com as suas origens. O senhor ficou muito comovido com o convite e aceitou de imediato.
Passavam poucos minutos das três da tarde quando os Reis desceram os degraus da entrada do castelo até ao jardim. O Rei trazia Lua ao colo, a Rainha caminhava do lado direito do marido, Rafael do lado esquerdo, o velho lenhador atrás e o Iluminado à frente, abrindo o pequeno cortejo. Era ainda o mesmo que fizera o funeral de Safira. Trajava com um longo manto branco, que condizia com a sua barba. O Rei usava um casaco de veludo azul escuro que lhe batia na cinta. Tinha botões dourados, assim como as rendas na ponta das mangas. As suas calças eram da mesma cor do casaco e as botas pelo joelho eram pretas, com desenhos dourados. Usava a sua coroa de ouro, extremamente pesada e trabalhada. O Rei achava-a muito desconfortável, mas a tradição mandava que se usasse a coroa em dias de festa no castelo. A Rainha usava um dos seus vestidos de veludo, tal como o marido, azul céu com rendas brancas. O cabelo estava preso pela coroa dourada, no alto da cabeça. Era uma coroa bem mais simples, cravejada com três esmeraldas. O velho lenhador vestia a melhor roupa que encontrara no armário, um casaco pelo joelho, de fazenda, castanho, e umas calças beges, já amareladas pelo tempo.
Rafael trajava de preto, de resto a cor que usava todos os dias. Era um fato parecido com o do pai, em veludo, com rendas douradas. Notava-se que estava ainda muito em baixo, não ergueu o olhar para os convidados, fixando o chão o tempo todo.
A pequena Lua usava um vestido simples, branco, com bordados rosa, desenhando umas flores em volta da bainha. Na cabeça trazia um chapéu da mesma cor e do mesmo tecido do vestido, também com bordados rosa. Toda a gente ficou encantada ao ver a menina. Tinha uns olhos enormes como os do pai e verdes como os da mãe. As suas feições eram delicadas, a pele muito pálida, mas notava-se já uma determinação no seu olhar. Lua nascera para reinar.
segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
segunda-feira, 31 de dezembro de 2007
Balanço 2007... balanço positivo...
FELIZ 2008
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quinta-feira, 27 de dezembro de 2007
E venha a passagem de ano :P

Pois é, pessoal, o Natal passou, estamos fartos de doces (eu estou, pelo menos), mas venha daí a passagem de ano...a jogar Bingo com o resto da família, como já é tradição :P Prendinhas, prendinhas...bem, o meu pai teve a fantástica ideia de me oferecer um boneco de neve que dança e canta :S Recebi também um pijama da Hello Kitty (tão fofo!), uns chinelos com borboletas, um livro da Danielle Steel, money...afinal a minha família até conhece os meus gostos!!!
Pronto, era para vos desejar um feliz ano de 2008, assim cheio de coisas boas...saúde e amor acima de tudo, para todos.
Já agora, um conselho...meninas, se o vosso pai ainda não está habituado ao vosso namorado, lembrem-se de esconder as tesouras quando ele for a vossa casa...pode provocar equívocos traumáticos!!! :P (Tem calma, Renato, o meu pai estava apenas a amolar a tesoura da minha mãe ;D)
domingo, 23 de dezembro de 2007
"All I want for Christmas is you..."
sábado, 22 de dezembro de 2007
FELIZ NATAL!!!

terça-feira, 13 de novembro de 2007
2ª Parte do 3º Capítulo "Morte e Vida"

O Iluminado aproximou-se também e benzeu Safira, com um gesto simples. O Iluminado era um homem, o mais velho de todos os homens ao serviço do castelo. Era ele quem presidia a todas as cerimónias: casamentos, baptizados, funerais… Este Iluminado não tinha casado Safira e Rafael, pois vintes anos antes havia um outro homem mais velho, que morrera entretanto.
Ele virou-se para a multidão.
- Nem sempre a vida nos faz sorrir. – O Iluminado era ainda um homem forte. Quase calvo e com uma farta barba, fazia lembrar os velhos feiticeiros das histórias de magia. Os seus olhos eram negros e profundos, mas a sua expressão era suave, parecia ser alguém em quem se pode confiar. - Por vezes prega-nos partidas para as quais não estamos preparados. Safira partiu, deixando um Príncipe viúvo e uma criança órfã de mãe. Mas alegremo-nos, irmãos. Safira sempre foi uma mulher feliz, amou e foi amada e deixou-nos uma criança linda, que um dia será vossa rainha. O seu nome é Lua, como a mãe tanto desejava, e é nela que agora devemos focar-nos. Porque a criança é fruto de um grande amor e o maior tesouro que Safira nos podia ter deixado. – Fechou os olhos, visivelmente emocionado. Poucos eram os que não choravam e Rafael sentiu-se ainda mais fraco. Não sabia como ia enfrentar a vida sem a sua amada. Não sabia como podia educar a sua filha se a única pessoa em que conseguia pensar era Safira.
O Iluminado continuou.
- Irmãos, para que Safira seja um exemplo para todos nós, para que sempre seja recordada como a menina doce que adorava a natureza, vamos pedir-lhe a sua protecção. – De seguida, com a ajuda do velho lenhador, abriu o caixão, deixando o corpo pálido de Safira à vista de todos. A multidão formou uma só fila e cada um foi até Safira, pedir a sua protecção. De seguida davam-lhe um beijo suave na testa, em sinal de respeito.
Para Rafael foi uma eternidade. Parecia-lhe que o número de pessoas crescia. A noite já tinha caído, quando finalmente se deu por encerrada a cerimónia. O caixão foi novamente fechado e depois quatro homens fortes colocaram-no ao lado do da mãe de Safira, dentro da capela. A capela transformou-se num verdadeiro jardim. Havia flores espalhadas por todo o lado. Rafael e os pais foram os últimos a abandonar o local. Depois seguiram caminho até ao castelo.
sábado, 10 de novembro de 2007
Por esta eu não esperava...
Por esta eu não esperava! Felicidades, miúda! E pó pimpolho também :)
terça-feira, 6 de novembro de 2007
Outono...

terça-feira, 30 de outubro de 2007
1ª Parte do 3º Capítulo "Morte e Vida"

O funeral foi uma cerimónia simples mas muito participada. Todos os habitantes da Floresta Dourada e arredores queriam dar o último adeus àquela que iria ser um dia a Rainha da Floresta Dourada, se a sua morte não a tivesse levado para o desconhecido. O caixão saiu em cortejo, com Rafael e os Reis logo atrás, seguidos de todos os outros. Todas as crianças levavam grandes ramos de flores, as mulheres choravam e os homens rezavam. O cortejo desceu o longo caminho térreo que separava o castelo do resto do mundo. A distância era longa, mas ninguém estava preocupado com isso. O silêncio reinava, apenas quebrado por alguns soluços e pelos cascos dos cavalos pretos que transportavam o caixão no coche reservado para aquelas ocasiões.
Safira seria sepultada na capela abandonada, como era seu desejo.
Ao passarem pela Clareira principal, o pai de Safira juntou-se a eles. Estava muito abatido. Quando Safira e Rafael se casaram, ela pedira ao pai para ir viver com eles no castelo, mas o velho lenhador recusara, alegando que nunca se iria habituar a todas aquelas mordomias, preferindo a vida simples que sempre tivera. Safira descia muitas vezes à floresta para visitar o pai e a mãe. O lenhador ficara muito contente ao saber que ia ser avô. Esperava esse dia com ansiedade, mas agora sofria por perder a filha. Ainda não tivera coragem de conhecer a neta, tal era a sua dor. Sentia-se vazio, perdera a mulher muito cedo e a sua filha partia ainda antes dele.
A procissão seguiu pelas entranhas da floresta, o mesmo caminho que fora pisado por Safira e Rafael, vinte anos antes. Foi com algum espanto que Rafael reparou nos muitos animais que se aproximavam para ver a multidão passar. Lebres e coelhos, pirilampos e borboletas, corsas e veados, aves e répteis, todos pareciam saber que acontecimento era aquele, querendo também despedir-se da eterna amiga. Muitas vezes Rafael dava pelo desaparecimento de Safira, descobrindo em poucos instantes que ela fora à floresta falar com os animais. Nem com o passar dos anos a esposa deixara de se comportar dessa forma. Quase todas as noites saía para a varanda do quarto, antes de se deitar, e observava e falava com a lua, sua fiel companheira. Nunca partilhara com o marido os temas da sua conversa. Safira sempre fora muito independente, poucas vezes deixando Rafael participar nos seus segredos. Nunca se habituara à vida de princesa, refugiando-se no seu canto. No entanto sempre fora muito querida por todos, incluindo os Reis. E mesmo com a sua vida muito própria, Rafael amava Safira, desde o momento em que a vira no baile da floresta, vinte anos antes.
Era em tudo isto que Rafael pensava, enquanto se aproximavam cada vez mais da capela.
Um sonho...

segunda-feira, 29 de outubro de 2007
1ª e Única Parte do 2º Capítulo "A herdeira do Reino"

***
Rafael abandonou as suas recordações quando ouviu um grito ainda mais forte que os anteriores. Depois disso tudo pareceu sossegar e alguns instantes depois, um choro agudo irrompeu os ares. Rafael tinha um herdeiro! Ou uma herdeira... Mais que nunca, sentiu necessidade de entrar no quarto. Mas conseguiu controlar o impulso. Após ter aguentado tantas horas, mais alguns minutos passariam rapidamente. Recomeçou a andar de um lado para o outro, indo de quando em vez escutar à porta. O bebé continuava a chorar, o que denunciava uns bons pulmões. Mas as empregadas estavam estranhamente silenciosas. Podia ouvir os seus passos apressados de um lado para o outro. Quase sem se aperceber, a porta do quarto abriu-se na sua frente. Uma empregada idosa segurava o bebé nos seus braços, que em silêncio entregou a Rafael. Este não sabia como exprimir aquela alegria e as lágrimas correram livremente pela face. Olhou para o seu filho com ternura e sorriu-lhe. Era um bebé redondo e rosado, que precisava urgentemente de um banho. Estava apenas embrulhado num pano de linho, branco. Já não chorava e tinha os olhos muito abertos, como quem observa algo de novo.
- É uma menina, sua majestade. – Rafael continuava a olhar orgulhoso para o bebé. Ele e a mulher não tinham qualquer preferência quanto ao sexo da criança. A custo desviou o olhar do seu novo tesouro e dirigiu-se às três mulheres que tinha na sua frente.
- Como está a minha esposa? Posso entrar para a ver? Deve ter sofrido muito, coitadinha!… - mostrava-se ansioso, tal era a sua preocupação com Safira. Segurava ainda a bebé, apertando-a contra o peito.
As aias entreolharam-se, com o semblante pesado, e foi a mais velha quem falou.
- A Dona Safira não sobreviveu ao parto, Majestade. – baixou a cabeça, prestes a chorar. – Lamento.
Rafael sentiu o coração parar e as palavras que aquela mulher na sua frente acabara de dizer pareciam agora muito distantes. Apercebeu-se de que alguém lhe tirava a bebé dos braços, enquanto caía de joelhos e enterrava a face nas mãos grandes e fortes. Chorou até ao amanhecer, ajoelhado à porta daquele quarto. Ninguém o conseguiu acalmar ou convencê-lo a levantar-se. Tentaram demovê-lo e chamá-lo à razão, mas ele recusava-se a ouvir fosse o que fosse. Apenas na manhã do dia seguinte, quando o Rei e a Rainha, que chegavam de viagem, foram ter com Rafael, este se levantou. Fê-lo com grande esforço, pois tinha os joelhos doridos, para além de quase não ter forças para respirar. O Rei abraçou o filho como fazia quando Rafael era uma criança, enquanto a Rainha lhe acariciava os cabelos. Os três choraram juntos a mágoa que sentiam e só quando se acalmaram resolveram entrar no quarto para ver o corpo Safira. Tinham-na coberto com um lençol branco, bordado com fio de ouro a toda a volta. Rafael aproximou-se da cama, com os pais a segui-lo de perto e puxou uma das pontas do lençol. Safira jazia com uma expressão suave e o sorriso que todos lhe conheciam. O seu tom de pele não mudara muito.
Rafael não conseguiu evitar chorar ainda mais e saiu a correr do quarto. Quando ia a passar pelo corredor central do castelo, cruzou-se com uma das empregadas que segurava a bebé.
- Majestade, a menina acabou de acordar… deseja pegá-la?
Rafael não hesitou um momento e seguiu o seu caminho, até à torre. Não queria saber da bebé. Fora por causa dela que perdera o amor da sua vida.
sexta-feira, 26 de outubro de 2007
Meu Anjo...

Oito meses se passaram... e tão feliz como se tivesse sido ontem.
Aproveito este momento para te agradecer... pelos momentos em que estou frágil e cuidas de mim; por me fazeres sorrir quando na verdade me apetece chorar; por acreditares em mim quando eu própria não acredito; por seres um anjo quando preciso de protecção; por olhares para mim como se eu fosse um tesouro; por existires... por me amares...
Apenas "obrigada"...
Amo-te... e tu sabes disso.
terça-feira, 23 de outubro de 2007
12ª (e última) Parte do 1º Capítulo "Safira"

Safira não respondeu. Voltou-se e continuou a caminhar, não tendo a intenção de verificar se Rafael a seguia.
- Onde vais? Queres mostrar-me alguma coisa? – olhou para trás, receoso. Não tardaria nada, todos andariam à sua procura. Mas optou por seguir aquela rapariga tão misteriosa. Não sabia o que nela o cativava, mas não lhe conseguia resistir. Caminhou atrás dela, tentando não lhe perder o rasto.
Não foi preciso muito tempo para que Safira parasse novamente. Estavam em frente a uma espécie de capela abandonada, totalmente coberta pela hera. À sua volta não havia nada. Nem árvores, nem relva, nem flores. Apenas terra. A capela não tinha janelas e no lugar onde houvera, em tempos, uma porta, restava apenas uma entrada sombria.
- Este sítio é um pouco assustador, não achas? – Rafael sentiu um arrepio gelado.
Safira voltou-se para o Príncipe.
- É o meu cantinho favorito.
Rafael ficou extasiado ao ouvir aquela voz tão doce e sorriu-lhe, esquecendo imediatamente o medo que sentira ao chegar àquele lugar.
- Pensei que me ia embora sem ouvir uma palavra da tua boca.
- Era assim tão importante para ti ouvir a minha voz?
- Talvez…
Safira sorriu e entrou na capela, decidida.
- Espera! – gritou o Príncipe, demasiado assustado para a seguir e totalmente fascinado para o fazer. Hesitou um segundo, acabando por correr ao encontro da rapariga. Ao entrar sentiu o coração parar, sem ter a certeza do que via. – Que raio de sítio é este?
A capela era pequena, quadrada e sem qualquer ornamento. Apenas um altar de pedra, ao fundo, e um caixão, bem no centro. Em cima do caixão repousavam várias flores brancas.
Safira passou ao de leve os seus delicados dedos pelas flores.
- As flores aqui nunca secam. – sussurrou, como se tivesse esquecido que Rafael a seguira.
- Está alguém dentro do caixão? – perguntou o Príncipe, com voz trémula.
Safira olhou-o e sorriu.
- A minha mãe.
Rafael engoliu em seco. Não esperava ouvir nada semelhante.
- Lamento… não fazia a mínima ideia…
- Eu tinha sete anos… – começou, com um olhar distante. – Morreu de uma doença grave, não se sabe qual a sua origem. Apenas sei que a minha mãe morreu. E quando eu morrer quero vir para aqui. Quero ficar para sempre ao lado da minha mãe. – Fixava a lua, através do cimo da capela. Esta não tinha tecto. – Sabes, se um dia tiver uma filha, quero dar-lhe o nome de lua. A lua é a minha melhor amiga.
Rafael não teve a certeza de ter ouvido bem. Como poderia alguém ter a Lua como amiga? Mas decidiu não contestar essa ideia.
- Sabes, os meus pais já devem ter posto toda a Floresta à minha procura. Talvez fosse melhor eu voltar.
Safira acordou do transe e assentiu com a cabeça. Olhou mais uma vez para o caixão onde repousava a sua mãe e seguiu atrás de Rafael. Não estavam ainda a meio caminho quando ouviram vozes. Alguém gritava por Rafael. O Príncipe voltou-se muito depressa, ficando a poucos centímetros de Safira.
- Eu volto. – e deu-lhe um beijo suave na face. Nesse preciso momento, o cocheiro exclamava:
- Encontrei-o!
quarta-feira, 17 de outubro de 2007
11ª Parte do 1º Capítulo "Safira"

Safira baixou um pouco a cabeça, sorrindo. Desceu do banco com gestos delicados e pegou na mão de Rafael. Os dois estremeceram àquele toque, mas não se deixaram intimidar. De novo as pessoas abriram passagem até ao centro da Clareira. Passaram pelo local onde estavam instalados os Reis, fizeram uma vénia, e dirigiram-se finalmente ao ponto onde deviam dançar, sempre de mãos dadas. Rafael ordenou aos músicos que recomeçassem a melodia. Safira não sabia o que fazer de seguida. Nunca dançara a valsa e tinha receio de não se sair bem. O Príncipe fez-lhe uma vénia pouco acentuada e, com a mão livre, agarrou-lhe a cintura. Sentiu a seda do vestido na sua mão.
Safira podia imaginar cada pêlo do seu corpo a levantar, quando um arrepio gelado a percorreu. Sentia-se num sonho. Estava a dançar com o Príncipe! Como que por milagre, os seus pés sabiam todos os passos a realizar e em nenhum momento se sentiu fraquejar. Olhava Rafael nos olhos, que lhe sorria. Podiam sentir a respiração um do outro. Todos os olhavam, deslumbrados. As raparigas haviam-se rendido à decisão de Rafael e limitavam-se a admirar a beleza daquela dança.
Rodopiaram alegremente, e o vestido de Safira esvoaçou, deixando ver um pouco mais das suas lindas pernas. Quando a música terminou, todos aplaudiram e os dois soltaram-se, a sorrir. Safira afastou-se a correr, enquanto o Príncipe era impedido de a seguir pela multidão que o cercou. Os músicos começaram nova sinfonia e vários pares se juntaram, enquanto Safira se perdia da vista dos outros. Refugiou-se no local que elegera essa noite e sentou-se. Sentia-se cansada, mas feliz. A respiração tornou-se menos acelerada. Podia ouvir a música animada a alguns passos dali. Ninguém parecia já reparar nela. Todos dançavam, riam e falavam. Safira sentiu a sua alma dançar ao som da música e desejou, mais do que nunca, correr por entre os prados de toda a Floresta Dourada. Queria envolver-se na noite e sentir-se parte dela. Guiada pelo impulso do momento, levantou-se e correu, sem direcção certa. Só sabia que a cada passo que dava, se afastava de todo aquele barulho, de toda aquela concentração de pessoas. De repente, parou. Podia jurar ter ouvido passos atrás de si. Olhou para o caminho por onde viera, mas não conseguiu vislumbrar ninguém, nem mesmo um animal. Talvez tivesse sido apenas imaginação. Ainda podia ouvir a música ao longe. Esquecendo imediatamente o que a fizera parar, caminhou por entre a folhagem fresca que roçava no seu corpo. O luar guiava-a. Viu uma borboleta voar ali perto e, com gestos conhecedores, apanhou-a. A pequena borboleta, sentindo a tranquilidade que Safira emanava, deixou-se poisar na mão da jovem. Era uma bela borboleta de asas azuis, da mesma cor do céu nos dias de Primavera. Safira tocou ao de leve as asas da borboleta, sorrindo. Eram o seu animal favorito. Achava fantásticas as cores que aqueles bichos podiam apresentar.
- Cheguei a pensar que fosses apenas uma miragem.
Safira voltou-se devagar, como se o facto de o Príncipe a ter seguido fosse a coisa mais natural do mundo. Deixou escapar a borboleta e sorriu. Rafael aproximou-se um pouco mais, ficando a apenas dois passos de Safira.
segunda-feira, 15 de outubro de 2007
Novidades?
Mas finalmente as coisas começam a andar para a frente, acho eu.
O início do ano foi uma coisa atribulada, tipo, ah e tal, um pouco de organização lá para os lados da reitoria dava jeito, digo eu... onde já se viu, fazer matrículas depois dos caloiros (ou aluviões), depois chegar ao dia de ir para a escolinha e mais de metade do pessoal nem tem horário? E os 950€ que a gente paga, é pra quê? Só para o papel higiénico que se gasta nas casas-de-banho? Não!!! Também é para que as coisas sejam organizadinhas, e começadas a horas!
Mas pronto, as aulas já começaram e agora é a vez de reclamar porque AS AULAS COMEÇARAM! É a vida, não me posso queixar, dizem os senhores de idade...
E depois tivemos duas perdas enormes, umas maior que a outra: o Tó, que se passou para Biotecnologia (mas pronto, lá continua a melgar-nos), e a Xana. Isso sim, é uma grande perda. E miúda, isto agora é para ti, como já deves saber, a gente adora-te e apesar da distância, as portas estão sempre abertas para ti... cá em Aveiro, em Guimarães (coisa mais linda) e lá pelos Algarves (tipo, já te tou a fazer convidada para casa da Carla). :) Agora a sério, continuas a contar comigo para o que for preciso, e nós pensamos muitas vezes em ti, ok? Tu és uma fixe (e agora falando à geração morangos com açúcar), curte-te bué, és bué da nice, yo miúda bora dar uma volta (conseguiste visualizar os gestos?). Boa sorte, bicha.
Continuando, e depois há aquelas rivalidades de que já nem vale a pena falar, de tão batido que está o assunto.
Pormenores...
Aqui ficam umas fotos, assim só para marcar o início do semestre...
quinta-feira, 20 de setembro de 2007
segunda-feira, 10 de setembro de 2007
10ª Parte do 1º Capítulo "Safira"

As restantes raparigas formaram uma só fila, cada uma mais nervosa que a outra. O Príncipe parecia não prestar qualquer atenção às dezenas de raparigas. O seu pensamento voara para alguns metros dali. O mais prestigiado músico da Floresta Dourada agarrou na sua flauta de madeira e tocou uma melodia suave e simultaneamente ritmada, dando assim início ao desfile. A primeira das raparigas avançou desajeitadamente pelo tapete de flores, mas à medida que se aproximava do Príncipe, a sua confiança aumentava, conseguindo fazer uma vénia plausível, no final. Rafael olhou-a apenas por respeito, pois aquela rapariga em nada lhe interessava. E assim foi com todas as outras. O Príncipe reagiu da mesma forma a carnudas e esguias, altas e baixas, loiras e morenas, feias e formosas. Nenhuma lhe despertou o mesmo interesse que a rapariga dos cabelos dourados lhe despertara. E, azar dos azares, essa mesma rapariga fora talvez a única que não desfilara.
Safira apercebera-se dos olhares furtivos que o Príncipe lhe atirava de momentos a momentos. Pela primeira vez, não se sentia incomodada com o facto de estar a ser observada. Tentou esquivar-se aos pensamentos que a assolavam. O desfile chegara ao fim e Rafael anunciaria, a qualquer momento, quem teria a honra de dançar com ele. As raparigas voltaram a formar uma fila e o Príncipe levantou-se. Sorriu aos pais e dirigiu-se ao centro da Clareira, perto da fogueira, que ardia vorazmente. Ergueu a mão ao músico que tocara flauta anteriormente, e o som de uma valsa encheu os ares. Safira viu que agora o músico não tocava sozinho. A ele juntara-se uma dezena de homens, cada um deles tocando flauta, harpa ou violino. A música entrava suavemente pelos ouvidos de cada pessoa e continuava a entoar nas suas mentes.
O Príncipe olhou para todas as raparigas, que esperavam ansiosas pela sua escolha. Sorriu a todas elas, mas havia chegado ao fim da fila e a dança continuava pendente, apesar de a música seguir ao seu ritmo. E, surpreendentemente, Rafael voltou-se, ficando de costas para todas as concorrentes. Um subtil burburinho levantou-se.
- Foi-me anunciado... – Safira estremeceu ao ouvir voz tão firme. Era a primeira vez que o Príncipe falava, desde o início do Baile. – ... que é minha obrigação escolher a mais bela rapariga da Floresta Dourada e dançar com ela. Mas nada me obriga a escolhê-la apenas de entre as que participaram no desfile. – o barulho de fundo intensificou-se. As raparigas transmitiam incredulidade. – Na minha opinião, a mais bela rapariga da Floresta Dourada não se encontra entre as que desfilaram. – e sem se importar com alguns gritos de protesto por parte das jovens, Rafael avançou pela clareira, de olhar fixo no de Safira. Esta sentiu o seu coração dar um pulo e o que mais desejava naquele momento era poder desaparecer. Não podia crer que o Príncipe a tivesse escolhido, mas a verdade era que ele caminhava ao seu encontro. Respirou fundo várias vezes e encarou a verdade de frente. Iria dançar com o Príncipe! As pessoas abriam um estreio caminho, para logo o tornar a fechar, e Rafael alcançou Safira. Olharam-se e sorriram, com uma cumplicidade que nunca pensaram poder existir entre duas pessoas. Rafael ergueu a sua mão para Safira, que continuava de pé no banco, e tinha que o olhar de cima. Instantaneamente, toda a Floresta mergulhou no mais profundo silêncio. Apenas se ouvia, ao longe, o pio do mocho e o som gorgolejante do rio.
- A menina dá-me a honra desta dança? – perguntou, curvando-se ligeiramente.
domingo, 9 de setembro de 2007
Olha a madrinha babada!
quarta-feira, 5 de setembro de 2007
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
Pessoal...
quarta-feira, 15 de agosto de 2007
9ª Parte do 1º Capítulo "Safira"

Olhou toda a Floresta à sua volta. Conhecia cada recanto daquela Clareira e cada uma das árvores à sua volta. A sua favorita era aquela em que instalava o baloiço fabricado pelo pai. De cada um dos lados do pequeno pedaço de madeira que servia de assento, saía uma corda que Safira prendia num dos ramos daquela árvore, que se encontrava, nesse momento, parcialmente oculta pelos bancos destinados à família Real.
A cada momento que passava, as mesas iam ficando mais vazias e as pessoas cada vez mais satisfeitas. Os nervos das raparigas começavam a aumentar. A tão esperada hora não tardava em chegar. Assim que toda a gente se fartou de comer, Safira viu os Reis dirigirem-se para os seus bancos, seguidos pelo Príncipe e pelo cocheiro. O Rei permaneceu de pé, pedindo silêncio, tal como acontecera anteriormente. Rafael e a Rainha sentaram-se. Safira pôs-se de pé, pois novamente a multidão a engoliu. Viu uma rapariga arranjar o cabelo a outra.
segunda-feira, 13 de agosto de 2007
Só para aguçar a curiosidade...

- Gabriel, não aguento viver sem ti. Pedes-me que seja feliz, mas só o serei a teu lado. – Olhou a pena que Gabriel lhe deixara, agora pousada em cima da cama. Os seus olhos revelavam alguns sinais de loucura. Com tanto que sofrera, já se adaptara à dor. – Nunca ninguém saberá desta nossa história, uma vez que não ficará ninguém para contá-la. Não sei como vai ser daqui para a frente, nem o que fazer. Falaste-me do Céu e do Inferno. Se me perder, encontra-me. – Olhou-se ao espelho. Nunca a sua beleza estivera em tal declínio. Os olhos pareciam afundar-se cada vez mais na sua face. Os lábios estavam ressequidos e a pele desidratada. – Nem Deus pode impedir que eu e tu sejamos felizes juntos, Gabriel…
domingo, 12 de agosto de 2007
Pura magia...

sexta-feira, 10 de agosto de 2007
Gosto de ti...
Gosto de ti como quem mata o degredo,
Enquanto não há amanhã,
Gosto de ti como uma estrela no dia,
Enquanto não há amanhã,
