
quarta-feira, 5 de março de 2008
Um ano!

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Até sempre, minha Pirolita...
Para uns pode ser apenas um rato...para mim foi "apenas" o meu primeiro animal de estimação a sério. Era quase tão inteligente como um cão ou um gato e foi uma grande companhia para a família durante mais de um ano. Apenas aqui queria marcar para sempre o meu afecto por ela e a falta que me irá fazer. Até sempre, Pirinho...
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
Fééééééérrrrrrrrrriiiiiiiiiiiiiaaaaaaaaaaaaassssssssssss!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Almourol... (para quem não sabe, aquele castelo que fica no meio de uma ilha)
Bem, para quem não sabe, eu tenho vertigens...tou sempre com a mania de que vou cair e tal (quando na realidade estou apenas a um metro do chão). Por isso, isto foi um grande feito pra mim :P
Hehe!!
3ª Parte do 3º Capítulo "Morte e Vida"
O ambiente no castelo também estava mudado. O silêncio reinava, os Reis jantavam sozinhos, as visitas e festas constantes tinham cessado. Apenas Lua quebrava todo aquele silêncio mórbido com os seus choros agudos. Apenas ela trazia alegria àquele lar. O seu avô materno já a fora visitar uma vez, e chorara ao pegar-lhe. Recordava-se do dia em que vira a filha pela primeira vez. Tão pequenina e tão frágil. No entanto, tão serena. E no seu intimo apenas pedia que Lua não sofresse o que Safira sofrera um dia, ao perder a sua mãe tão repentinamente. Apesar de que já não tinha uma mãe para perder. E o velho lenhador recomeçou a chorar, ao pensar nisso.
Com o passar do tempo, algumas coisas voltaram à normalidade, mas outras ficaram como estavam. Rafael não se habituara à ideia de ter perdido Safira e nem Lua o fazia voltar a sorrir. Passava os dias no quarto ou então saía, sem dizer onde ia e voltava largas horas depois, com os olhos inchados. Por vezes aparecia no grande salão para jantar ou almoçar com os pais. Tornou-se uma pessoa ríspida, silenciosa, amargurada. Não voltou a ser o Rafael que conquistava o mundo com a sua simpatia e bondade.
Os Reis tudo faziam para trazer a normalidade ao castelo. Cuidavam da neta com todo o carinho, tentando fazer com que não lhe faltasse nada. A menina crescia saudável e quando fez um ano de idade foi baptizada, como mandava a tradição. Foi uma cerimónia alegre, no castelo, mas todos sentiam ainda a falta de Safira.
O dia amanheceu claro e fresco. Todos os empregados do castelo andavam atarefados, uns tratavam das mesas e dos manjares, outros da decoração do grande salão de festas, outros ainda aparavam a relva e as árvores do jardim. As criadas mais antigas da família estavam encarregues por Lua. A pequena princesa começava a dar os primeiros passos, era muito curiosa, querendo descortinar tudo o que lhe aparecia pela frente. Aprendera já algumas palavras, chamava o vovô e a vovó. Mas nunca dissera pai. Rafael não era muito presente na vida da filha, não acompanhava os passos do seu crescimento, como era suposto os pais fazerem. Os Reis insistiam com o filho, tentando demovê-lo e dizendo que se continuasse a ignorar Lua, ele seria apenas um conhecido quando esta crescesse. Mas Rafael pouco ou nada mudara, relativamente ao seu comportamento. Tratava Lua como se fosse apenas a filha de uma das empregadas. Nos últimos meses ia vê-la dormir, por poucos minutos, mas nunca lhe falara, nunca lhe pegara ao colo, nunca se preocupara com a sua educação nem com a sua saúde. Os Reis andavam muito preocupados com esta atitude pouco receptiva de Rafael, receando que ele estive com uma profunda depressão. Pediam-lhe constantemente que falasse com o conselheiro Real, mas nem isso Rafael fazia. Vivia num mundo à parte, nada nem ninguém lhe interessava, apenas as recordações de Safira o mantinham vivo.
Todos os convidados esperavam ansiosamente no jardim bem arranjado. Mais de uma centena de pessoas da grande nobreza, amigos mais chegados e o avô materno de Lua. Os habitantes da Floresta Dourada haviam ficado de fora da festa, como sempre acontecia. A única festividade em que Reis e Povo se juntavam era no Baile da Primavera.
Todos estavam vestidos a preceito, as damas com longos vestidos de roda, enfeitados com rendas douradas e prateadas, os cabelos presos no alto da cabeça. Os senhores usavam calças justas, botas até ao joelho, e casacos compridos. Geralmente usavam uma cartola na cabeça.
O jardim do castelo era o maior que se conhecia. Tinha enormes árvores centenárias, iguais às que existiam na Floresta Dourada, arbustos com frutos vermelhos, de aspecto apetitoso, canteiros com as mais belas flores. Todos os dias dezenas de homens trabalhavam naquele jardim, de forma a que se mantivesse sempre perfeito.
Bem no centro do jardim e em frente à majestosa entrada, havia uma fonte. Era uma enorme e frondosa árvore de pedra branca, sem flores ou frutos, e a água brotava do interior do seu tronco, que tinha uma abertura muito subtil, e passava despercebida aos mais distraídos. Dava a ideia de que o tronco transpirava aquela água, mantendo-o sempre húmido. Essa água provinha do pequeno rio que atravessava o jardim. Era uma água límpida e fresca. Lua seria baptizada com a água desse rio, como todos os membros da família real.
O castelo era bastante simples. De pedra branca, tal como a árvore da fonte, era de forma quadrangular, com uma torre em cada canto. Essas quatro torres tinham forma arredondada e eram mais altas que o restante castelo. Todas as janelas eram quadradas, enfeitadas com vitrais de todas as cores. Como o interior do castelo era também de pedra branca, quando o sol incidia nas janelas, as cores eram projectadas nas paredes, fazendo um efeito que todos admiravam. A porta era de madeira escura, de traços rectos, com batentes de ferro.
Numa zona do jardim em que não existiam árvores nem arbustos, apenas relva, ideal para grandes festas, haviam posto pequenos bancos de madeira para os convidados, e cinco cadeiras de braços. Ali iriam sentar-se os Reis, Rafael, o avô materno de Lua e o Iluminado, que presidia a cerimónia. As cadeiras estavam voltadas para os convidados, de modo a que todos pudessem ver a família Real. O avô de Lua seria o Protector. O Protector era a testemunha do baptizado, a pessoa responsável pela criança caso acontecesse algo aos pais que os impedisse de cuidar dela. Os Reis tinham escolhido o velho lenhador, uma vez que a Lua ficaria a viver no castelo. Assim a menina nunca perderia o contacto com as suas origens. O senhor ficou muito comovido com o convite e aceitou de imediato.
Passavam poucos minutos das três da tarde quando os Reis desceram os degraus da entrada do castelo até ao jardim. O Rei trazia Lua ao colo, a Rainha caminhava do lado direito do marido, Rafael do lado esquerdo, o velho lenhador atrás e o Iluminado à frente, abrindo o pequeno cortejo. Era ainda o mesmo que fizera o funeral de Safira. Trajava com um longo manto branco, que condizia com a sua barba. O Rei usava um casaco de veludo azul escuro que lhe batia na cinta. Tinha botões dourados, assim como as rendas na ponta das mangas. As suas calças eram da mesma cor do casaco e as botas pelo joelho eram pretas, com desenhos dourados. Usava a sua coroa de ouro, extremamente pesada e trabalhada. O Rei achava-a muito desconfortável, mas a tradição mandava que se usasse a coroa em dias de festa no castelo. A Rainha usava um dos seus vestidos de veludo, tal como o marido, azul céu com rendas brancas. O cabelo estava preso pela coroa dourada, no alto da cabeça. Era uma coroa bem mais simples, cravejada com três esmeraldas. O velho lenhador vestia a melhor roupa que encontrara no armário, um casaco pelo joelho, de fazenda, castanho, e umas calças beges, já amareladas pelo tempo.
Rafael trajava de preto, de resto a cor que usava todos os dias. Era um fato parecido com o do pai, em veludo, com rendas douradas. Notava-se que estava ainda muito em baixo, não ergueu o olhar para os convidados, fixando o chão o tempo todo.
A pequena Lua usava um vestido simples, branco, com bordados rosa, desenhando umas flores em volta da bainha. Na cabeça trazia um chapéu da mesma cor e do mesmo tecido do vestido, também com bordados rosa. Toda a gente ficou encantada ao ver a menina. Tinha uns olhos enormes como os do pai e verdes como os da mãe. As suas feições eram delicadas, a pele muito pálida, mas notava-se já uma determinação no seu olhar. Lua nascera para reinar.
segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
segunda-feira, 31 de dezembro de 2007
Balanço 2007... balanço positivo...
FELIZ 2008
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quinta-feira, 27 de dezembro de 2007
E venha a passagem de ano :P

Pois é, pessoal, o Natal passou, estamos fartos de doces (eu estou, pelo menos), mas venha daí a passagem de ano...a jogar Bingo com o resto da família, como já é tradição :P Prendinhas, prendinhas...bem, o meu pai teve a fantástica ideia de me oferecer um boneco de neve que dança e canta :S Recebi também um pijama da Hello Kitty (tão fofo!), uns chinelos com borboletas, um livro da Danielle Steel, money...afinal a minha família até conhece os meus gostos!!!
Pronto, era para vos desejar um feliz ano de 2008, assim cheio de coisas boas...saúde e amor acima de tudo, para todos.
Já agora, um conselho...meninas, se o vosso pai ainda não está habituado ao vosso namorado, lembrem-se de esconder as tesouras quando ele for a vossa casa...pode provocar equívocos traumáticos!!! :P (Tem calma, Renato, o meu pai estava apenas a amolar a tesoura da minha mãe ;D)
domingo, 23 de dezembro de 2007
"All I want for Christmas is you..."
sábado, 22 de dezembro de 2007
FELIZ NATAL!!!

terça-feira, 13 de novembro de 2007
2ª Parte do 3º Capítulo "Morte e Vida"

O Iluminado aproximou-se também e benzeu Safira, com um gesto simples. O Iluminado era um homem, o mais velho de todos os homens ao serviço do castelo. Era ele quem presidia a todas as cerimónias: casamentos, baptizados, funerais… Este Iluminado não tinha casado Safira e Rafael, pois vintes anos antes havia um outro homem mais velho, que morrera entretanto.
Ele virou-se para a multidão.
- Nem sempre a vida nos faz sorrir. – O Iluminado era ainda um homem forte. Quase calvo e com uma farta barba, fazia lembrar os velhos feiticeiros das histórias de magia. Os seus olhos eram negros e profundos, mas a sua expressão era suave, parecia ser alguém em quem se pode confiar. - Por vezes prega-nos partidas para as quais não estamos preparados. Safira partiu, deixando um Príncipe viúvo e uma criança órfã de mãe. Mas alegremo-nos, irmãos. Safira sempre foi uma mulher feliz, amou e foi amada e deixou-nos uma criança linda, que um dia será vossa rainha. O seu nome é Lua, como a mãe tanto desejava, e é nela que agora devemos focar-nos. Porque a criança é fruto de um grande amor e o maior tesouro que Safira nos podia ter deixado. – Fechou os olhos, visivelmente emocionado. Poucos eram os que não choravam e Rafael sentiu-se ainda mais fraco. Não sabia como ia enfrentar a vida sem a sua amada. Não sabia como podia educar a sua filha se a única pessoa em que conseguia pensar era Safira.
O Iluminado continuou.
- Irmãos, para que Safira seja um exemplo para todos nós, para que sempre seja recordada como a menina doce que adorava a natureza, vamos pedir-lhe a sua protecção. – De seguida, com a ajuda do velho lenhador, abriu o caixão, deixando o corpo pálido de Safira à vista de todos. A multidão formou uma só fila e cada um foi até Safira, pedir a sua protecção. De seguida davam-lhe um beijo suave na testa, em sinal de respeito.
Para Rafael foi uma eternidade. Parecia-lhe que o número de pessoas crescia. A noite já tinha caído, quando finalmente se deu por encerrada a cerimónia. O caixão foi novamente fechado e depois quatro homens fortes colocaram-no ao lado do da mãe de Safira, dentro da capela. A capela transformou-se num verdadeiro jardim. Havia flores espalhadas por todo o lado. Rafael e os pais foram os últimos a abandonar o local. Depois seguiram caminho até ao castelo.
sábado, 10 de novembro de 2007
Por esta eu não esperava...
Por esta eu não esperava! Felicidades, miúda! E pó pimpolho também :)
terça-feira, 6 de novembro de 2007
Outono...

terça-feira, 30 de outubro de 2007
1ª Parte do 3º Capítulo "Morte e Vida"

O funeral foi uma cerimónia simples mas muito participada. Todos os habitantes da Floresta Dourada e arredores queriam dar o último adeus àquela que iria ser um dia a Rainha da Floresta Dourada, se a sua morte não a tivesse levado para o desconhecido. O caixão saiu em cortejo, com Rafael e os Reis logo atrás, seguidos de todos os outros. Todas as crianças levavam grandes ramos de flores, as mulheres choravam e os homens rezavam. O cortejo desceu o longo caminho térreo que separava o castelo do resto do mundo. A distância era longa, mas ninguém estava preocupado com isso. O silêncio reinava, apenas quebrado por alguns soluços e pelos cascos dos cavalos pretos que transportavam o caixão no coche reservado para aquelas ocasiões.
Safira seria sepultada na capela abandonada, como era seu desejo.
Ao passarem pela Clareira principal, o pai de Safira juntou-se a eles. Estava muito abatido. Quando Safira e Rafael se casaram, ela pedira ao pai para ir viver com eles no castelo, mas o velho lenhador recusara, alegando que nunca se iria habituar a todas aquelas mordomias, preferindo a vida simples que sempre tivera. Safira descia muitas vezes à floresta para visitar o pai e a mãe. O lenhador ficara muito contente ao saber que ia ser avô. Esperava esse dia com ansiedade, mas agora sofria por perder a filha. Ainda não tivera coragem de conhecer a neta, tal era a sua dor. Sentia-se vazio, perdera a mulher muito cedo e a sua filha partia ainda antes dele.
A procissão seguiu pelas entranhas da floresta, o mesmo caminho que fora pisado por Safira e Rafael, vinte anos antes. Foi com algum espanto que Rafael reparou nos muitos animais que se aproximavam para ver a multidão passar. Lebres e coelhos, pirilampos e borboletas, corsas e veados, aves e répteis, todos pareciam saber que acontecimento era aquele, querendo também despedir-se da eterna amiga. Muitas vezes Rafael dava pelo desaparecimento de Safira, descobrindo em poucos instantes que ela fora à floresta falar com os animais. Nem com o passar dos anos a esposa deixara de se comportar dessa forma. Quase todas as noites saía para a varanda do quarto, antes de se deitar, e observava e falava com a lua, sua fiel companheira. Nunca partilhara com o marido os temas da sua conversa. Safira sempre fora muito independente, poucas vezes deixando Rafael participar nos seus segredos. Nunca se habituara à vida de princesa, refugiando-se no seu canto. No entanto sempre fora muito querida por todos, incluindo os Reis. E mesmo com a sua vida muito própria, Rafael amava Safira, desde o momento em que a vira no baile da floresta, vinte anos antes.
Era em tudo isto que Rafael pensava, enquanto se aproximavam cada vez mais da capela.
Um sonho...

segunda-feira, 29 de outubro de 2007
1ª e Única Parte do 2º Capítulo "A herdeira do Reino"

***
Rafael abandonou as suas recordações quando ouviu um grito ainda mais forte que os anteriores. Depois disso tudo pareceu sossegar e alguns instantes depois, um choro agudo irrompeu os ares. Rafael tinha um herdeiro! Ou uma herdeira... Mais que nunca, sentiu necessidade de entrar no quarto. Mas conseguiu controlar o impulso. Após ter aguentado tantas horas, mais alguns minutos passariam rapidamente. Recomeçou a andar de um lado para o outro, indo de quando em vez escutar à porta. O bebé continuava a chorar, o que denunciava uns bons pulmões. Mas as empregadas estavam estranhamente silenciosas. Podia ouvir os seus passos apressados de um lado para o outro. Quase sem se aperceber, a porta do quarto abriu-se na sua frente. Uma empregada idosa segurava o bebé nos seus braços, que em silêncio entregou a Rafael. Este não sabia como exprimir aquela alegria e as lágrimas correram livremente pela face. Olhou para o seu filho com ternura e sorriu-lhe. Era um bebé redondo e rosado, que precisava urgentemente de um banho. Estava apenas embrulhado num pano de linho, branco. Já não chorava e tinha os olhos muito abertos, como quem observa algo de novo.
- É uma menina, sua majestade. – Rafael continuava a olhar orgulhoso para o bebé. Ele e a mulher não tinham qualquer preferência quanto ao sexo da criança. A custo desviou o olhar do seu novo tesouro e dirigiu-se às três mulheres que tinha na sua frente.
- Como está a minha esposa? Posso entrar para a ver? Deve ter sofrido muito, coitadinha!… - mostrava-se ansioso, tal era a sua preocupação com Safira. Segurava ainda a bebé, apertando-a contra o peito.
As aias entreolharam-se, com o semblante pesado, e foi a mais velha quem falou.
- A Dona Safira não sobreviveu ao parto, Majestade. – baixou a cabeça, prestes a chorar. – Lamento.
Rafael sentiu o coração parar e as palavras que aquela mulher na sua frente acabara de dizer pareciam agora muito distantes. Apercebeu-se de que alguém lhe tirava a bebé dos braços, enquanto caía de joelhos e enterrava a face nas mãos grandes e fortes. Chorou até ao amanhecer, ajoelhado à porta daquele quarto. Ninguém o conseguiu acalmar ou convencê-lo a levantar-se. Tentaram demovê-lo e chamá-lo à razão, mas ele recusava-se a ouvir fosse o que fosse. Apenas na manhã do dia seguinte, quando o Rei e a Rainha, que chegavam de viagem, foram ter com Rafael, este se levantou. Fê-lo com grande esforço, pois tinha os joelhos doridos, para além de quase não ter forças para respirar. O Rei abraçou o filho como fazia quando Rafael era uma criança, enquanto a Rainha lhe acariciava os cabelos. Os três choraram juntos a mágoa que sentiam e só quando se acalmaram resolveram entrar no quarto para ver o corpo Safira. Tinham-na coberto com um lençol branco, bordado com fio de ouro a toda a volta. Rafael aproximou-se da cama, com os pais a segui-lo de perto e puxou uma das pontas do lençol. Safira jazia com uma expressão suave e o sorriso que todos lhe conheciam. O seu tom de pele não mudara muito.
Rafael não conseguiu evitar chorar ainda mais e saiu a correr do quarto. Quando ia a passar pelo corredor central do castelo, cruzou-se com uma das empregadas que segurava a bebé.
- Majestade, a menina acabou de acordar… deseja pegá-la?
Rafael não hesitou um momento e seguiu o seu caminho, até à torre. Não queria saber da bebé. Fora por causa dela que perdera o amor da sua vida.
sexta-feira, 26 de outubro de 2007
Meu Anjo...

Oito meses se passaram... e tão feliz como se tivesse sido ontem.
Aproveito este momento para te agradecer... pelos momentos em que estou frágil e cuidas de mim; por me fazeres sorrir quando na verdade me apetece chorar; por acreditares em mim quando eu própria não acredito; por seres um anjo quando preciso de protecção; por olhares para mim como se eu fosse um tesouro; por existires... por me amares...
Apenas "obrigada"...
Amo-te... e tu sabes disso.
terça-feira, 23 de outubro de 2007
12ª (e última) Parte do 1º Capítulo "Safira"

Safira não respondeu. Voltou-se e continuou a caminhar, não tendo a intenção de verificar se Rafael a seguia.
- Onde vais? Queres mostrar-me alguma coisa? – olhou para trás, receoso. Não tardaria nada, todos andariam à sua procura. Mas optou por seguir aquela rapariga tão misteriosa. Não sabia o que nela o cativava, mas não lhe conseguia resistir. Caminhou atrás dela, tentando não lhe perder o rasto.
Não foi preciso muito tempo para que Safira parasse novamente. Estavam em frente a uma espécie de capela abandonada, totalmente coberta pela hera. À sua volta não havia nada. Nem árvores, nem relva, nem flores. Apenas terra. A capela não tinha janelas e no lugar onde houvera, em tempos, uma porta, restava apenas uma entrada sombria.
- Este sítio é um pouco assustador, não achas? – Rafael sentiu um arrepio gelado.
Safira voltou-se para o Príncipe.
- É o meu cantinho favorito.
Rafael ficou extasiado ao ouvir aquela voz tão doce e sorriu-lhe, esquecendo imediatamente o medo que sentira ao chegar àquele lugar.
- Pensei que me ia embora sem ouvir uma palavra da tua boca.
- Era assim tão importante para ti ouvir a minha voz?
- Talvez…
Safira sorriu e entrou na capela, decidida.
- Espera! – gritou o Príncipe, demasiado assustado para a seguir e totalmente fascinado para o fazer. Hesitou um segundo, acabando por correr ao encontro da rapariga. Ao entrar sentiu o coração parar, sem ter a certeza do que via. – Que raio de sítio é este?
A capela era pequena, quadrada e sem qualquer ornamento. Apenas um altar de pedra, ao fundo, e um caixão, bem no centro. Em cima do caixão repousavam várias flores brancas.
Safira passou ao de leve os seus delicados dedos pelas flores.
- As flores aqui nunca secam. – sussurrou, como se tivesse esquecido que Rafael a seguira.
- Está alguém dentro do caixão? – perguntou o Príncipe, com voz trémula.
Safira olhou-o e sorriu.
- A minha mãe.
Rafael engoliu em seco. Não esperava ouvir nada semelhante.
- Lamento… não fazia a mínima ideia…
- Eu tinha sete anos… – começou, com um olhar distante. – Morreu de uma doença grave, não se sabe qual a sua origem. Apenas sei que a minha mãe morreu. E quando eu morrer quero vir para aqui. Quero ficar para sempre ao lado da minha mãe. – Fixava a lua, através do cimo da capela. Esta não tinha tecto. – Sabes, se um dia tiver uma filha, quero dar-lhe o nome de lua. A lua é a minha melhor amiga.
Rafael não teve a certeza de ter ouvido bem. Como poderia alguém ter a Lua como amiga? Mas decidiu não contestar essa ideia.
- Sabes, os meus pais já devem ter posto toda a Floresta à minha procura. Talvez fosse melhor eu voltar.
Safira acordou do transe e assentiu com a cabeça. Olhou mais uma vez para o caixão onde repousava a sua mãe e seguiu atrás de Rafael. Não estavam ainda a meio caminho quando ouviram vozes. Alguém gritava por Rafael. O Príncipe voltou-se muito depressa, ficando a poucos centímetros de Safira.
- Eu volto. – e deu-lhe um beijo suave na face. Nesse preciso momento, o cocheiro exclamava:
- Encontrei-o!
quarta-feira, 17 de outubro de 2007
11ª Parte do 1º Capítulo "Safira"

Safira baixou um pouco a cabeça, sorrindo. Desceu do banco com gestos delicados e pegou na mão de Rafael. Os dois estremeceram àquele toque, mas não se deixaram intimidar. De novo as pessoas abriram passagem até ao centro da Clareira. Passaram pelo local onde estavam instalados os Reis, fizeram uma vénia, e dirigiram-se finalmente ao ponto onde deviam dançar, sempre de mãos dadas. Rafael ordenou aos músicos que recomeçassem a melodia. Safira não sabia o que fazer de seguida. Nunca dançara a valsa e tinha receio de não se sair bem. O Príncipe fez-lhe uma vénia pouco acentuada e, com a mão livre, agarrou-lhe a cintura. Sentiu a seda do vestido na sua mão.
Safira podia imaginar cada pêlo do seu corpo a levantar, quando um arrepio gelado a percorreu. Sentia-se num sonho. Estava a dançar com o Príncipe! Como que por milagre, os seus pés sabiam todos os passos a realizar e em nenhum momento se sentiu fraquejar. Olhava Rafael nos olhos, que lhe sorria. Podiam sentir a respiração um do outro. Todos os olhavam, deslumbrados. As raparigas haviam-se rendido à decisão de Rafael e limitavam-se a admirar a beleza daquela dança.
Rodopiaram alegremente, e o vestido de Safira esvoaçou, deixando ver um pouco mais das suas lindas pernas. Quando a música terminou, todos aplaudiram e os dois soltaram-se, a sorrir. Safira afastou-se a correr, enquanto o Príncipe era impedido de a seguir pela multidão que o cercou. Os músicos começaram nova sinfonia e vários pares se juntaram, enquanto Safira se perdia da vista dos outros. Refugiou-se no local que elegera essa noite e sentou-se. Sentia-se cansada, mas feliz. A respiração tornou-se menos acelerada. Podia ouvir a música animada a alguns passos dali. Ninguém parecia já reparar nela. Todos dançavam, riam e falavam. Safira sentiu a sua alma dançar ao som da música e desejou, mais do que nunca, correr por entre os prados de toda a Floresta Dourada. Queria envolver-se na noite e sentir-se parte dela. Guiada pelo impulso do momento, levantou-se e correu, sem direcção certa. Só sabia que a cada passo que dava, se afastava de todo aquele barulho, de toda aquela concentração de pessoas. De repente, parou. Podia jurar ter ouvido passos atrás de si. Olhou para o caminho por onde viera, mas não conseguiu vislumbrar ninguém, nem mesmo um animal. Talvez tivesse sido apenas imaginação. Ainda podia ouvir a música ao longe. Esquecendo imediatamente o que a fizera parar, caminhou por entre a folhagem fresca que roçava no seu corpo. O luar guiava-a. Viu uma borboleta voar ali perto e, com gestos conhecedores, apanhou-a. A pequena borboleta, sentindo a tranquilidade que Safira emanava, deixou-se poisar na mão da jovem. Era uma bela borboleta de asas azuis, da mesma cor do céu nos dias de Primavera. Safira tocou ao de leve as asas da borboleta, sorrindo. Eram o seu animal favorito. Achava fantásticas as cores que aqueles bichos podiam apresentar.
- Cheguei a pensar que fosses apenas uma miragem.
Safira voltou-se devagar, como se o facto de o Príncipe a ter seguido fosse a coisa mais natural do mundo. Deixou escapar a borboleta e sorriu. Rafael aproximou-se um pouco mais, ficando a apenas dois passos de Safira.
segunda-feira, 15 de outubro de 2007
Novidades?
Mas finalmente as coisas começam a andar para a frente, acho eu.
O início do ano foi uma coisa atribulada, tipo, ah e tal, um pouco de organização lá para os lados da reitoria dava jeito, digo eu... onde já se viu, fazer matrículas depois dos caloiros (ou aluviões), depois chegar ao dia de ir para a escolinha e mais de metade do pessoal nem tem horário? E os 950€ que a gente paga, é pra quê? Só para o papel higiénico que se gasta nas casas-de-banho? Não!!! Também é para que as coisas sejam organizadinhas, e começadas a horas!
Mas pronto, as aulas já começaram e agora é a vez de reclamar porque AS AULAS COMEÇARAM! É a vida, não me posso queixar, dizem os senhores de idade...
E depois tivemos duas perdas enormes, umas maior que a outra: o Tó, que se passou para Biotecnologia (mas pronto, lá continua a melgar-nos), e a Xana. Isso sim, é uma grande perda. E miúda, isto agora é para ti, como já deves saber, a gente adora-te e apesar da distância, as portas estão sempre abertas para ti... cá em Aveiro, em Guimarães (coisa mais linda) e lá pelos Algarves (tipo, já te tou a fazer convidada para casa da Carla). :) Agora a sério, continuas a contar comigo para o que for preciso, e nós pensamos muitas vezes em ti, ok? Tu és uma fixe (e agora falando à geração morangos com açúcar), curte-te bué, és bué da nice, yo miúda bora dar uma volta (conseguiste visualizar os gestos?). Boa sorte, bicha.
Continuando, e depois há aquelas rivalidades de que já nem vale a pena falar, de tão batido que está o assunto.
Pormenores...
Aqui ficam umas fotos, assim só para marcar o início do semestre...
quinta-feira, 20 de setembro de 2007
segunda-feira, 10 de setembro de 2007
10ª Parte do 1º Capítulo "Safira"

As restantes raparigas formaram uma só fila, cada uma mais nervosa que a outra. O Príncipe parecia não prestar qualquer atenção às dezenas de raparigas. O seu pensamento voara para alguns metros dali. O mais prestigiado músico da Floresta Dourada agarrou na sua flauta de madeira e tocou uma melodia suave e simultaneamente ritmada, dando assim início ao desfile. A primeira das raparigas avançou desajeitadamente pelo tapete de flores, mas à medida que se aproximava do Príncipe, a sua confiança aumentava, conseguindo fazer uma vénia plausível, no final. Rafael olhou-a apenas por respeito, pois aquela rapariga em nada lhe interessava. E assim foi com todas as outras. O Príncipe reagiu da mesma forma a carnudas e esguias, altas e baixas, loiras e morenas, feias e formosas. Nenhuma lhe despertou o mesmo interesse que a rapariga dos cabelos dourados lhe despertara. E, azar dos azares, essa mesma rapariga fora talvez a única que não desfilara.
Safira apercebera-se dos olhares furtivos que o Príncipe lhe atirava de momentos a momentos. Pela primeira vez, não se sentia incomodada com o facto de estar a ser observada. Tentou esquivar-se aos pensamentos que a assolavam. O desfile chegara ao fim e Rafael anunciaria, a qualquer momento, quem teria a honra de dançar com ele. As raparigas voltaram a formar uma fila e o Príncipe levantou-se. Sorriu aos pais e dirigiu-se ao centro da Clareira, perto da fogueira, que ardia vorazmente. Ergueu a mão ao músico que tocara flauta anteriormente, e o som de uma valsa encheu os ares. Safira viu que agora o músico não tocava sozinho. A ele juntara-se uma dezena de homens, cada um deles tocando flauta, harpa ou violino. A música entrava suavemente pelos ouvidos de cada pessoa e continuava a entoar nas suas mentes.
O Príncipe olhou para todas as raparigas, que esperavam ansiosas pela sua escolha. Sorriu a todas elas, mas havia chegado ao fim da fila e a dança continuava pendente, apesar de a música seguir ao seu ritmo. E, surpreendentemente, Rafael voltou-se, ficando de costas para todas as concorrentes. Um subtil burburinho levantou-se.
- Foi-me anunciado... – Safira estremeceu ao ouvir voz tão firme. Era a primeira vez que o Príncipe falava, desde o início do Baile. – ... que é minha obrigação escolher a mais bela rapariga da Floresta Dourada e dançar com ela. Mas nada me obriga a escolhê-la apenas de entre as que participaram no desfile. – o barulho de fundo intensificou-se. As raparigas transmitiam incredulidade. – Na minha opinião, a mais bela rapariga da Floresta Dourada não se encontra entre as que desfilaram. – e sem se importar com alguns gritos de protesto por parte das jovens, Rafael avançou pela clareira, de olhar fixo no de Safira. Esta sentiu o seu coração dar um pulo e o que mais desejava naquele momento era poder desaparecer. Não podia crer que o Príncipe a tivesse escolhido, mas a verdade era que ele caminhava ao seu encontro. Respirou fundo várias vezes e encarou a verdade de frente. Iria dançar com o Príncipe! As pessoas abriam um estreio caminho, para logo o tornar a fechar, e Rafael alcançou Safira. Olharam-se e sorriram, com uma cumplicidade que nunca pensaram poder existir entre duas pessoas. Rafael ergueu a sua mão para Safira, que continuava de pé no banco, e tinha que o olhar de cima. Instantaneamente, toda a Floresta mergulhou no mais profundo silêncio. Apenas se ouvia, ao longe, o pio do mocho e o som gorgolejante do rio.
- A menina dá-me a honra desta dança? – perguntou, curvando-se ligeiramente.
domingo, 9 de setembro de 2007
Olha a madrinha babada!
quarta-feira, 5 de setembro de 2007
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
Pessoal...
quarta-feira, 15 de agosto de 2007
9ª Parte do 1º Capítulo "Safira"

Olhou toda a Floresta à sua volta. Conhecia cada recanto daquela Clareira e cada uma das árvores à sua volta. A sua favorita era aquela em que instalava o baloiço fabricado pelo pai. De cada um dos lados do pequeno pedaço de madeira que servia de assento, saía uma corda que Safira prendia num dos ramos daquela árvore, que se encontrava, nesse momento, parcialmente oculta pelos bancos destinados à família Real.
A cada momento que passava, as mesas iam ficando mais vazias e as pessoas cada vez mais satisfeitas. Os nervos das raparigas começavam a aumentar. A tão esperada hora não tardava em chegar. Assim que toda a gente se fartou de comer, Safira viu os Reis dirigirem-se para os seus bancos, seguidos pelo Príncipe e pelo cocheiro. O Rei permaneceu de pé, pedindo silêncio, tal como acontecera anteriormente. Rafael e a Rainha sentaram-se. Safira pôs-se de pé, pois novamente a multidão a engoliu. Viu uma rapariga arranjar o cabelo a outra.
segunda-feira, 13 de agosto de 2007
Só para aguçar a curiosidade...

- Gabriel, não aguento viver sem ti. Pedes-me que seja feliz, mas só o serei a teu lado. – Olhou a pena que Gabriel lhe deixara, agora pousada em cima da cama. Os seus olhos revelavam alguns sinais de loucura. Com tanto que sofrera, já se adaptara à dor. – Nunca ninguém saberá desta nossa história, uma vez que não ficará ninguém para contá-la. Não sei como vai ser daqui para a frente, nem o que fazer. Falaste-me do Céu e do Inferno. Se me perder, encontra-me. – Olhou-se ao espelho. Nunca a sua beleza estivera em tal declínio. Os olhos pareciam afundar-se cada vez mais na sua face. Os lábios estavam ressequidos e a pele desidratada. – Nem Deus pode impedir que eu e tu sejamos felizes juntos, Gabriel…
domingo, 12 de agosto de 2007
Pura magia...

sexta-feira, 10 de agosto de 2007
Gosto de ti...
Gosto de ti como quem mata o degredo,
Enquanto não há amanhã,
Gosto de ti como uma estrela no dia,
Enquanto não há amanhã,
8ª Parte do 1º Capítulo "Safira"

O coração da jovem parou momentaneamente. Rafael estava o mais próximo possível dela. Olharam-se com intensidade e sorriram um ao outro, como se de cúmplices se tratassem. Safira baixou o rosto, ainda a sorrir. As raparigas histéricas olhavam-na com inveja. Ela fora a única a quem Rafael sorrira.
A família Real sentou-se, assim que chegou ao fim do tapete de flores. O Rei ao centro, a Rainha do lado direito e Rafael do lado esquerdo. O cocheiro apresentou-se de pé, ao lado de Rafael. Toda a Floresta Dourada estava voltada para eles. O silêncio instalara-se uma vez mais. E então, o Rei levantou-se, acenou a toda a multidão, que aplaudiu entusiasticamente, e pediu que o barulho cessasse.
- Caros amigos da Floresta Dourada. – começou, revelando uma voz grave, mas benevolente. – É com um enorme prazer que venho, uma vez mais, receber a Primavera convosco. Sem mais demoras ou discursos, que comece o Baile da Floresta! – e às suas palavras, toda a gente se dirigiu às mesas , incluindo a família Real, de modo a satisfazer o estômago. Safira desceu do banco, enquanto os Reis e o Príncipe caminhavam novamente pelo tapete de flores, em direcção às mesas. Safira escolheu uma das mesas mais despovoadas e tirou um naco de carne. Saboreou-o com delicadeza e afastou-se, a fim de deixar que outros tivessem oportunidade de se servir. Voltou a sentar-se no seu banco, longe de toda a multidão. Podia observar, por entre espaços, o Príncipe lá longe. Este sorria, num mundo repleto de novidades. Rafael sempre ficara no castelo nos Bailes da Floresta. Não por opção. Apenas porque o Rei insistia que a sua apresentação oficial à Floresta Dourada só seria no dia do seu vigésimo aniversário, tal como mandava a tradição.
quarta-feira, 8 de agosto de 2007
Como manter o amor...

A dada altura, indagou a jovem:
- Mamã, como se faz para manter o amor?
A mãe olhou para a filha e respondeu:
- Apanha um pouco de areia e fecha a mão com força…
A jovem assim fez e reparou que quanto mais forte apertava a areia na mão, mais depressa esta escapava.
- Mamã, assim a areia cai!!!
- Eu sei. Agora abre completamente a mão…
A jovem assim fez.
Mas veio o vento forte e levou consigo a areia que lhe restava da mão.
- Assim também não consigo mantê-la na minha mão!
A mãe, sempre a sorrir, disse-lhe:
- Agora apanha outra vez um pouco de areia e mantém-na na mão semiaberta, como se fosse uma colher: suficientemente fechada para protegê-la e suficientemente aberta para lhe dar liberdade.
A menina seguiu as instruções da mãe: a areia não só não lhe escapava da mão como ficava protegida do vento.
- É assim que se faz durar um amor… - concluiu a mãe.”
7ª Parte do 1º Capítulo "Safira"

Uma salva de palmas interrompeu o silêncio que se havia instalado, e as raparigas começaram a gritar pelo nome do Príncipe. Rafael desviou, com alguma relutância, o olhar daquela rapariga que tanto o fascinara desde o primeiro segundo.
As pessoas abriram caminho entre si e algumas mulheres, reservadas para aquela tarefa, espalharam no chão pétalas das mais lindas flores existentes na Floresta, formando assim um belo tapete. Cada uma das mulheres transportava consigo um cesto de verga, repleto de pétalas multicolores. O recente tapete de flores conduzia a um dos extremos da Clareira, onde haviam sido instalados os três melhores bancos talhados nos troncos. Cada um deles estava enfeitado com flores brancas e folhas verdes. Assim que o tapete de flores ficou completo, a família Real caminhou sobre ele. Safira ficara bem a meio do percurso e Rafael iria passar a seu lado. Esta visão deixou-a imediatamente com náuseas.
Os três caminharam lentamente, cumprimentando toda a gente com acenos de cabeça e sorrindo em todas as direcções. As pessoas curvavam-se à passagem deles. Algumas raparigas davam pequenos pulos de euforia, tentando chamar a atenção do Príncipe. Mas pouco ou nada conseguiam. Rafael voltara a fixar o seu olhar em Safira. Parecia que algo o prendia a ela. Não sabia explicar se seria o seu jeito simples, se os seus olhos expressivos ou se o seu sorriso enigmático. Apenas sabia que algo nela lhe sugava o olhar.
terça-feira, 7 de agosto de 2007
segunda-feira, 6 de agosto de 2007
6ª Parte do 1º Capítulo "Safira"

Retirado da revista "audácia"

No princípio dos tempos, vários demónios reuniram-se para fazer uma travessura.
Um deles disse:
- Devíamos tirar alguma coisa aos humanos!... Mas o que é que lhes vamos tirar?
Depois de muito matutar, um dos demónios propôs:
- Já sei, vamos tirar-lhes a felicidade. O problema é onde a esconder para que não a possam encontrar.
Alguém levantou a mão:
- Vamos escondê-la no cimo do monte mais alto do mundo.
Imediatamente respondeu o outro:
- Não! Lembra-te que eles têm muita força. Alguém pode subir e encontrá-la e, se a encontra, todos vão saber onde está.
Disse outro:
- Então vamos escondê-la no fundo do mar!
Alguém respondeu:
- Não! Lembra-te de que eles são curiosos e algum dia alguém vai construir um aparelho para poder descer e então vão encontrá-la.
Outro sugeriu:
- Vamos escondê-la num planeta bem longe da Terra.
Mas um demónio ripostou:
- Não! Lembra-te que eles têm inteligência e, algum dia, alguém vai construir uma nave para poder viajar para outros planetas e vai encontrá-la. Então, todos terão a felicidade.
O último dos demónios tinha estado calado a escutar atentamente cada uma das propostas dos demais. Pesou cada uma delas e depois disse:
- Acho que sei onde pôr a felicidade para que realmente nunca a encontrem.
- Onde?
- Vamos escondê-la dentro deles próprios. Estarão tão ocupados a procurá-la fora de si que nunca a encontrarão.
Todos concordaram e desde então é assim: as pessoas passam a vida à procura da felicidade sem saber que a trazem consigo!”